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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Belmiro, o homem que não deixa saudades

 

 

Morreu hoje Belmiro de Azevedo.

Hoje, e até ao seu funeral, teremos um bando de personalidades a tecer largos elogios ao defunto.

Dirão que foi um grande empresário, dirão que deu emprego a muita gente, um exemplo a seguir.

 

Digo eu que Belmiro de Azevedo não deixa saudades e nem sequer vou fazer referencia ao inicio nebuloso do seu percurso de empresário.

Belmiro de Azevedo representa a degradação da condição de trabalhador, a exploração do ser humano, a propagação do trabalho no limiar da pobreza, a constante subjugação de subalternos com pressões das mais diversas naturezas, a degradação e miséria do pequeno comercio, o fim das feiras e mercados, a exploração dos agricultores para os quais a primeira safra é uma demo trial.

Havia uma personagem mitológica que era o Rei Midas. O rei Midas transformava em ouro tudo o que tocasse.

Na vida real tivemos o Rei Merdas na pessoa de Belmiro de Azevedo, pela mão do qual tudo o que tocou se degradou.

 

Temos dezenas de Shoppings e hipermercados por tudo quanto é canto onde nos alienamos da na nossa própria existência. Reclamamos que os nossos bairros estão despersonalizados e que nem os vizinhos conhecemos quando não vamos uma a nenhuma das lojas do nosso bairro.

Reclamamos que somos tratados como números, como uma galinha num galinheiro industrial, mas abdicamos do atendimento personalizado da mercearia do bairro.

Abdicamos da tradicional praça onde os produtos eram de qualidade para um produto sem sabor, estéril e quase sempre de qualidade precária.

 

A culpa é mais nossa enquanto consumidores do que de Belmiro. Ele acenou com a cenoura e nós fomos a correr. No entanto ele representa tudo o que está errado na sociedade e como tal, não posso lamentar a sua morte, não posso elogiar a personalidade nem direi que deixará saudades.

Existe um mundo futuro que eu desejo e Belmiro representa o oposto desse sonho.

Geringonça a perder peças a caminho das legislativas de 2019

 

 

… e com o OE2018 abrem-se as hostilidades para as legislativas de 2019.

Ontem estava a olhar para a página da, agora Altice, onde verifiquei que em 1989, Cavaco Silva transforma, os então TLP, em Sociedade Anónima, totalmente detida pelo Estado, para 6 anos mais tarde começar a privatizar. Em 1986 estávamos muito longe das questões dos monopólios ou da EU querer acabar com a participação do Estado em serviços estratégicos. Era só, e apenas, uma questão ideológica, mais tarde continuada por Ferreira Leite, em nome do défice.

 

E todo este enquadramento apenas para exemplificar que, se há muitas coisas que se fazem de navegação à vista, muitas outras são planeadas para parecerem navegação à vista, mas não são.

As legislativas de 2015 decidiram-se no debate entre António Costa e Catarina Martins.

Catarina Martins já trazia problemas de casa, de dentro do BE, de uma fação que queria maior abertura ao dialogo. Fora do BE, o LIVRE apelava à convergência, e não se sabia se o efeito Mortágua se refletiria ou não nas urnas. Ok, sabia. Onde estava Catarina Martins, estava Mariana Mortágua e a imprensa fazia questão de as mostrar. Se fosse do PCP seria agora que eu ia dizer “estão a ver como o BE é um braço da direita para segregar a esquerda?!?”.

 

Nesse debate Catarina Martins, bem no fim, e contradizendo tudo o que tinha dito até então, disse que havia a hipótese de convergência.

 

O PCP, tal como o BE, sempre disseram que NUNCA se aliariam ao partido que levou o país a curvar-se perante a Troika. Mas depois de um “nunca” tão irrevogável como o de Paulo Portas, não restou ao PCP seguir as mesmas palavras e assumir a possibilidade de alinhar com o PS.

 

Obviamente que nem PS, nem PCP, nem BE, queriam nada disto. (O PEV está fora disto propositadamente porque quem não se submente a sufrágio, não racha lenha).

O PS preferiria a maioria absoluta. PCP, ou o conforto de uma oposição com expressão ou uma revolução comunista. O BE, vá-se lá saber…

Tanto assim é que, ao contrário do partido do táxi, nem BE nem PCP, quiseram ministérios.

