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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Contra a Direita, Marchar, Marchar!

Quando se coloca num motor de busca "convergencia+esquerda" esta é a imagem que aparece.

 

Vivemos um momento histórico e com alguma naturalidade assistimos a diversos dias históricos consecutivos.

Escrevo agora estas linhas após Jerónimo de Sousa, após a reunião do Comité Central, anunciar um acordo à esquerda, isto depois do Bloco de Esquerda o ter feito.

A história não acaba aqui e o próximo momento histórico será o chumbo do plano de Governo da PaF no parlamento. A partir daqui a história começa a ficar nublada e não se percebe bem o que ai vem.

A primeira questão reporta directamente com a decisão que Aníbal Cavaco Silva, Presidente da Republica de todos os liberais irá tomar. Irá ele engolir o sapo e chamar António Costa a formar Governo ou manterá o seu discurso e avançamos para um Governo de gestão?

Que se assuma coerência mínima e que seja dado o mandato aos partidos de esquerda.

Mas mesmo assim nem tudo vai bem no reino da Dinamarca.

Uma verdadeira convergência implicaria um compromisso claro dos partidos fazendo eles, no seu todo parte do Governo. Esta é uma co-responsabilização de todos os intervenientes.

Só que este acto implicaria uma responsabilidade que nunca foi desejada, a responsabilidade de governar. Alem disso, correndo bem a CDU e BE ficariam abafados pelo Partido Socialista, correndo mal, seriam arrastados corrente abaixo.

Assim, apoiando mas ficando de fora podem ser mais interventivos e até sair do comboio a meio da viagem se nisso encontrarem vantagem ou interesse.

Roma e Pavia não se fizeram num só dia e após 40 anos de muros erguidos entre os partidos de esquerda não estou nem posso diminuir este princípio de diálogo convergente ainda que tenha sido promovido por terceiros que estão agora longe das negociações e pela necessidade face aos resultados eleitorais. Independentemente das causas, a verdade é que hoje a esquerda uniu-se do mesmo lado da trincheira não para fazer oposição mas para colaborar no Governo.

Temos notado algumas mensagens entrelinhas sobretudo, e curiosamente, entre o PCP e o BE.

Nada mais natural ao fim de 40 anos em trincheiras diferentes ainda carregados de desconfianças que se empinam por cima das ideologias divergentes.

Existem momentos em que se devem procurar evidenciar as diferenças e ignorar as partes comuns. Este não é um desses momentos. Este é o momento em que se devem evidenciar o que há em comum e negociar as diferenças.

Este é um momento histórico e que disso não restem duvidas. Todos os plantadores de opinião de direita andam agora a inventar argumentos numa tentativa desesperada de influenciar/envenenar a opinião pública. Mas a verdade é que os portugueses, aquém e além-fronteiras estão fartos de austeridade para os pequenos e mordomias para os grandes.

Os portugueses, ao contrário dos partidos de esquerda, há muito que ambicionam uma convergência que deite por terra esta direita que empurra o país, a Europa e o Mundo para sistemas autoritários. Não, não estou a exagerar, o caminho do neoliberalismo resulta de autoritarismo, sectarismo e segregação social.

Este é um momento histórico para Portugal e espero que colha muitos frutos.