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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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A velocidade dos Estados é um estado de espírito

 

 

Há cinco dias atrás, escrevia eu sobre a poluição no Rio Tejo.

Ontem, no jornal Publico.pt, um artigo diz o seguinte: “Na quarta-feira, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) concluiu que as descargas das empresas de pasta de papel a montante do açude de Abrantes, onde há uma semana foi detetada uma grande mancha de espuma, tiveram um “impacto negativo e significativo” na qualidade da água do rio Tejo, que resultaram num acumular de carga orgânica. A agência detetou níveis de celulose “cinco mil vezes” acima do normal.”.

 

Não há duvidas nenhumas, o rio está poluído. Não há duvidas, sabemos que há culpados. Não há duvidas, sabemos que as instituições publicas só não ignoram o óbvio porque as redes sociais e a comunicação social ainda não largaram o tema. Esperam por outro tema emocionante…

Bom, na segunda entrei num táxi em Zurique e das primeiras coisas que o senhor me disse foi que o clima estava mudado. “estamos no fim de janeiro e não há neve. Por esta altura tudo devia estar branco, e nada…”.

A viagem ainda demorava um pouco e o excesso de tempo disponível é propicio à conversa de cerejeira. Não sei bem o motivo, mas a determinada altura dizia ele que nos tempos livres pescava. Está quase na idade da reforma e pretende andar por aí a pescar. Tinha a ideia, errada, que pescar em Portugal era coisa cara.

Bom, na conversa do peixe, e no meio das indicações turísticas, dizia ele que o peixe no lago Constança estava cada vez menor. Nas margens, toda a água passava pelas estações de tratamento e com a falta de matéria orgânica, o peixe não tinha forma de se alimentar o suficiente para crescer. A água do lado pode ser bebida diretamente de lá porque não faz mal, dizia ele.

O lago é partilhado por três países e zelam tanto por ele que acaba por ser demais. Tornam-no estéril de tanta limpeza que lhe fazem. ´

Por cá, as fabricas não querem saber, as instituições que tutelam o ambiente e os rios, não querem saber, a presidente de Camara de Abrantes diz que uma coisa com décadas não pode ser resolvida de um dia para o outro, o Governo não quer saber, e é preciso um punhado de pessoas irredutíveis a publicar constantemente os atentados, é preciso um mar de espuma poluente invadir o rio e ser partilhado e repartilhado nas redes sociais, para se tornar tema e se dizer “agora é que vai ser, agora é que vamos resolver o problema”.

 

Fico irritado quando dizem que Portugal é um país atrasado.

Atrasado não é o país, é quem o governa e mais do que estes, quem os elege.

Aquela velha máxima do “são todos iguais” para depois servir de desculpa para as nossas frustrações populares quando todos iguais somos nós os que os elegemos.

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