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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Adeus a Mário Soares

 

Nasci depois do 25 de Abril pelo que não senti na pele nem os dias em que me pudesse faltar a liberdade, nem senti passar pela garganta o primeiro grito de liberdade.

Apesar disso a distancia não era grande e olhando para trás consigo lembrar-me de muita gente que evitava entrar em grandes polemicas politicas com um aparente receio de algo que na altura me escapava.

Em casa dos meus avós, quando o bochechas falava, não se podia abrir a boca. O meu avô encostava a mão à orelha direita para não perder pitada do que se dizia na caixa mágica.

Naquela casa Mário Soares era considerado herói, noutras é ainda hoje, dia que nos deixa, considerado um poço de defeitos.

Mário Soares não é filho de lavradores, nasceu antes em casa de gente de prestigio e só por isso, num país em que ser doutor ou engenheiro era coisa para poucos, já era meio caminho andado para se destacar fosse no que fosse, fosse em que ideologia fosse.

Passou pelo PCP, fundou o PS.

Ser-lhe-ão conhecidos e reconhecidas virtudes e defeitos. Quem se coloca em posição de escrutínio popular, sobretudo numa posição de liderança, é sempre alvo de maiores criticas e maiores invejas.

Não será uma figura tão heroica como alguns querem fazer parecer nem um vilão tão monstruoso como outros o querem pintar, pelo menos eu assim o vejo.

Sei, no entanto, que é um dos protagonistas principais desta nossa democracia, desta minha liberdade.

É esta democracia e liberdade que apesar de muitos defeitos nos tem permitido viver um pouco à margem das fragilidades de outras democracias, onde até ver não temos embarcado em extremismos nem promovemos o extremismo dos outros.

Independentemente de todos os erros e ingerências que possam ter acontecido não posso deixar de agradecer ter dado a cara quando era preciso pela luta pela liberdade e democracia, a social democracia.

 

Adeus Bochechas, até um dia.