Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

É a realidade… Estúpido!

Eu juro que não queria voltar a falar no sénior que vagueia por Belém. Até porque estou bastante feliz, não pelo orçamento rectificativo como disse Marcelo, mas porque no início do próximo ano finalmente vamos vê-lo pelas costas. Essa é, indubitavelmente, uma boa notícia.

 

No entanto, Cavaco Silva insiste em continuar a apoquentar os portugueses com as suas alarvidades. E eu não consigo resistir… Recentemente declarou que “a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia”, aquando da intervenção de encerramento do Conselho da Diáspora. Não deixa de ser peculiar esta afirmação por parte de Cavaco Silva, já que este há 3 décadas que impõe a ideologia neoliberal à realidade do país. E, pior que tudo, tem alcançado sucesso. Assim sendo, e fazendo fé nas palavras do presidente da república do PSD, resta-nos esperar pelo momento em que a realidade irá derrotar esta ideologia, para que finalmente entremos numa era de progresso. O problema é que a tal realidade tem vindo sempre a provar que Cavaco está errado. Que o caminho que defende só piora a vida das pessoas.

 

Isso leva-me a outra questão. Na mesma ocasião Cavaco diz que relativamente à zona euro “os riscos de desmembramento são pequenos”. Se também aqui se vier a provar que as coisas vão a revelia do pensamento presidencial estaremos em maus lençóis. O que se tem verificado é que mesmo após as ajudas externas e os resgates constantes, a sangria financeira teima em não estancar. E por muitas operações de cosmética politico-financeira que se desenvolvam, não haverá forma de alterar os actuais problemas ser não corrigirmos rapidamente alguns vícios que arrastam o sector financeiro para o bueiro.

 

Três simples passos que devemos dar o quanto antes:

  1. Separação entre banca comercial e banca de investimento;
  2. Um papel mais activo do Estado no controlo do sector financeiro;
  3. Mais eficácia das entidades a quem compete a fiscalização e regulação (leia-se BdP).

_careta_zpsd0737c37.jpg

 

Se pela Europa for talvez possamos caminhar para a tal unidade económica e financeira (que, já agora, necessita também de uma uniformização fiscal). Caso contrário a realidade da Europa a duas velocidades, do aumento das desigualdades, da competição entre economias, dos dinheiros públicos transferido para os privados, impor-se-á. O que pode acarretar o falhanço da política da moeda única. Não tenhamos dúvida que isto é ideológico. E é também estúpido!

 

 

 

Montijo, 23 de Dezembro de 2015