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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Em Portugal não sejas Troikano

 

Não existe outra forma de dizer isto: A tróika percebe tanto de economia como eu entendo da vida social do mosquito do Bornéu.
Eu não percebo muito de economia e como tal vou limitar-me aos factos que são públicos.
O primeiro país a ser intervencionado, e seguindo as exigências da troika foi a Grécia. Ao faze-lo não só não recuperou como lhe concederam um hair-cut, um segundo resgate, e quando Varoufakis lhes disse “assim não vai dar, tem de ser de outro modo…” o que fizeram foi cortar o financiamento até que mudassem de ideias e aceitassem as suas “recomendações” que não são mais do que ideologia.


Seguiu-se Portugal, (des)Governado por um partido da mesma linha ideológica que a troika. Passos Coelho foi muito para alem das recomendações troikistas e mesmo assim não conseguiu atingir um único objectivo. Ressalva para o que foi cumprido, não através das linhas orientadoras da troika, não pela genialidade de Pedro Passos Coelho mas pela intervenção do BCE na economia europeia.
Pelo caminho chegaram-nos as notícias de um FMI que reconhece que as recomendações da tróika, da qual faz parte, não ajudam na recuperação económica podendo até dificulta-la.
Ainda antes das eleições a Europa dava o alerta que as políticas de esquerda poderiam trazer retrocessos económicos a Portugal (mais ainda?).


Apurados os resultados, aquele que nunca foi Presidente de todos os portugueses, na linha ideológica dominante, preferiu dar posse à PaF, sempre sublinhando os tais de acordos externos e os problemas que poderiam surgir de um Governo de esquerda.
A esquerda convergiu e o PS tomou posse e os mercados pouco se importaram com o facto. Permaneceram tranquilos ao contrário do anunciado.
A troika e a Fintch vêm agora dizer que draft do Orçamento de Estado para 2016 é irrealista porque espera um aumento do PIB acima do que eles esperam e não contempla uma descida do défice 0,6% como o pretendido por Bruxelas mas sim uma descida de 0,2%.
A Fintch naturalmente promete impor a crise cortando o rating nacional, ou seja, promete-se plantar uma crise que não existe.


Aparentemente as promessas políticas praticam-se até entre políticos.
Facto é que ao longo dos últimos 4 anos o défice ficou sempre aquém do esperado pela troika, foi preciso vender muito do país para cumprir o défice e muito malabarismo contabilístico para aparentar o cumprimento do objectivo. Ao mesmo tempo, e ao contrário do objectivo, a divida publica nunca parou de crescer.
Desta feita, um Governo apresenta um Orçamento que não foi escrito para agradar mas que pretende ser mais realista em números e progressista nas propostas. Se lá viessem umas contas inventadas a dizer que o défice iria descer 2% e o PIB iria crescer 3%, no fim de 2016 acusavam a derrapagem por imponderáveis e ficaria tudo bem.


Mas um Governo de esquerda que governa porque convergiu com os restantes partidos de esquerda, isso faz muita confusão à ideologia dominante e é preciso armadilhar o caminho.
O Partido Socialista vive agora um problema para agradar a gregos e troianos, ou seja, não pode falhar com o acordado com o Bloco de Esquerda e Partido Comunista ao mesmo tempo que não pode desagradar muito a troika sob pena de lançarem novamente a praga de uma crise que venha a derrubar este Governo.
Seria tão simples como voltar a aumentar as taxas de juro…


Conclui-se assim que a troika não tem nem pretende ter razão sobre o modelo que leva à recuperação e crescimento económico. Querem apenas continuar o seu caminho ideológico custe o que custar, custe a quem custar.

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