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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Populismo no apelo ao boicote do dia 28

Andam para aí a propor boicote às gasolineiras, marcado para dia 28 de Maio.

 

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Com base no argumento do preço do combustível passam a um ataque ao Governo. É um facto que o apelo é para um boicote às gasolineiras, mas não há um único argumento sobre as margens de lucro destas.
Obviamente que sou contra palhaçadas populistas.
Como a maioria de nós tende a emprenhar pelos ouvidos, ainda que saiba da falta de cultura de leitura, passo a argumentar:
Peguei no preço médio por ano do barril de crude e dividi o preço por litro.
Peguei no preço médio do gasóleo, por litro e por ano. Peguei nos valores do crude e do gasóleo e meti-os num gráfico, com a mesma escala numa relação preço/ano.

 

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Um dos argumentos desta malta é que quando o crude sobe, as gasolineiras sobem instantaneamente, quando desce, ou não desce ou demora muito a descer.
Podemos verificar que os gráficos de modo geral seguem linhas mais ou menos paralelas. A única diferença é em 2015, último ano de mandato de Pedro Passos Coelho e depois disso, mesmo aquela ideia de neutralidade fiscal de António Costa, não cria grande diferença entre o preço do crude e o valor final dos combustíveis.

Dizem-me dai que mesmo assim o preço é elevado.
Onde podemos verificar diferenças é no rácio entre o preço de compra e o preço de venda. Em 2008 temos o preço de venda ao dobro do preço de compra, em 2015 o valor escala para quase 4 vezes mais, passando mesmo em 2016 para 4,4 vezes mais o valor de compra.

Por outro lado, confirma-se que somos dos países que mais pagamos no custo final de combustível:
1º. Islândia (1,78 €/litro)
2º. Hong Kong (1,77 €/litro)
3º. Noruega (1,72 €/litro)
4º. Holanda (1,64 €/litro)
5º. Mónaco (1,64 €/litro)
6º. Dinamarca (1,62 €/litro)
7º. Grécia (1,61 €/litro)
8º. Itália (1,59 €/litro)
9º. Israel (1,57 €/litro)
10º. Portugal (1,56 €/litro)

Lido aqui: Jornal Economico com fonte aqui: Global Petrol Prices

Bom, mas os números não podem ficar por aqui, porque estes não nos ajudam quase nada.
Recorrendo aqui ao trabalho do Eco.pt, descobrimos que Portugal, no que toca à fiscalidade, e vou seguir apenas com o gasóleo para simplificação de leitura, cobra 55% em imposto, estando em 11º da União Europeia.

 

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A média da UE é de 56,6% e a tabela é liderada pelo Reino Unido com 63,5% de carga fiscal sobre o mesmo preço do crude. Curiosamente, se a matéria prima é a mesma e ao mesmo preço, se metem mais 10% de impostos, como é que não aparecem na tabela dos 10+ do mundo?
Porque a diferença está nos lucros das gasolineiras e a esses ninguem ataca!

Porque todos os países cobram impostos. Hospitais, professores, juízes, policias, estradas… tudo isso é pago pelo Estado através dos nossos impostos. Podemos debater se os nossos impostos estão ou não a ser bem canalizados, mas isso é o que fazemos nas eleições.

Agora, este tipo de apelo a boicotes não é mais do que um ataque ao Governo.
Não, não estou a defender o Governo, estou apenas a opor-me a populistas, oportunistas, mentirosos e aos que não sendo nada disto, emprenham pelos ouvidos.

 

Obviamente que continuarei a evitar consumos desnecessários e a substituir tanto quanto possível os combustiveis fósseis por outros de outra natureza, mas não embarco em palhaçadas populistas. Nem no circo gosto de palhaçadas... 

Degredo desportivo

Aproveito o tempinho e avanço noutro tema, alias, a mesma discrepância entre Homens e Humanidade.

Para quem possa não saber, o nosso cérebro evoluiu ao longo de milhares de anos e na sua evolução, foi somando competências. O cérebro parece a casca de um caracol e na parte central da espiral moram as funções base e automáticas, no extremo da espiral temos o frontal onde se processam os pensamentos complexos como o alinhamento para o que agora escrevo.

 

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A clubite é uma inflamação algures nos primeiros estágios do cérebro. Não sei exactamente onde, mas tem de ser perto do centro dado o comportamento primário e selvagem de quem sofre de clubite.

