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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Como a Primavera nasceu LIVRE

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Faz hoje três anos que o LIVRE se viu como partido politico formal com efetivas responsabilidades e deveres após ter sido aprovado pelo Tribunal Constitucional.

O caminho já se fazia há algum tempo num percurso para o qual parecíamos sempre atrasados. Na verdade, direi que tem sido um percurso dicotómico em que politicamente estamos adiantados para o nosso tempo, no nosso trabalho rotineiro sempre à pressa porque estamos atrasados ou porque não o queremos estar.

Três anos intensos que às vezes parecem 30.

Nestes três anos conheci centenas de pessoas. Não, o LIVRE não é imune a aproveitadores, alpinistas e outros que tais. Neste percurso de três anos conheci também pessoas de duas caras, uma para a camara da televisão, outra para o bastidor, mas até hoje a erva daninha tem sido sempre diferenciada da floresta e passo por cima desses detalhes.

É preciso reconhecer que tenho tido o prazer de conhecer pessoas de elevado caracter, dedicação e competência. É preciso desconhecer para não reconhecer.

Devo dizer que nestes dias não estou com elevados índices de motivação. Estou triste com a humanidade. Como é possível eleger Donald Trump? Como é possível sentir alivio porque um partido conservador foi eleito na Holanda? O medo que sentimos na incerteza das eleições francesas, alemãs, italianas. Parte do Reino Unido decidiu afastar a ilha para mais longe da Europa. Erdogan tenta regressar com o império otomano. A Rússia tenta voltar ao poder e influencia da União Soviética, custe o que custar. O poder no Brasil foi tomado de assalto e a comunidade mundial não parece inquieta com o facto. Os refugiados não chegam a ser peões deste jogo, apenas mosquitos a zumbir no noticiário da noite.

Às vezes parece-me que a sociedade não evoluiu dos gritos de euforia de um enforcamento ou um apedrejamento e continuamos a vibrar com uma boa sangria, dos outros, claro.

Para um partido que olha para um futuro progressista do Homem livre, do homem digno e em dignidade, de uma europa unida sem velocidades a diferenciar, de ar puro e rios limpos, em que o sucesso de uns não assenta na desgraça e miséria dos outros nem deixa ninguém esquecido, tenho de dizer que às vezes sinto o LIVRE demasiado à frente do seu tempo, tão à frente que ainda não vejo o destino no horizonte.

Felizmente é apenas uma fase minha e uma fase do mundo e como dizia hoje Ofélia Janeiro numa rede social: “Enquanto houver quem acredite que o LIVRE ocupa um espaço único no panorama politico nacional, tem pernas para andar.”

Quanto mais o mundo se entorta mais falta faz quem o tente endireitar e enquanto tiver a companhia desta gente que acredita que o futuro pode ser melhor, enquanto eu não sonhar sozinho, as tristezas vêm e vão e eu continuarei a dar o contributo.

Parabéns ao LIVRE e às pessoas livres que o constituem.

 

Obrigado pela viagem.