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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

9-11 Foi há 16 anos, parece que foi ontem.

Há eventos que ninguém se esquece e tal é a sua dimensão que conseguimos dizer onde estávamos, com quem estávamos e o que estávamos a fazer nesse momento.

Lembro-me perfeitamente, apesar da juventude, do incêndio do Chiado.

Já adulto, sei precisamente onde estava há 11 anos.

 

 

 

Estava na Malveira, tinha acabado de almoçar e quando cheguei ao balcão do restaurante para pagar, ao olhar para a televisão, o primeiro pensamento foi “lá estão os americanos a anunciar mais um filme de calamidade”, daqueles ao estilo americano como “O dia da independencia” ou “The day after tomorrow”.

Mas naquele mesmo instante em que pensava isto, vi em directo o segundo avião a embater na torre.

Não se consegue processar grande coisa naquele momento. Lembro-me da imagem de George W. Bush a receber a noticia e a ficar como eu, congelado de pensamentos tal a dimensão do evento.

Saber que não são efeitos de estúdio, pessoas a saltar… qual a dimensão da aflição que a pessoa tem para preferir saltar para a morte certa. Edifícios enormes que se desfazem como castelos de areia à beira-mar. Um mar de gente que perde a vida numa fracção de segundo, algumas que correm umas do perigo, outras para o perigo.

 

 

 

Não gosto da politica externa dos EE.UU, agora no seu pior momento. Mas aquelas pessoas, aqueles milhares de pessoas saíram, como eu, para mais um dia de trabalho e não regressaram.

O mundo mudou e mudou muito nos últimos 16 anos. O mundo ficou com medo, algum legitimo, algum plantado por quem tem interesse que o medo vingue.

Regressar desse medo poderá levar décadas e tudo começou há 16 anos, enquanto eu pagava o meu almoço na Malveira.

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