Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

De buraco em buraco...

 

Imaginemos duas cidades sem qualquer tipo de ligação. As pessoas destas cidades querem deslocar-se entre elas sem ter de atravessar cardos e silvados. Impõe-se a criação de uma estrada que ligue estas duas cidades.

O trabalho não promete facilidades mas estas gentes fazem-se ao trabalho. A determinada altura, no percurso definido para a estrada, as gentes encontram um buraco que impede a progressão da estrada. É preciso uma solução.

O líder destas gentes diz-lhes para lá ir mais à frente fazer um buraco e que dele retirem as terras necessárias para tapar o buraco que lhes impede a progressão.

Buraco tapado, o líder anuncia o sucesso da sua ideia e que agora é que estão no rumo certo. Alguem grita que seria mais fácil tapar o buraco com terras ao lado e não à frente mas ninguém o ouve. As gentes animadas avançam na construção da estrada mas cedo se deparam com um novo buraco que precisa ser tapado. Mais uma vez o líder destas gentes diz-lhe para lá irem mais adiante fazerem um buraco e trazerem as terras para tapar este buraco. As gentes passaram pelo primeiro buraco e acharam que já era algo fundo para lhes retirar ainda mais terra. Avançaram um pouco mais e fizeram novo buraco.

Buraco tapado e lá avançaram na construção da estrada. Mais uma vez ignoram o senhor que diz que seria mais fácil tapar o buraco com outras terras que não as de adiante. Ninguém o ouve. Cedo encontraram mais um buraco. Desta vez o primeiro buraco que criaram para tapar o primeiro buraco que tiveram de tapar. O líder destas gentes diz que é da conjuntura, algo fora do seu controle, alguma geringonça talvez que por ai ande a provocar buracos.

A partir daqui é fácil perceber que estas gentes não terão tarefa fácil na construção da estrada, que passaram o tempo a fazer buracos para tapar outros buracos, buracos cada vez maiores, cada vez mais distantes, cada vez mais difíceis de tapar.

Qualquer semelhança desta história com a realidade económica deste país é pura coincidência, mas até quando andarão estas gentes a tapar buracos com buracos que mais lá para a frente terão de tapar?