Reparemos nas últimas semanas da existência do Sporting. O que os adeptos do futebol deviam dizer era “epá, temos de corrigir o que se passa no futebol. Sabemos que o Porto já ganhou muito através da corrupção, o Benfica tem processos a decorrer, o Pimenta Machado na altura já falava do saco azul, e agora até o nosso clube se vê envolvido nisto… temos de mudar para acabar com a corrupção no desporto!”. E os dos outros clubes deviam dizer precisamente o mesmo.

O que acontece?

“O Bruno de Carvalho não é assim tão mau. Fez um pavilhão e correu com os malandros e apontou o dedo aos benfiquistas… e os outros também roubam e mais que nós. Por isso é que ganham e nós não… “.

E os outros, que agora não são alvo das notícias CM, é rejeitar ataques dos sportinguistas e encher a net de memes.

Os jogadores levaram os entalões? É chato, mas é normalinho.

Morreu um adepto? É chato, mas acontece.

O jogador violou uma rapariga? Acontece, cenas de vedetas.

“O teu clube só ganha a roubar”

“O meu clube não rouba. Há provas? Já foi condenado?”

Os tipos da televisão promovem violências, às vezes eles próprios quase que se fazem à violência, violentam-nos com as suas presenças, os jornais vendem mais umas páginas e na próxima época tudo pior.

 

Francamente, tirando estas notícias mais generalistas que acabam por ser incontornáveis para quem se quer manter minimamente actualizado, não há grande coisa que me prenda ao futebol nem a clubes em geral que não passam hoje de alavancas de cambalacho financeiro.

 

É triste, é assim, e somos nós os culpados porque fechamos os olhos por conta de um fanatismo primário ou a tal da clubite.

Os exames de história deviam ser mais exigentes

Tenho cada vez mais dificuldades em associar Homem a humanidade. Parecem tão parecidas e uma é tão vazia da outra e talvez mesmo o vice-versa.

Muitas vezes esbarro-me com malta que empunha o estandarte da tolerância, mas depois são altamente intolerantes com os que têm outra coisa em mente e acabo por não conseguir perceber quem é quem, para alem da cor do estandarte.

 

Bom, não tenho tido particular tempo para escrever, mas amanhã terei um dia de férias e, portanto, a esta hora dou-me ao luxo de dedicar dez minutos a escrever, e sabe tão bem tirar pensamentos de dentro da caixa.

O mote foi esta foto:

 

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E o comentário que a acompanhava: “O QUE FIZEAM COM A MINHA LISBOA?”

Comentário e foto da autoria de Reginaldo Adão, um “amigo” de um “amigo” das redes sociais que agora já não é porque se há um ramo preso a uma maça doente, é melhor cortar um pouco acima não vá alastrar-se para o resto da árvore.

Bom, o tal Reginaldo entope-se de bandeiras portuguesas, adorna-se com motivos fascistas, ataca toda a esquerda de modo indiscriminado, coloca a mão ao peito com a camisola da selecção nacional ao mesmo tempo que se cobre com a bandeira dos EUA. Isto não é poesia, quem quiser, é confirmar.

Visto daqui, é só um troll que confunde nacionalismo com racismo. O tipo sabe lá qual é a sua pátria… sabe é que tem medo da diferença e depois destila racismo.

 

Voltemos, mas é a Lisboa, à foto e ao comentário. Portugal conta actualmente com 879 anos e Lisboa faz parte de Portugal há 871 anos. Antes disso, Portugal e Lisboa, foram parte integrante de muitos outros povos, tão distantes como comparar a nossa contemporaneidade com os portugueses originais. Sim, a única coisa que temos em comum é o território ocupado e o nome do país. Até mesmo a religião, que em termos de predominância era a mesma, era praticada de outra forma e se uma se encontrasse com a outra, teriam dificuldade em reconhecer-se.

Bom, voltemos a Lisboa.

Lisboa por si só já tem um nome que não é português, pelo menos a sua origem não é portuguesa. A cidade de Ulisses, e Ulisses era grego. Olissipo. Mas mesmo antes de chegarmos a este nome, já por cá havia malta a viver, e cada um que chegou, somou-se aos que já estavam.

