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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Ao Sabor da Maré

Os últimos tempos não têm sido fáceis para a nossa democracia. Há quem diga que a vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor. Partindo do princípio que não existem países vazios de suas gentes, não percebo como isso pode ser uma boa notícia.

Esse é o principal enigma que a actual coligação terá para resolver. O de explicar a todos como é que, em sua opinião, o país está melhor que em 2011 mas as pessoas passam ainda maiores dificuldades. E aí o povo deve preservar a memória recente. Relembrar as agruras que tem passado. Não mais se deixar embalar com o discurso da culpa, do viver acima das possibilidades, da necessidade de empobrecer… 

Ir na corrente desta história é aceitar a promessa de que numa próxima legislatura a coligação de direita trará um futuro dourado. Da cor dos vistos. Mas não dos vistos da recente classe emigrante, que desesperançada deste país, procura lá fora o seu futuro. Esses vistos são cinzentos, nublados. E essas pessoas não pedem nada por aí além. Tão-somente uma oportunidade. 

Deixar-se ao sabor da maré é também esquecer os cortes nos salários e reformas, os brutais aumentos de impostos, a precarização laboral, as dificuldades de acesso à justiça, as falhas na saúde, o desinvestimento na escola pública e na cultura. Apenas para falar em alguns pontos deste ciclo que se encerra. 

Por tempo demais andámos ao sabor da maré. Devemos todos relembrar quem tem desbaratado o que vinha a ser arduamente construído desde Abril. É tempo de remar contra a maré. Ousar escolher diferente, pois é possível fazer melhor.

 

Areia Branca, 2 de Setembro de 2015