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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A liberdade das pequenas coisas

 

 

Sol, frio, cerveja, vinho, fish and chips. Três dias curtos, numa cidade europeia, três dias de liberdade numa Europa assustada e perseguida pelo medo. Não interessa se vivemos mais ou menos atentados do que na década de 70 porque a Europa, como eu a conheci, está assustada e com medo e eu tenho medo. Medo de entrar no metro na hora errada, medo de estar num aeroporto ,medo de ligar a televisão e ouvir discursos a apelar ao ódio e a pedir que as fronteiras fechem, medo de me tornar xenófoba porque ao meu lado não está um branco com nome europeu, medo de tanta coisa. E no entanto, naquela esplanada de uma cidade europeia apeteceu-me viver. Viver sem culpas nem dramas, aproveitando o sol e a liberdade de ser turista, de viajar, de fazer parvoíces. E percebi que a liberdade é feita de tão coisas pequenas e tão grandes ao mesmo tempo: viajar sem passaporte numa Europa unida, perceber os preços todos porque a moeda é a mesma, criticar a cerveja e o vinho porque o “ Nosso” é muito melhor, rir porque benuron ali lê-se de forma estranha. Parvoíces, nada mais que parvoíces que só uma coisa séria e bonita como a liberdade permite. A minha forma de homenagear a liberdade, e todos os que se batem por ela em qualquer parte do Mundo, passa por defendê-la vivendo as pequenas coisas sem medo, sem culpas e sem pesares. Porque só quando se vive a liberdade das pequenas coisas se pode lutar pela liberdade de todos, num mundo sem medo e com tantas cores e cheiros e pessoas que vão de Bruxelas a Lahore, de Madrid a Bagdad, de Londres a Bombaim.