Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A Homossexualidade em Marinho e Pinto

 

A rádio Antena1 promoveu, ontem e hoje, debates com os partidos sem assento parlamentar.

Ontem sentaram-se à mesa os velhos partidos e hoje foi o dia dos partidos que nunca concorreram em legislativas.

Resumo do dia de ontem: Quem tem a proposta mais barbara e radical para o país? Quase todos concordaram com a saída do Euro e depois entre mortos e feridos alguém há-de sobreviver. Não foi bonito… Curiosamente o MRPP e o PNR estão carregados de pontos em comum e aparentemente pouco mais muda sem ser o penteado. Alias, o MRPP apostou no slogan “MORTE AOS TRAIDORES”.

Hoje foi o dia dos jovens partidos que poderiam ter ali a oportunidade de demonstrar algo de novo para o país. Mas assim não foi porque um par de candidatos tentaram tomar de assalto o microfone.

Mas o holofote de hoje foi para Marinho e Pinto e como sempre, pelas piores razões. Apesar de este ter dito que o seu programa estava na página oficial do PDR, a verdade é que recentemente tentei consulta-lo para conhecer o seu programa e nada por lá encontrei. Hoje, depois de dizer na rádio que ele lá se encontrava com o preciosismo de dizer quantos caracteres o resumo tinha, voltei à página e nada encontrei. A pouco mais de uma semana das eleições, muito pior que o AGIR que tem 11 páginas de bandeiras, será o PDR que não tem programa mas ataca tudo e todos com deturpações da verdade, falsas verdades apontadas a ninguém em particular e a todos em geral e as poucas vezes que aponta o dedo a pessoas em concreto o tiro sai-lhe pela culatra. Se existe gente reles e ignóbil, Marinho e Pinto é um deles.

Mas é quando se mete o dedo na ferida que ele demonstra precisamente o sujeito que é.

Um sujeito que se diz democrático, republicano e por vezes até mete o pé em ceara alheia e diz-se de esquerda (se bem que numa das ultimas entrevistas já não deu resposta), é contra a coadpção por relações estáveis por casamento ou união de facto por homossexuais.

Naturalmente que a democracia permite que este tipo de sujeitos se expresse. Eu é que não admito que ele se diga o que não é. Alias, se ele tivesse mesmo interesse em ser deputado nacional, seria candidato em Lisboa. Mas se calhar, e agora usando do seu discurso corrosivo mas pouco factual, o ordenado de eurodeputado é bem mais apelativo que o de deputado em Portugal e concorrendo em Coimbra corre menos riscos de enriquecer sem fazer nenhum como não fez até agora.

Voltemos então ao que o Sr. Marinho e Pinto ataca: diz ele que uma família é constituída por um homem e uma mulher e que a criança assim deve nascer e crescer.

Ora, segundo este mesmo pensamento, famílias em que um dos elementos do casal tenha falecido e o outro esteja sozinho, é algo de francamente errado.

Um casal que se divorciou e o filho ora está com um pai ora com outro, será menos errado mas igualmente errado.

Um casal divorciado que entretanto ambos voltaram a casar, o jovem passa a ter dois pais e duas mães… confuso hein! Estará errado ou não? Aqui tenho duvidas.

Um casal de uma família disfuncional com episódios de violência, está certo. É um casal!

Um casal que um ou os dois sejam alcoólicos ou toxicodependentes, está certo. É um casal!

Uma criança está melhor numa instituição do que com homossexuais que alegadamente vão educar crianças… homossexuais.

O Sr. Marinho e Pinto é advogado e em teoria deve saber ler leis melhor do que eu. Em teoria!

Recorrendo à mãe de todas as leis, a Constituição da Republica Portuguesa:

Artigo 12.º

Princípio da universalidade

  1. Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição.

Artigo 13.º

Princípio da igualdade

  1. 1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
  2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 36.º

Família, casamento e filiação

  1. 1. Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.
  2. A lei regula os requisitos e os efeitos do casamento e da sua dissolução, por morte ou divórcio, independentemente da forma de celebração.
  3. Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.
  4. Os filhos nascidos fora do casamento não podem, por esse motivo, ser objecto de qualquer discriminação e a lei ou as repartições oficiais não podem usar designações discriminatórias relativas à filiação.
  5. 5. Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos.
  6. Os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial.
  7. A adopção é regulada e protegida nos termos da lei, a qual deve estabelecer formas céleres para a respectiva tramitação.

 

Ora, apenas por aqui se consegue perceber um casal homossexual é, e não pode ser considerado de outra forma, igual a um casal heterossexual.

Sobre a homossexualidade em si, a questão é simples: O que é que a liberdade sexual de um vizinho pode perturbar o teu sono? Em rigorosamente nada a não ser que passes tempo demais a pensar na cama dos outros. A vida pessoal e íntima do vizinho diz-te tanto respeito como a tua diz respeito aos teus vizinhos.

Quanto à coadpção por casais homossexuais, temos de considerar vários factores práticos e objectivos:

Um sujeito, na condição de solteiro, pode adoptar uma criança sem ter que justificar a sua sexualidade. Depois de adoptada, uma criança NÃO pode ser devolvida, já o sujeito pode assumir a sua relação homossexual e até casar-se. Portanto, é possível contornar a lei.

Existe centenas de crianças em instituições de acolhimento, que muitas delas chegarão à maioridade nessas instituições até que são colocadas fora de portas e entregues à sua sorte.

É ou não melhor ter um par de pais ou um par de mães do que não ter ninguém?

Uma criança numa instituição não tem modelo de pai ou de mãe. Uma criança órfã de pai, não tem modelo deste e vice-versa.

Todas estas desculpas só existem para camuflar, talvez a própria sexualidade do acusador e a homofobia.

Quanto mais o tempo passa mais parecido está Marinho e Pinto com o senhor seu pai…