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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Algemou-os e deu-lhe um sermão (não eram peixes)

 

 

Na vida há o esperado e o inesperado. É esperado que todos os dias o sol nasça, é inesperada a visita de um extraterrestre. São naturais sismos em determinadas zonas do mundo, aqui onde moro, tirando aqueles pequenos abalos que a maioria não sente, aqui não são naturais.

E é nesta coisa do que é esperado e não esperado, do que é normal nuns sítios, mas não noutros, que tropeço numa noticia da TVI.

Ora desta feita, policia é filmado a dar sermão aos presos. Tinha tudo para ser um “apanhado” ou um “e se fosse contigo”, mas aparentemente é uma noticia. E isso preocupa-me.

 

Vivemos num país laico e o brasão da PSP tem o lema “Pela Ordem e Pela Pátria”. Devo já dizer que sou mais favorável ao da GNR “Pela Lei e Pela Grei” enquanto grei reportar à sociedade.

Ora pregar não faz parte da ordem, nem da pátria, nem da lei, sendo alias contra a lei. Sendo que a constituição promete igualdade independentemente do credo, se um agente da policia se mete a pregar uma confissão enquanto exerce a sua profissão, então este é tão criminoso quanto os que são alvo do seu sermão. É um crime anticonstitucional e pode ser até considerada violência, é abuso de autoridade.

Nada contra a sua crença. Por mim, enquanto não está ao serviço da PSP, pode ir dar catequese, pode ser beato, passar o tempo na igreja. Enquanto agente da autoridade da República Portuguesa, não.

Esperava isto na idade média, esperava isto num país que confunde Estado com religião, esperava isto de um Daesh.

Da Policia de Segurança Publica portuguesa, não esperava.

A conduta não é correcta, mas não quero aqui pedir uma punição exemplar. Pode ser violência, pode ser o caminho errado, pode ser abuso de autoridade, mas em ultima instancia, o agente pede que os que ali estão presos, deixem a vida do crime.

Peço eu, a este e a outros agentes, que dêem sermões quando for preciso, que tenham uma atitude correctiva e não punitiva sempre que for possível, mas não usem a religião como recurso ou argumento.

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