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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A Direita Perdeu o Tino do Ensino

 

As questões sobre a cousa publica versos o equivalente privado não tem fim à vista sobretudo porque temos vivido numa rotação governamental entre a direita e a esquerda, muitas vezes uma direita ferranha face a uma esquerda moderada.

Para uma democracia que viva dentro de um Estado de Direito existem alguns serviços que não podem ser delegados a terceiros ainda que alguns possam coabitar com instituições privadas. É impensável partilhar competências no que toca à segurança, defesa e justiça mas podemos encarar o ensino e a saúde privada em coexistência com o público.

O que não pode existir são instituições privadas pagas com dinheiros públicos salvo raras excepções em que o Estado não consiga nesse momento cumprir com o que dele é esperado.

E é numa dessas excepções que surge a actual polémica. Em 42 anos de democracia o Estado ainda não conseguiu cumprir com a sua competência de ter uma rede de escolas e creches que dê resposta à população. Por isso tem alimentado esta ideia de que é normal o Estado sustentar interesses privados.

O argumento da direita é que o privado tem mais qualidade e maior eficiência.

Digo eu que é mentira e quando assim é, a incompetência é dos ministros que tutelam mal os seus ministérios. Depois temos bons e maus exemplos de ambas as partes. Naturalmente que a direita pega nos piores exemplos do ensino público e compara-o com as escolas mais bem pagas do país. É o mesmo que comparar um Fiat Uno com um Ferrari.

O que Passos Coelho não diz é que o Fiat Uno tem alunos que nunca conseguiriam estar no ensino privado porque para alem de não o conseguirem pagar, muitas vezes vivem em condições precárias, precisamente onde ele foi roubar fundos para aumentar a renda nas escolas privadas.

A direita perdeu o tino e não foi o de Rans, foi do ensino.

Defende o indefensável e ainda se lamenta pela voz de Assunção Cristas que a esquerda se une para defender causas que deveriam ser assumidas, não pela esquerda, por todo o seu humano. Dignidade e igualdade de oportunidades.

No regime feudal que os conservadores querem impor é natural ver D. Manuel Clemente a defender o regime privado. Alega ele que os pais dessas crianças também pagam impostos.

Esquece-se de referir que estes pagam impostos a partir de uma tabela progressiva que tem por finalidade redistribuir a riqueza dando oportunidade aos que menos podem.

Mas se são os pais que pagam impostos, a vida quotidiana das escolas não é feita pelos pais. Falamos de alunos que agora são incentivados a meterem-se numa guerra que não entendem e que muitos senão a maioria nem têm modo de comparar.

Faz-se de professores e pessoal não docente que no privado não vê cumprida a tabela salarial para que o poder feudal possa falar de “eficiência”, que vê os seus direitos silenciados sob pena de lhes mostrarem a porta de serventia, sobretudo agora que a concorrência desempregada e desesperada é feroz.

A direita conservadora e feudal que tem sempre o norte da Europa na ponta da língua para nos guiar no sistema financeiro e que Passos Coelho sempre se gabou de dizer ser bom aluno, não passa afinal de um aluno medíocre que nunca aprendeu que a norte o ensino é público, gratuito e universal.