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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Desculpa David Duarte, o Banif é mais importante.

Imagem do expresso.pt

 

Enquanto o Governo se desmultiplica em esforços para salvar o Banif, penalizando muitos em nome de poucos, David Duarte de 29 anos teve o azar de fazer parte dos muitos e morreu por falta de assistência médica adequada.

1º A culpa não foi do médico ou dos médicos que não estavam de serviço.

O médico, apesar de ser um genérico para o profissional, é um sujeito como qualquer um de nós apesar de ter uma formação específica. Este tem direito ao seu descanso e às suas lutas tal como qualquer outro de nós e estou certo que naquele dia de inverno se dissessem que a sua ausência iria resultar numa morte, o médico teria operado.

A culpa está a montante e noutra sede, num ou vários Governos que antecederam este que se preocupam com a relação entre custos e votos que em última análise resulta em equipas pequenas demais para os dias da semana. Este foi o tal dia em que faltou uma equipa, este foi o dia de azar para David Duarte.

Mas se este Governo não tem responsabilidade sobre os eventos ocorridos no Hospital de S. José, já não posso dizer o mesmo sobre a salvação apressada do Banif.

Tudo o que toca a vidas, seja neste fim-de-semana no Hospital de S. José, seja nas fronteiras da União Europeia onde milhares de refugiados aguardam uma solução para a sua sobrevivência, nunca há pressa. Já para salvar os Euros, a solução surge do dia para a noite.

A saber, ainda no Governo anterior tinham sido injectados 1.100 milhões de euros no Banif. Carlos Costa, Governador do BdP disse em 2013 que esta injecção não só seria recuperada como resultaria em dividendos.

O BdP, teoricamente o regulador da banca, é incapaz de regular ou sequer fazer uma previsão acertada. Mas não está sozinho porque Maria Luís Albuquerque diz agora que há um problema de supervisão depois de já ter dito, na altura a propósito do BES que era impossível uma supervisão que funcionasse em tempo útil devido à natureza, variedade e velocidade em que se produzem transacções internas e externas.

E o mal continua!

O Estado vende o Banif por 150 milhões de euros ao Santander ficando desde já a perder 950 milhões da primeira injecção de capital público, mas para formalizar a venda, pelo valor de um jackpot de euromilhões, o Estado mete lá mais 2250 milhões de euros para contingências futuras.

Isto quer dizer desde já que nós ficamos a perder 3200 milhões de euros ao que se acresce o peso do “banco mau” do Banif e ainda os funcionários que o Santander não entendeu absorver. Este montante pode ainda subir até aos 3825 milhões de euros.

Por seu turno, e por 150 milhões de euros, o Santander Totta comprou 11 100 milhões de euros em activos e depósitos ao mesmo tempo que se posiciona como 2º maior banco em Portugal. Bom negócio…

Qualquer empresa que entre em insolvência é administrada pelo Tribunal de Falências e os seus activos são vendidos em hasta pública.

A diferença entre insolvência e esta venda que o Estado fez é que não seria preciso o Estado dar dinheiro público. Eu a isto apenas chamo de roubo aos contribuintes que não contribuem, são apenas explorados.

Bem sei que para o PCP tudo devia ser Estado, mas nesta, dou o meu apoio ao PCP. Chega de sustentar a banca. Não há argumento nenhum válido que lhes permitam um tratamento ainda mais especial do que têm recebido. A Banca rouba quando vou ao banco, rouba quando não vou, rouba quando fazem uma boa gestão e roubam quando não o fazem. O que difere é o modo como somos roubados.

Enquanto o Estado não tem dinheiro para contratar mais médicos, tem milhões para desafogar bancos bem geridos. Sim, bem geridos porque há sempre um zé-povinho numa esquina próxima para espremer.

Desculpa David Duarte mas a banca é aparentemente mais importante. Desculpa…

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