É muito giro quando criticamos e dizemos o que fazer com a carteira dos outros, mas quando temos de demonstrar trabalho, a coisa pia mais fina. Repare-se que numa coligação assim, não há hipótese de uma revolução politica e na verdade, mesmo com uma maioria para o PCP ou BE, não aconteceria. Veja-se a Grécia. E se queremos meter o Reino Unido ao barulho, fazem o brexit porque podem, o que não acontece na Grécia onde também podem tentar, mas afundam economicamente.

Se eu fosse António Costa, metia um ministério forte nas mãos do PCP, o da Ministério da Educação, por exemplo. E ao BE o Ministério da Economia.

 

 

Assim, assinaram um acordo, para a história, da “geringonça”, onde validam a existência do Governo, não o comprometem, mas também não se responsabilizam.

Tanto assim é que já recentemente Jerónimo de Sousa veio dizer que numa próxima oportunidade, não voltará a assinar acordos. O BE acaba o debate do OE2018 a dizer que António Costa não cumpre com a palavra… os mesmos que diziam que NUNCA fariam acordos com o Partido Socialista.

Nesta altura do campeonato, fazer cair um Governo que por circunstancias da conjuntura têm permitido alguns sucessos económicos, seria contraproducente para ambos. Nenhum tem uma bandeira forte que os desmarque nem têm tido nenhum papel de relevo que lhes permita subir nas sondagens ou sequer uma aproximação ao PS.

Por outro lado, precisam de fazer barulho para se desmarcarem desta governação. Isso é obvio no discurso feito ontem onde todos os que votaram a favor, cometeram o pecado do autoelogio, dando a ideia que se o Governo fosse da sua inteira responsabilidade, seria bem melhor.

Por comparação aos dois anteriores debates de OE, onde a esquerda falava quase a uma só voz, agora começam a recuperar a sua “normalidade”.

Marcelo, enquanto vai metendo uma cunha ou outra, daquelas populistas para aparecer na TV, Marcelo que vai-se metendo e opinando sobre tudo, veio a correr dizer que o Governo vai até ao fim do mandato.

 

Quanto ao Governo, esse faz questão de se atrapalhar a si próprio com discursos despropositados, descoordenados e fora de tempo. Talvez seja por ter de agradar a gregos e a troianos, talvez seja um naipe de ministros que de modo geral não se fazem acompanhar de boas equipas. A verdade é que até ver, os grandes casos acabam por ter volume, não pelo evento em si, mas porque o Governo, de uma forma ou de outra não sabe gerir a evolução dos acontecimentos. Quem tem ganho com isso têm sido os populistas, em Particular Assunção Cristas.

Se as coisas não têm sido fáceis, estou certo que não se facilitarão em 2018 e 2019. Os partidos a posicionarem-se para as legislativas e não deixarão António Costa em descanso e depois de aprovado o OE2019 será cada um por si.

A poupança com o fim dos duodécimos

Acho sempre engraçado quando a comunicação do(s) Governo(s) não se ajusta à realidade da generalidade da população.

Transcrevo aqui as palavras de Miguel Cabrita, Secretário de Estado do Emprego em entrevista à Rádio Renascença:

“É um incentivo à poupança e a haver rendimentos que são concentrados num momento do ano para que não seja diluído nos salários, desincentivando a poupança das pessoas”.

 

Esta frase seria feliz noutros países que não o nosso.

A maioria das pessoas deste país, continua a viver em condições de sobrevivência com empregos precários e salários a roçar o vergonhoso.

Dito isto, a maioria das pessoas usa o subsidio de férias e de natal para:

Colocar de parte algum dinheiro para pagar o IMI, o seguro da viatura, o ATL que é preciso pagar, pelo menos no verão enquanto os pais trabalham, mas a escola está fechada, para reparações adiadas na casa e na viatura, de outras alturas do ano quando o ordenado chega apenas, e mal, para as despesas do mês. No natal é o que sobra para comprar umas prenditas um pouco melhores para os filhos e no verão, para tirar uma semanita na Costa de Caparica.

 

Um incentivo à poupança? Poupa quem já poupa o ano todo, uma minoria.

Para a maioria, os subsídios são a oportunidade de vir à tona de água inspirar tudo quanto for possível para aguentar mais uns meses até ao próximo subsidio.

País pequeno? Não, Mentalidade Pequena.

 

 

Não sei exatamente quando aconteceu, mas Portugal encolheu e não foi na sua dimensão, foi na sua mentalidade.