Bom, D. Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha (“francês”), primeiro rei de Portugal, vem por ali abaixo e conquista Lisboa aos mouros. Mas ao contrário dos idiotas que comentam a foto acima, D. Afonso Henriques não manda matar os mouros. Quem não queria ficar sob o reino português era livre de partir, quem quisesse poderia ficar.

Naturalmente que os despojos da guerra são para os vencedores e quem ganhou, ficou com a zona nobre da cidade, a zona virada para o rio e para sul.

A zona pobre ficou para os mouros e por isso temos hoje a zona chamada de mouraria, como noutras zonas do país temos judiarias, onde moravam judeus.

Lisboa sempre foi um local de passagem entre o norte e o sul, um porto de abrigo para viajantes, um entreposto comercial, um centro de cultura, um porto seguro.

Quem, como este Reginaldo Adão é racista mascarado de nacionalista, é na verdade alguém que não compreende a natureza de Portugal, a origem do país, as tradições deste território.

  1. Afonso Henriques, o pai da nação, matou quem lhe fez frente nos seus objectivos militares e estratégicos, mas não matou quem não pegou em armas.

É curioso que um homem que viveu há mais de 800 anos tenha mais clarividência do que pessoas com acesso a uma quantidade insana de informação, sobretudo de história da humanidade.

Parabéns à RTP pelo Festival da Canção

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Na vida há poucas fronteiras que reconheço.

Conheço a minha fronteira que me limita temporalmente desde que nasci até que morra. Até que alguém descubra a vida eterna, é uma fronteira que partilho com todos os que viveram até este momento.

A outra fronteira que eu reconheço como tal, mas que ainda é partilhada por muito poucas pessoas no mundo e talvez demore a ser uma ideia padrão, é a fronteira da liberdade. A minha liberdade termina e começa na fronteira do ‘outro’.

O festival da canção é uma guerra diplomática disfarçada de entretenimento musical, uma guerra permanente entre quem está deste ou do outro lado da fronteira. Alias, a primeira noticia que li, no sapo magazine demonstra precisamente a indignação por Espanha não nos ter dado ponto nenhum. Com franqueza…

Uma música que parece um walkman com falta de pilhas merecia mais?

 Não estou de todo ligado a esta coisa do festival da canção desde que em Portugal temos mais de dois canais televisivos, e hoje, vejo tão pouca televisão…

E em rigor hoje também pouco vi…

De qualquer forma, quando foram anunciadas as músicas concorrentes, concedi uns minutos a escutar as canções para este ano. O youtube é fantástico nesse sentido. Posso ouvir o que quero, quando quero.

O estilo de música preferido seria da Hungria, mas se tivesse de votar, nunca votaria num país em que a democracia e a liberdade são mitos urbanos, e por isso, a escolha, para mim obvia, foi a música italiana.

Mesmo sendo português, eu nunca iria votar em consciência no ruido que os portugueses escolheram para nos representar. Desculpem, é mau e ficou provado pelas votações do publico, ainda que admire a capacidade de a rapariga chorar SEMPRE no fim da canção.

 

Bom, voltando…

Nunca pensei que Itália ficasse em 5º, sobretudo a partir do voto popular. A mensagem é de paz, contra guerras, contra atrocidades, contra um problema sobretudo italiano dos refugiados. Numa Europa cada vez mais virada para o inicio do século passado, onde o nacionalismo regressa, nunca pensei que fosse tão longe.

Ganhou Israel que levou uma galinha tipo pop Adele que musicalmente é aceitável, mas é Israel e a bandeira faz parte da equação.

Israel é um país promotor de conflitos e tem de ser condenado em todas as instâncias possíveis e imaginárias, até quando cantam. E se o consideram como uma democracia parlamentar, então o povo é co-responsável porque elege os seus líderes.

Porque é justo? O mundo não é justo e Israel não se preocupa com questões de justiça quando se põe aos tiros.

 

Quanto à organização portuguesa do Festival da Canção, eu liguei para a RTP precisamente no inicio da última música e a partir dai vi até que anunciaram a vitória de Israel. Depois tive de mudar pelos motivos que acima referi.

Devo congratular a RTP porque pareceu-me uma produção extraordinária e sendo que não tenho como comparar com as edições anteriores, os representantes dos júris dos diversos países foram tecendo largos elogios à organização, um inclusive disse que Portugal elevou muito a fasquia.

Parabéns RTP pelo excelente trabalho na organização do evento.

 

 

Fica a minha preferida: