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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Bizarrias Públicas, de Donald Trump a Pedro Arroja

O mundo está cheio de idiotas e diga-se que não é por falta de escolaridade. E se aos que têm falta de escolaridade podemos dizer que é esse o motivo de afirmações menos cabais, que desculpa dar para os outros?

 

O idiota mais famoso do momento é Donald Trump. As suas declarações não são politicamente incorrectas porque essas abalam os valores instituídos mas funcionam com base na lógica. Varoufakis foi politicamente incorrecto ao querer uma solução diferente para a Grécia. O Papa Francisco é politicamente incorrecto quando viola constantemente o protocolo e em rigor, diz o que os católicos há muito querem ouvir mas que a tradição insistia em silenciar.

Donald Trump é apenas uma mente de Trump(a) com ideias saídas far West dos pistoleiros e de uma xenofobia sem precedentes. Pior que um maluco só um bando (enorme) de malucos iguais ou piores que este que pretendem votar nele. Estre este e os líderes dos vários grupos terroristas, não vejo grandes diferenças de discurso…

Mas só vem consolidar o mito urbano que a malta norte americana não é exactamente igual a nós…

Mas o sujeito não é órfão. Tem mais irmãos até por Portugal.

Por cá, dentro do mesmo estilo temos Pedro Arroja que não é arrojado, é simplesmente parvo.

 

Desde o processo que o levou a acreditar em Deus, a bizarria sobre a adopção por casais homossexuais à privatização dos rios até aplicar de esganiçadas a deputadas do Parlamento da República Portuguesa, para este sujeito vale tudo.

Num e noutro caso eu acharia ‘aceitável’ se fosse dito sobre o efeito de elevadas quantidades de álcool mas não é o caso. É tudo natural!

Mas mesmo este, cá por Portugal tem os seus adeptos.

Mas há mais, ainda que não sejam o ex-libris também dizem as suas “coisinhas” e serem pessoas mediáticas dá-lhes um valor agravado.

Um deles, e apenas como exemplo por ser recente, é Nuno da Câmara Pereira e a sua declaração na CMTV sobre a sua visão sobre os homossexuais. Segundo ele é uma opção, uma moda…

Esta declaração é do mesmo calibre que o estudo publicado recentemente que nos diz que as mulheres são TODAS homossexuais ou bissexuais.

Vamos lá então a factos mais concretos: antes de tudo o resto a sexualidade é inata. Todo e qualquer sujeito saudável nasce predisposto para a sexualidade. Em última analise a natureza dotou os animais sexuados de um desejo de praticar sexo. Em toda a história da humanidade, independentemente do contexto social e cultural, existiram homossexuais o que reforça a ideia que existem indivíduos que nascem homossexuais. Fica aberta a discussão se é genético ou possa ser um banho hormonal no período perinatal. Para o caso é indiferente, apenas sabemos que ao nascer o desejo por indivíduos do mesmo sexo já está traçado.

No entanto é igualmente verdade que o contexto cultural e social influencia a sexualidade.

A sexualidade tem sido praticada de modo diferente ao longo dos seculos mas não precisamos de sair do ‘agora’ para encontrarmos ponderações diferentes sobre o sexo. O Japão é o caso óbvio de como o sexo tem leituras diferentes. Recordo-me de há alguns anos ler uma notícia que relatava que a natalidade estava a diminuir no Japão porque os jovens imitavam o que viam nos filmes pornográficos, ou seja, ejaculavam fora da vagina. Hoje, passados poucos anos o problema vai mais longe e as noticias relatam que os japoneses preferem namoradas virtuais e/ou perderam mesmo o interesse pelo sexo ao que chamam de “síndrome do celibato” .

 

Também o que hoje achamos como homossexualidade e abuso de menores já foi normativo na sociedade da Grécia Antiga. Para estes a mulher existia apenas para a reprodução ficando o prazer sexual reservado aos homens, entre os homens. Segundo Kenneth Dover existia uma relação em que o mais velho e de maior status social seria o activo ao passo que a posição passiva ficaria reservada ao mais jovem e/ou de mais baixo status social. Era praticada a pederastia onde um sujeito de mais elevado status tomava a seu cuidado um jovem adolescente. Ao mais velho competia educar e proteger o mais jovem. A sexualidade fazia parte desse processo.

 

Hoje todos consideramos que a Grécia Antiga foi um marco de elevada importância para o nosso modelo social.

Conclui-se assim que podem existir pessoas que são homossexuais por opção ou por estarem num contexto facilitador para a homossexualidade ao passo que outros, independentemente do contexto já o são antes deles próprios se aperceberem.

O que me preocupa é a homofobia.

O que me importa a mim ou a outro qualquer cidadão quem é que cada um leva para a cama ou partilha sentimentos?

Um casal homossexual tem para mim tanta relevância como o casal heterossexual que mora no apartamento do lado. É-me indiferente!

É-me indiferente que esse casal do prédio do lado esteja agora a praticar sexo, é-me indiferentes as suas preferências sexuais, se usam a posição do missionário, se gostam de sadomasoquismo, se fazem swing, o que comem ou o que bebem. A liberdade deles começa da porta deles para dentro tal como a minha. A minha liberdade em espaço pública aplica-se a todos, ou seja, não pretendo ver nem heterossexuais nem homossexuais a praticar sexo na via pública (sendo que já vi ambos os casos…).

Mas se a vida dos outros nos é indiferente e se até pretendemos que os outros respeitem a nossa privacidade e liberdade, porque é que existem indivíduos de sobranceira moral sempre a interferirem com a vida dos outros como se falassem de uma colonia de formigas?

 

Porque é que há gente que critica o outro ou porque é homossexual, ou muçulmano ou seja lá o que for de diferente da nossa sociedade estandardizada?

Quando assumirmos a expressão “vive e deixa viver”, perdemos o motivo para metade das guerras e para muita da violência a que assistimos. A outra metade reporta ao dinheiro mas essa é mais complexa de solucionar…