Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

De Zombies a Vampiros

 

Já me referi duas vezes, muito pela rama a Luaty Beirão e talvez tenha de aprofundar um pouco mais o pensamento.

A primeira questão que inflijo a mim próprio é: Se estivesse na sua posição levava o protesto até às últimas consequências?

A resposta não demora muitos segundos a surgir na minha mente: Não!

Luaty está numa luta, sozinho contra um país e a leva-la ao limite irá perder a sua família e a sua família irá perde-lo a ele.

Se olharmos para o mediterrâneo, estão milhares de refugiados a arriscar a morte precisamente para se salvarem a si e às suas famílias.

Mas esta cogitação minha em nada retira o valor e a bravura da sua luta. Provavelmente ainda a reforça e talvez seja Luaty o Gandhi angolano.

A verdade é que Angola NÃO é uma democracia. É uma autocracia com cabeça de cartaz em José Eduardo dos Santos. A liberdade, a que hoje por aqui conhecemos, por lá só existe se não se falar em ideias politicamente dissonantes ao regime instalado.

Por cá, os vampiros do costume para os quais só interessam os cifrões. A partir do momento em que temos interesses dos grandes grupos económicos em Angola e Isabel dos Santos se tornou numa peça influente na economia nacional, a vida de um qualquer protestante passa a ser algo de irrelevante. Ai de quem ouse interferir com os interesses financeiros. E nem sequer é um problema de defesa dos seus interesses em Angola. Para quem tem memória, há-de recordar-se do episódio da carta de condução de Mantorras. Depois de ele ter sido apanhado a conduzir com carta angolana que não era valida cá, Angola transformou a carta portuguesa em carta inválida em Angola. Portugal baixou as calças e lá se resolveu a questão diplomática… financeira.

E pelos mesmos cifrões acolhemos a Guiné-Conacri na CPLP sem que se garantisse o respeito pelos Direitos do Homem ou sequer se colocasse a integração condicional mediante o incremento de medidas em nome dos direitos e garantias. Se o ano passado não se moveram senão pelos cifrões, era agora que se iam mover por um puto armado em revolucionário?

José Eduardo dos Santos irá cair da cadeira e a autocracia irá ruir. Luaty dos Santos irá ser recordado e provavelmente terá ruas com o seu nome. A sua família sentirá a sua ausência e será chamada a falar aos jornalistas para recordar um bravo contra o regime.

Mas somos nós enquanto sociedade que somos responsáveis pela existência de mais um herói. Ninguém quer ser herói mas alguns não conseguem escapar à condição.

O povo unido jamais será vencido… mas o povo só se une em torno de mártires…