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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Em Portugal as leis são para serem quebradas

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Ás vezes gostava de perceber porque é que o português, com todas as cautelas às generalizações, é como é.

Há tanta coisa que fazemos bem, mas há outras que nos distanciam do que possa ser considerado como uma sociedade evoluída, ou se usar o termo sociedade, já será suficiente.

O relato que faço de seguida, é do dia de hoje, mas torna-se num relato porque é um comportamento frequente.

Hoje, sai de Lisboa a caminho de uma bela localidade alentejana para acompanhar uma obra que iria decorrer nesse local.

A empresa que por lá trabalha, antes de iniciar dar inicio aos trabalhos, delimitou, e bem, a área de trabalhos com baias, tal como mandam as normas de segurança colectiva. Equiparam-se com os equipamentos de protecção individual e iniciaram os trabalhos.

 

Só que os trabalhos na via publica têm esse problema que é precisamente o publico. Há sempre malta que não entende bem as normas da sociedade e acha-se acima dos outros.

Bom, a determinada altura aparece um senhor de meia idade, de bigode à Toni, atrás de mim, a uns 15 metros e de bengala, a descarregar o dicionário total de vernáculo.

Percebi que o senhor queria passar por ali, mas que as baias não lhe estavam a facilitar a vida.

Perdeu algum tempo a reclamar sozinho, na esperança que alguém lhe desse atenção, e na falta de outra bengala, desta feita não para a locomoção, mas para lhe dar apoio na parvoíce, desviou uma baia e invadiu o espaço delimitado.

Francamente ignorei porque há muita gente que procura o confronto, seja ele de que tipo for, e não estava para isso, mas…

Quando se aproximou da nossa posição, ou seja, da obra em si, voltou à carga. No meio de muito vernáculo que não repetirei aqui, resumia-se muito a isto: “é inadmissível cortarem uma passagem assim, tenho de fazer uns 2km por vossa causa…”.

Bom, ele reclamava que não podia descer uma escada com uns 20 degraus e os tais 2km não passavam de 20 metros em redor de uma casinha, e sem degraus.

Tive o azar de olhar para ele, dar-lhe o contacto visual que ele precisava, para iniciar o confronto.

Como não tenho paciência para insolências de crianças em formato adulto, disse-lhe logo, que se tivesse ali um acidente, ia logo a correr para o CM dizer que a obra não estava devidamente delimitada e ia chorar por uma indeminização.

Não gostou da resposta e iniciou marcha…

 

A coisa acabou, quando chegou ao outro extremo da obra, com um ameaçador: “Quando o meu cunhado souber disto é que vão ver…”.

 

 

Como disse lá em cima, este senhor não é caso isolado. No mesmo local, no mesmo dia, tentaram passar adolescentes, mulheres adultas, o avô com o neto…

E isto, acontece em todo o país, zonas urbanas e rurais, de um modo transversal sem nenhum critério que nos possa guiar para o que aí vem.

 

Por isso digo que, não respeitar regras, para o caso, regras de segurança que tentam proteger estranhos ao trabalho, é uma coisa muito portuguesa. Não se respeita o transito, não se respeitam delimitações, não se respeitam leis, não se respeita nada. E depois ainda temos a lata de dizer que os mais novos é que não respeitam nada? E os adultos?

 

Bem sei que estou a fazer uma generalização, mas a verdade é que eu não consigo desmontar a sociedade como peças de lego e dizer que determinadas peças, perfeitamente identificáveis, têm determinado comportamento, para alem disso, esta generalização é a soma de todos os defeitos e todas as virtudes e nenhum individuo é um fiel representante da sociedade.

 

No outro dia validava no meu pensamento a perfeição da normalidade, aquela normalidade que tem desvios ao padrão. No entanto há desvios que podem e devem ser corrigidos e Portugal, enquanto sociedade, estará bem melhor quando começarmos a respeitar os outros, quando percebermos que o Deus não mora nos nossos umbigos, que nós não temos centro gravítico, que devemos à sociedade o devido respeito assim como esta nos deve respeitar a nós.

 

Bem sei que isto não é fácil nem rápido. Aquele cidadão, e outros como ele, que acham que a sociedade lhes tem uma divida qualquer, não irão mudar ou pelo menos não irão mudar o suficiente para que tenha expressão, mas se calhar, quando isso acontecer, boa parte dos nossos problemas actuais deixarão de existir.