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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Crescer, crescer, até ao colapso final

Num artigo de síntese muito pertinente, Samuel Alexander, investigador da Universidade de Melbourne na Austrália desmonta a loucura do crescimento perpétuo da economia, e os argumentos de que ele pode ser mantido desligando a economia dos seus efeitos no planeta. Demonstrando como uma sociedade livre do paradigma do crescimento teria mais bem estar social e ambiental, o autor aponta políticas públicas que promoveriam o caminho para esse objetivo:

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 - impor limites ao uso dos recursos e da energia, de modo a atingir a sustentabilidade estimulando a eficiência e a inovação tecnológica;

- trabalhar menos e viver mais;
- redireccionar o investimento público para a eficiência e a sustentabilidade
- reformar a banca e o setor financeiro, tendo em conta que é o sistema monetário assente na dívida que justifica a necessidade de que a economia cresça... para pagar a dívida;
- enfrentar o crescimento populacional melhorando as condições de vida, e educação e a autonomia das pessoas, assim como o acesso à contraceção;
- eliminar a pobreza através da redistribuição da riqueza e do poder.


Esta agenda é tão evidente como evidentes são os sectores que se lhe oporão: as grandes empresas e instituições multi e supra nacionais, cujos interesses são diretamente ameaçados. Mas a própria forma como o paradigma do crescimento está embutido nas mentes das pessoas constitui um obstáculo poderoso a uma política de decrescimento, limitando a discussão sobre como ela se poderá fazer de uma forma que não desencadeie colapsos económicos ou crises geopolíticas.


Numa nota que ressoa com muito do que eu penso, o autor conclui que estas políticas terão que ser implementadas de baixo para cima, a partir de organizações de base focadas numa cultura de resiliência, auto-suficiência e auto-determinação. O problema é que isso só parece ser provável no cenário de crise ecológica e social associado à continuação das atuais tendências, e terá um custo em sofrimento humano sem paralelo na história da humanidade. Se (e é um grande se...) houver, nessa altura, condições para se manterem os padrões civilizacionais que permitam sequer falar em políticas públicas.