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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Da Tolerância

Hoje, dia 16 de Novembro, comemora-se o Dia Internacional da Tolerância. Dada a proximidade dos atentados de Paris, na passada sexta-feira, depressa se começaram a traçar paralelos. A tolerância é um conceito lato e “perigoso”. Pode ser aplicado a múltiplas facetas da nossa vivência. Desde o desporto ao vestuário, passando, evidentemente, pela religião e cultura, liberdade de opinião e de expressão. Mas haverá um limite para a tolerância?

 

Atente-se no exemplo da mutilação genital feminina. Esta é uma prática tradicional e secular entre determinadas comunidades. Mas a mesma é largamente rejeitada pela globalidade das pessoas. Poderá tal ser visto como uma imposição da vontade geral sobre uma tradição cultural de uma comunidade concreta. E em larga medida é-o. Mas neste caso é uma das linhas em que devemos marcar a intolerância. No presente estado civilizacional não podemos, de forma alguma, aceitar este tipo de acções que afectam as mulheres de todas as idades, pondo inclusivamente em causa a sua integridade física.

 

Com efeito existem um sem número de situações em que devemos ser intolerantes. Devemos ser intolerantes com a violência no desporto, o fundamentalismo e extremismo religioso, o racismo, a corrupção, a violência doméstica, o terrorismo... Pense-se em todas as vertentes da existência e teremos campo onde poderemos ser intolerantes.

 

Os atentados de Paris, do dia 13 de Novembro de 2015, e o terrorismo na generalidade, nada têm a ver com a tolerância. É ridícula a associação que se tenta criar. Se há alguma coisa que devemos fazer é repudiar veementemente este tipo de actos e demonstrar a nossa intolerância perante os mesmos. Porque a sociedade actual e a visão humanista que pensamos ter, não se compadece com estas atitudes bárbaras. Nenhum atentado à liberdade religiosa justifica semelhantes acções extremistas, que vêem como natural tirar a vida a alguém, para passar uma mensagem que ninguém consegue compreender, a começar pelos próprios muçulmanos.

 

Sejamos portanto intolerantes para com o extremismo. Mas que fique claro que se a resposta a este actos se assemelha em termos de grau de extremismo, em nada estaremos a ser diferentes daqueles que tanto criticamos. Violência gera violência, é uma máxima conhecida por toda a humanidade. Alguém tem de ter a coragem de não ripostar. De perceber que o caminho deve ser o da educação e formação do ser humano, da tolerância saudável da diferença, da aceitação e da inclusão, da cooperação para o desenvolvimento, da solução pacífica e diplomática dos conflitos. A ONU é a organização por excelência que suportará este tipo de actuação. Caberá a esta traçar a linha do que é tolerável e do que é intolerável. Interessa, portanto, dar-lhe esteio para isso mesmo. Para no fundo, cumprir o seu papel. Quando esse momento chegar, estaremos com certeza no caminho correcto. O caminho para a utopia da paz mundial e da tolerância entre os povos e culturas...

 

Montijo, 16 de Novembro de 2015