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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Cavaco não é o meu Presidente!

Dia 20 de Novembro corri desalmadamente para a Assembleia da República onde já me esperava a minha gente. Não podia perder a votação final sobre a adopção por casais do mesmo sexo, não podia perder ao vivo um dia bonito pela igualdade. E se foi bonito! Houve abraços e beijos a gosto, saímos mais felizes, mais modernos, mais europeus, mais gente. E dissemos uns para os outros que agora só falta o Cavaco estragar tudo. E estragou. Cavaco Silva nunca foi o Presidente de todos os Portugueses, foi sempre o Cavaco mesquinho, pequenino e vingativo que nós já conhecíamos. Não me esqueço de que quando José Saramago morreu, o único Nobel da Literatura Português, o Presidente da República não compareceu ao funeral porque Cavaco não gostava de José. Cavaco não soube ser Presidente de todos e todas ,nem naquela altura nem agora, porque nunca soube distinguir que o Presidente da República Portuguesa não era Cavaco Silva e os seus ódios mas sim a representação de todos os Portugueses. Eu sei que mal chegue à Assembleia da República a lei da adopção por casais do mesmo sexo fica promulgada e agora já não há veto Presidencial que possa impedir a igualdade. Mas o que me choca é que Cavaco impediu, por pura birra, a modernidade e a felicidade de muitos cidadãos, eu incluída. Eu, que não sou lésbica nem bissexual, que posso adoptar, engravidar casar e recasar com quem quiser, não sou uma cidadã completa porque muitos cidadãos do meu País também não são. Saber que amigos ainda não conseguem co-adopar o filho criado e gerado naquela relação porque são homossexuais indigna-me, fere-me e envergonha-me. Não, Cavaco nunca foi o Presidente de todos os Portugueses. Não, Cavaco não é o meu Presidente. E dia 9 de Março abrirei a garrafa de champagne e, finalmente, brindaremos à liberdade