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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A suspensão da individualidade

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Vulgarmente tentamos encontrar nos outros aquilo que nos identifica. Ou melhor, projectamos a nossa personalidade em outrém, firmes de que as restantes pessoas pensarão como nós. Nada mais errado. Até porque existem cada vez mais pessoas interessadas em abdicar da sua individualidade a troco de uma subida na escala social. O lugar-comum de que as pessoas são todas diferentes parece começar a desvanecer. As modas e tendências sempre foram apanágio disso mesmo. Mas agora falamos na uniformização das características e formas de estar. Uma espécie de formatação do indivíduo.

 

A frontalidade e a coerência (para com os outros e para connosco) são característricas cada vez mais raras. A conivência com o status quo abre portas para oportunidades que de outra forma dificilmente surgirão. A tal escalada social permite um desafogo na vivência quotidiana maior. A contrapartida é abdicar de muitos dos nossos princípios; deixar de defender aquilo em que acreditamos; por de lado o que nos define; deixar de fazermos sentido...


Valerá a pena renunciar à nossa essência em troca de um carro mais potente ou de uma férias nas Caraíbas? É uma questão de perspectiva e de coluna cervical. Até agora nunca estive disposto em penhorar a minha dignidade. E, pelo que me conheço, dificilmente colocarei no prego aquilo que sou.


Montijo, 16 de Setembro de 2016