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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Angola Ameaça Portugal

 

 

 

Em 2007 Pedro Mantorras, na altura a promessa de um novo Eusébio no Benfica,  foi apanhado por uma fiscalização a conduzir com carta de condução angolana já caducada em 2006 e que, para alem disso deixou de ser válida para circular em Portugal por revogação do convénio com os PALOP.

A resposta de Luanda não tardou e nos dias seguintes os portugueses em Angola deixaram de poder conduzir com carta portuguesa.

Poderemos dizer que seria uma medida de igual proporção, e foi, mas o timing diz-nos que foi uma resposta em vingança e não como algo ponderado e legislado em consonância com algum tipo de critério.

A liberdade e a democracia não abundam em Angola, uma revolução que tornou numa máfia a que podemos chamar de oligarquia um clã que defende os seus mesmo quando isso penaliza o país.

Esse é o caso mais recente entre Portugal e Angola.

Manuel Vicente, vice-Presidente de Angola está envolvido num caso de corrupção ao a um procurador pelo encerramento de duas investigações sobre branqueamento de capitais.

Com base neste caso de corrupção a PGR levantou um processo contra Manuel Vicente e não contra Angola.

José Eduardo dos Santos e o Governo Português deveria ser o primeiro a querer ver apurados factos se fizessem parte de um Governo honesto. Mas não fazem e um dos membros do seu clã sendo atacado a sua defesa é “Angola”.

Angola passa a ameaçar Portugal para defender Manuel Vicente.

Ontem apanhei um comentador na Antena 1 a dizer que o problema é a morosidade dos processos judiciais em Portugal porque presume-se inocência até prova em contrário e consequente condenação. Tem razão. Mas passamos a ter uma justiça secreta da qual só sabemos o resultado final? Não me parece que esse seja o argumento.

Gostava de ser benevolente com o Governo Angolano e até com Manuel Vicente. Gostava de ter uma palavra em sua defesa. Mas não tenho. Não acredito na democracia angolana nem na existência de liberdade.

José Eduardo dos Santos transformou Angola numa empresa que serve apenas para lhe dar lucros a si e aos que ele acolhe à sua volta.

Desta feita a PGR afrontou o clã e a resposta, como sempre, foi em tom ameaçador para ignorarmos os factos senão as relações azedam.

António Costa defende-se pela separação de poderes e por hora deixa a coisa andar a ver no que dá. É preciso ter em mente os portugueses que vivem em Angola e no comercio que fazemos com os angolanos. Mas não me parece de todo correto abdicar de se fazer justiça porque um homem, que calha ser de um “Governo” está envolvido num processo.

Se a justiça for cega como dela se espera, este processo irá em frente porque a democracia não pode em tempo algum vergar perante as ameaças de mafias, terroristas, oligarquias ou clãs.

Reciprocidade Angolana