Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Dois anos que bem poderiam ter sido vinte.

12080054_1054610267896376_2128901038131316977_o.jp

 

Tinha para hoje preparada uma pequena intervenção que acabei por não usar e começava assim: “Ser hoje candidato à assembleia ou é masoquismo ou um acto baseado num profundo acreditar que este projecto tem pernas para andar.”

Na verdade é um misto dos dois. Há dois anos, quando me candidatei a primeira vez, apenas sabia que precisava de fazer alguma coisa para mudar o rumo do país. Tudo o que viria depois era um caminho, para mim, totalmente desconhecido e com um tão espesso nevoeiro que era impossível ver onde colocar o pé no passo seguinte.

Na primeira reunião dos Grupos de Trabalho, no Teatro Rápido, a sensação é que este caminhar sem se ver onde se colocam os pés era partilhado por todos. Daquela reunião onde estava eu, o João Bicho, a Clarisse Marques, o Carlos Melo, o Ricardo Alves e a Marisa Galiza (espero não me estar a esquecer de ninguém), saímos, no meu entender, tal como entramos, sem saber o que era suposto fazer daquilo que nos era ali delegado.

Ainda nesse dia, é preciso recordar o convite para fazer parte do que viria a ser conhecido pelo “grupo dos 9”. A assembleia animada por esse grupo, as constantes decisões feitas em cima do joelho, a constante falta de mais gente para dividir trabalho. E quanto mais caminhei, mais a mochila se encheu de tarefas. Ontem, 19 de Dezembro de 2015, foi o primeiro dia que fechei a Tab do email do TdA, esse canal de comunicação bipolar que ora de trazia mensagens de apoio e incentivo ora me trazia mensagens de criticas mais ou menos infundadas, muitas vezes escritas por pessoas que não estando por dentro do processo ali “me” usaram para desabafar.

E no fim, no dia 4 de Outubro, um murro no estomago com uma esmagadora derrota numérica. Ficaram as vitórias morais para ajudar a lamber as feridas.

Foram dois anos que pareceram dez e duplicar isto não pode ser mais que masoquismo.

Mas fi-lo.

Fi-lo por acreditar que este é o único partido com as características do nosso LIVRE.

Já basta de falar de convergência ou de primárias abertas. A convergência resultou na mão de outros e as primárias abertas até ver só são importantes para nós porque esse conceito ainda não faz parte da cultura popular.

O que nós somos não é uma coisa amorfa. Temos contornos bem definidos, objectivos concretos e pilares bem pronunciados.

Nenhum outro partido se assenta nos mesmos pilares que o LIVRE. São precisos 4 partidos no parlamento para dar um ar semelhante ao que nós somos. Temos no parlamento o Frankenstein de esquerda, de fora ficou “the real McCoy”.

E é precisamente por sermos o produto genuíno nascido e que se vai criando para o novo milénio que eu me volto a afirmar que estou cá para ajudar no desenvolvimento deste grupo apesar das dificuldades passadas e futuras.

Termino estas linhas a agradecer aos que depositaram em mim a confiança para representar membros e apoiantes na nossa mui ilustre Assembleia.

Lamento a saída de alguns elementos da Assembleia, estando certo que farão um tão bom ou melhor trabalho do que o fizeram até aqui, ainda que noutros órgãos do LIVRE.

Destes dois últimos anos, muito obrigado por todas as experiencias vividas, pelas lições de humanidade, humildade, urbanidade e por tudo o que me foi permitido aprender convosco.

Chega de agradecimentos e justificações, voltemos ao trabalho!