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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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"Às Vezes a Mulher Merece Ser Agredida"

 

 

"Às vezes a mulher merece ser agredida"

Este é o titulo de uma noticia na SIC Noticias sobre um estudo realizado pela ONE em Marrocos.

“Um estudo realizado em Marrocos pela ONU Mulheres revelou que 38% dos homens, e 20% das mulheres, concordaram em que, "às vezes, a mulher merece ser agredida" e 62% daqueles, bem como 46% destas, consideraram que "uma mulher deveria tolerar a violência para manter unida a sua família".

 

Atropelos à liberdade são para noticiar, seja lá onde foram/são feitos.

Ainda assim, a primeira imagem é que a noticia transporta algo de “natural” num país muçulmano e africano. E a imagem selecionada pela SIC reforça o estigma.

 

Só que não.  Noticia recente, 15 dias antes desta, diz-nos o seguinte: “Violência no namoro atinge 56% dos jovens”: “Outro estudo feito a universitários mostra que mais de metade já foi vítima de violência e 37 por cento já a exerceu.”.

 

É certo que os estudos não fazem as mesmas questões. Um pergunta se concorda ou não, o outro se foi vitima ou agressor ou não.  No entanto os números não são assim tão diferentes por que o primeiro tem um valor mais elevado, mas é uma declaração de intenções e engloba quem está na posição de vitima. Em Portugal 37% ASSUME que já exerceu alguma forma de violência.

Não consta que o problema seja religioso porque fosse esse o caso, os valores entre Portugal e Marrocos seriam bem diferentes, entre Portugal e outros países da Europa, muito mais aproximados.

Na verdade, só é relevante encontrar a origem do problema se de alguma forma isso ajudar a resolver a questão.

A questão resume-se ao poder e à posse. Ao poder sobre a posse. Só que já diria o velho sábio João Pedro Pais que “ninguém é de ninguém, mesmo quando se ama alguém…” e recordo-me de ver num filme a frase “saber amar é saber deixar partir”.

Não há posse de um individuo sobre o outro, talvez seja mesmo o oposto. A relação saudável é a arte de dar.

O meu avô morreu há 9 anos bem medidos e muito antes disso, disse uma vez que se porventura a minha avó morresse primeiro, ele iria logo depois. É a certeza de que não se tratava de ter, mas de não ter a quem dar, ou de dar o que tinha a quem sempre deu, porque assim o quis.

 

 

 

Portanto, Portugal não é diferente, infelizmente, de outros países que aos nossos olhos tendemos a olhar com sobranceria. Temos de nos melhorar e ajudar outros a melhorarem.

Uma pessoa não é um bem que alguém se aproprie, independentemente da sua idade, género, orientação, religião, melatonina. Não se tendo posse, não se prende nem se estraga. Ou aceita, ou não sendo o caso, cada um segue o seu rumo. Já o outro dizia que “chapéus há muitos, seu palerma”.

A mulher às vezes merece ser agredida? Epá, não.  

A tua parceira ou o teu parceiro não se enquadram nos teus desígnios? Muda. Para cada panela há uma tampa que se ajusta. Não estragues a tampa de outra panela.

O teu parceiro ou parceira teve atos de violência? Parte para outra. Abriu-se um precedente e um dia fazes parte das noticias do CM. E não, não há nenhuma desculpa válida nem de quem praticou a violência nem de quem a desculpabiliza.

“Entre marido e mulher não se mete a colher”. E não mete. A colher usa-se na cozinha nos pratos, tachos e panelas. Violência é crime publico, não é culinária. Se assististes a violência domestica ou selvagem, comunica com a autoridade competente. E se tens medo, arranjo-te um cão. Nem precisas comprar.

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