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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

As palavras proscritas

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O inesperado da escrita tem quase sempre algo de previsível. Nada de verdadeiramente original se escreve ou diz.

O experimentalismo assusta e mete muito medo aos possiveis experimentadores. O desconhecido é sempre temido. A escrita gera medos e estes, espelham a nossa consciencialização e as nossas interpretações de alguns receios, infundados, ou não. A sua exorcisação requer a passagem pelas práticas refexivas, sobre as essencialidades e a conceptualização de pensamentos e linguagens comuns.

A binariedade ente o certo e o errado, os juizos moralizantes e as dúvidas, estão a capturar os nossos desejos de normalização e a nossa sanidade mental. A legitimação de questões adjacentes, a nós mesmos, assim como a ratificação de algumas escritas, ou linguagens, estão a produzir discursos ambiguos, impercetiveis a muitas gentes.

As descrisões, por vezes, tornam-se mais apeteciveis que as causa.

Toda a escrita se confunde com as identidades, com as verdades e com as aprendizagens. Quando surgem crises identitárias, um dos seus primeiros reflexos é nos dado pelo o que os escritos nos dizem. Começam por surgir verdades, inverdades e pós-verdades, que se dizem e desdizem; as identidades fundem-se em controversas e em obscuridades e as aprendizegens refletem as crises sistémicas, que em nada beneficiam os aprendentes.

Ao encaramos a escrita como uma transposição do pensamento, como um exercicio de diálogos, permitimos incorporações, com ligações unicas, em que os agenciamentos e as performances ocupam lugar de destaque.

O devir acontecimental está a formatar-nos, e nós deixamos que tal aconteça, evitando a construção de pensamentos na diferença.

A dificil "arte" da intertextualidade, tão pouco praticada e tão dificil de exercitar, contribui para a profanação de alguns leitores que mereciam ser mais informados.

As palavras que já deviam ter prescrito, começam a retomar significado, recriam-se e cheias de vitalidade evocam causas que, há muito, deviam estar irradicadas.

Necessitamos "construir paisagens" e não nos limitar-mos a ser simples reprodutores. 

Isto tudo para não falar do novo Panteão da buçalidade instalado em Washingtom D.C.