Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A Democracia em PCP e BE (ou a falta dela)

Logo no inicio do nosso percurso escolar aprendemos algo de fundamental que por vezes queremos esquecer. Refiro-me a matemática e ao tópico dos conjuntos, subconjuntos, pertence e não pertence.

Não, não vou dar lições de matemática a esta hora, uso apenas isto para referencia inicial.

Eu faço parte de um conjunto lato: vivo no planeta terra, faço parte do reino animal, Homem. Este é o conjunto grande no qual eu não tenho qualquer diferença de qualquer outro Homem neste planeta. 

A partir daqui faço parte de uma quantidade enorme de subconjuntos que no seu todo me fazem ser único.

Um destes subconjuntos a que pertenço é o da democracia ou dos democratas. Independentemente do tipo de democrata que o outro possa ser, eu e este outro, pertencemos ao mesmo subconjunto. O que não é democrata é de outro subconjunto ao qual não pertenço.

E isto leva-me diretamente para França, para as eleições presidenciais, para a escolha da segunda-volta e para a ausência de preferência do BE e do PCP/PEV.

 

Nesta altura do campeonato todos sabemos que a esquerda foi excluída da hipótese de eleger um dos seus candidatos. Sobre Marine Le Pen e Macron. Macron é um democrata, e escuso-me até de trazer para aqui outros pontos comuns que possa ter com ele como o europeísmo, Le Pen é de extrema-direita, ou seja, não é democrata.

Macron pode ter ideias politicas e económicas que me desagradam, mas que como democrata irá sujeitar-se a sufrágio no fim do seu mandato. Com Le Pen não há essa certeza. Com o primeiro a liberdade continuará a existir tal como o respeito pelos direitos do Homem. Com Le Pen o conceito de Homem não abrange todos os Homens e alguns passam para uma categoria inferior, na melhor das hipóteses de sub-Humano.

Eu sei que a ideologia do PCP e do BE não passa pela democracia. A democracia é-lhes como uma espécie de calvário que precisam atravessar para que no fim possam implementar a sua ideologia. Argumentar que estamos a escolher entre democracia e outro regime para estes partidos não é argumento de peso porque nem eles são pela democracia.

Também sei que o PCP tem facilidade em olhar para o lado perante atrocidades contra o Homem e só se lembra de fazer barulho quando elas não têm origem na sua esfera de influencia. Se for na sua esfera, arranjamos uma desculpa qualquer e o caso fica por aí, como aconteceu com a abstenção na votação da condenação aos campos de concentração para gays.

A ausência de opção do BE, PCP e PEV pouquíssimo ou mesmo nada terão influencia nos resultados de 7 de maio, mas é um sinal claro para os portugueses o que estes partidos defendem.

Macron não seria de modo algum a minha opção da primeira volta, mas neste momento o candidato que eu teria escolhido já não está presente assim como todos os que partiram das fileiras da esquerda.

E é preciso lembrar que até Álvaro Cunhal um dia disse aos seus militantes “Se for preciso tapem a cara [de Soares no boletim de voto] com uma mão e votem com a outra”, e ainda reforça Carlos Brito do PCP na altura que Soares era um mal bem menor que que Freitas do Amaral.

A amplitude entre Freitas e Soares era bem menor do que hoje entre Le Pen e Macron e o único destes me garante a continuação da democracia é Macron.

 

Não há como ignorar um conjunto de charneira a que Macron pertence e Le Pen não. Por isso, por ser democrata, só resta apelar ao voto em Macron porque momentos de exceção pedem sacrifícios excecionais.

 

Deixo A Marselhesa, o hino francês que ilustra bem a luta que aí vem:

 

Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé
L'étendard sanglant est levé:
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats!
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils et vos compagnes

Aux armes citoyens
Formez vos bataillons
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons

Que veut cette horde d'esclaves
De traîtres, de rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves
Ces fers dès longtemps préparés
Ces fers dès longtemps préparés
Français, pour nous, ah quel outrage
Quel transport il doit exciter!
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage

Aux armes citoyens..

Quoi! Des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! Ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers
Terrasseraient nos fiers guerriers
Grand Dieu! Par des mains enchaînées
Nos fronts, sous le joug, se ploieraient
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées

Aux armes citoyens..

Tremblez tyrans, et vous perfides
L'opprobe de tous les partis
Tremblez, vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix!
Vont enfin recevoir leur prix!
Tout est soldat pour vous combattre
S'ils tombent nos jeunes héros
La terre en produit de nouveaux
Contre vous, tous prêts à se battre

Aux armes citoyens..

Français en guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups
Épargnez ces tristes victimes
A regrets s'armant contre nous!
A regrets s'armant contre nous!
Mais ce despote sanguinaire
Mais les complices de Bouillé
Tous les tigres qui sans pitié
Déchirent le sein de leur mère!

Aux armes citoyens..

Amour Sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos braves vengeurs
Liberté, Liberté chérie
Combats avec tes défenseurs
Combats avec tes défenseurs
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et nous, notre gloire

Aux armes citoyens..

Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leur vertus!
Et la trace de leur vertus!
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre

Aux armes citoyens
Formez vos bataillons
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons