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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Assimetria Positiva Nada Positiva.

Tudo o que existe na natureza procura sempre o equilíbrio quer físico quer químico. O nosso corpo leva o dia e a vida numa busca constante do equilíbrio. Por isso, depois de um bacalhau salgado bebemos abundantes quantidades de água para repor o equilíbrio de sódio.


Quando olhamos para a nossa sociedade descobrimos a mesma busca por um equilíbrio. Sempre que se forma uma força dominante que não representa o equilíbrio, formam-se por oposição forças que tentam reequilibrar a sociedade. Quanto mais extremada for a posição dominante, mais extremada será a força de oposição que resulta normalmente em revolução.


Não é portanto de estranhar que forças dominantes de centro consigam perdurar durante mais tempo e com menos convulsões sociais.
Mas neste momento, ainda que as forças dominantes no campo politico se digam ao centro, a verdade é que promovem um enorme desequilíbrio económico e por consequência, quanto maior for esse desequilíbrio, maior a oposição.
Uma sociedade funcional é simétrica e com uma distribuição normal.

figura 1 (distribuição assimétrica)

 


Neste momento temos uma sociedade assimétrica em que a classe média, que deveria ser a maioria, tornou-se num objecto residual e em que o salário médio nacional vale tanto com a piada de estatística: “em média cada um de nós os dois tem 1 frango. Eu tenho dois e tu não tens nenhum…”.


Em termos simplificados o Estado Social é aquele em que os que mais podem mais contribuem para salvaguardar a existência em dignidade dos que menos podem.
Se olhamos para o gráfico na figura 1, que representa uma distribuição normal simétrica, consideremos que em 0 (zero) é o ponto central da moda, ou seja, onde há mais indivíduos. Este gráfico, se verificássemos o vencimento dos sujeitos em zero, encontraríamos o salário médio nacional porque a distribuição nos diz que existem tantos sujeitos com vencimentos abaixo da média como sujeitos acima da média. Se os impostos fossem lineares seria fácil perceber que a metade dos indivíduos acima da média facilmente colmataria a metade à esquerda, acima da média.


A minha esquerda procura precisamente isto, um equilíbrio. Não procura acabar com a iniciativa individual nem acabar com empresários nem com empresas sejam pequenas, médias ou grandes. Não entendo sequer o sentido que faz falar em lutas de classes e faz-me tanto sentido falar de burguesia como o bobo d’O Alto da Barca do Inferno de Gil Vicente que morre de cagamerdeira.


E dito o que é a minha esquerda, passo a demonstrar graficamente o que tem sido promovido pela direita politica nacional, pela troika e pela Comissão Europeia.
O anterior Governo, seguindo a sua ideologia promoveu medidas que desenvolvem uma distribuição de indivíduos de modo assimétrico.

figura 2 (q1 identifica a moda, ou seja o maior numero de individuos, q3 identifica a média)

figura 3 (estes dados demonstram numéricamente a assimetria positiva. Copiada do blog 365forte)

 

 


Considerando como referencial o salário médio nacional encontraremos uma distribuição assimétrica positiva, ou seja, a maioria dos indivíduos encontram-se na posição à esquerda da média, abaixo da média.
Isto quer dizer que a moda é abaixo da média e que é preciso um número muito baixo de indivíduos a receber salários muito acima da média.


Este modelo ideológico não consegue sustentar o Estado Social porque a maioria já está na posição que deveria ser ajudada pela metade acima da média e seria preciso aumentar tanto a carga fiscal para a metade acima da média que essa parte da sociedade teria tendência a desaparecer. Em termos teóricos isso faria com que o gráfico voltasse a ganhar simetria mas com resultados muito negativos para o país.
Ideologicamente acabar com esta parcela da sociedade faz parte da génese comunista mas durante estes anos de austeridade pudemos ver resultados práticos deste evento quando grupos económicos e indivíduos começaram a sair dos países onde a carga fiscal subiu para esta parcela da sociedade.
Não é assim fácil equilibrar a sociedade mas não é impossível.


Existem medidas que facilitam muito este processo e a primeira delas é diminuir drasticamente o desemprego. Ao diminuir o desemprego a procura diminui e os salários forçosamente sobem e porque um sujeito com um salário baixo com alguma facilidade encontrará um emprego mais bem remunerado.


A segunda medida que reforça a primeira é aumentar o SMN para um valor mais próximo da média nacional. Directa e indirectamente esta medida irá aumentar o comércio interno sobretudo nas PME que acaba por diminuir o desemprego.


Outra medida passa por uma forte tributação nos rendimentos que não resultem do trabalho, sobretudo na Bolsa de Valores. A Bolsa de Valores não passa de um jogo de casino que serve para enriquecer sem fazer nada e, quando corre mal, dar cabo da economia de um país.


Não existe outra forma de olhar para uma sociedade livre de convulsões. Podem existir muitas medidas e muitos caminhos para lá chegar mas qualquer desequilíbrio pronunciado acaba numa revolução tão violenta quanto o desequilíbrio.