Para dizer a verdade sou capaz até de fazer ideia em que momento essa ideia de dimensão reduzida se plantou: foi no momento em que deixamos de ser colonizadores, e depois disto, uma quantidade imensa de erros de projeção para o futuro.

 

 

 

Só pode porque se olharmos para a contemporaneidade, a Europa sofreu duas grandes guerras e recuperou. Espanha, aqui ao lado, ainda no meu tempo útil de vida íamos comprar caramelos a meia dúzia de pesetas e jogar numa slot machine nos cafés porque a peseta tinha menos valor que o escudo.  

Hoje dificilmente as pessoas pensam nisso.

Insistimos em ir nas carruagens de trás quando podíamos ir na frente sem grandes preocupações já que tivemos o privilegio de ficar no extremo da Europa, longe de conflitos e com estabilidade por centenas de anos.

Dirá alguém que conheço que a nossa dimensão mental está associada à religião. Bom, mas não pode ser só isso. Espanha e Itália sofreram e sofrem do mesmo mal e deram a volta por cima.

 

Não fazemos mais, mesmo os que querem, porque a iniciativa que vá para lá do café da esquina, é bloqueada pela banca, pela burocracia ou por alguém que quer tomar de assalto essa iniciativa.

Ainda ontem me falavam de alguém que pediu uma licença para abrir um negocio dentro da legalidade e, entretanto, já passaram 9 anos. Se fosse o Belmiro, 9 dias já eram demais. E historias destas conheço aos montes. Então e a licença que teimava em não sair da Camara, mas como o dono conhecia um juiz, amigo do vereador, lá se conseguiu a aprovação?

Malandro… meteu uma cunha! Bom, mas um sujeito aluga um espaço, equipa-o e espera começar a trabalhar. Ou começa de modo ilegal, como muitos, ou espera meses pela legalidade, e, entretanto, a pagar os custos. Que farias tu?

 

Mas a dimensão mental vê-se noutras coisas como é o caso das noticias. Cristiano Ronaldo apareceu na varanda da sua casa. Noticia CM. Mourinho chegou ao aeroporto da Portela, interrompe-se a emissão e Santana Lopes sente-se ultrajado (e com razão), hoje a noticia de abertura na Antena 1 reportava a um acidente com uma lancha da GNR que bateu numa rocha. Não, ninguém morreu ou ficou ferido. Não, não foi hoje, foi há dois meses. DOIS MESES!

E mesmo assim foram chatear o comandante da GNR para saber detalhes. Qualquer dia vão fazer uma reportagem porque a viatura da PSP teve um furo.

 

Mas vamos a factos:

Existem 193 países no mundo.

Em termos de território, Portugal encontra-se em 112º, em 13º da União Europeia a 28.

Áustria, Irlanda, holanda, Dinamarca, Bélgica ou Luxemburgo, ficam atrás de nós,

Em termos de população, estamos em 79º a nível mundial, em 9º na União Europeia, à frente de países como Grécia, Bélgica, Luxemburgo, Finlândia, Dinamarca ou Áustria.

No que toca ao PIB, estamos em 51º a nível mundial ou em 13º na União Europeia.

 

Bom, olhando para estes dados, não temos razões para insistir em dizer que somos pequenos porque em termos de território somos um país médio e no resto, estamos acima da média mundial, na média da União Europeia.

 

Não há duvida que com outra mentalidade poderíamos estar bem melhor. Com uma mentalidade focada no futuro, empreendedora, inovadora e sobretudo menos corrupta, estaríamos nos tops dos indicies mundiais. Mas mesmo com todos os nossos defeitos e virtudes, a única coisa pequena é o modo como olhamos para nós próprios.

 

Deixo uma tabela com idicadores acima referidos

Contra a Corrente

 

 

Às vezes não é fácil ter uma opinião sobre determinado tema, uma opinião consciente e fundamentada. Não sei se fundamentarei do melhor modo, mas estou certo que desta feita, irei contra a corrente.

Esta semana morreu uma mulher porque foi atingida por um tiro proveniente da arma de um policia.

Os portugueses em geral lidam com a policia com bipolaridade. Por um lado, pedem sempre mais segurança, por outro, a policia é alvo de odio e criticas constantes. Basta que seja uma força da autoridade para isto acontecer. Quando cumpria serviço militar, o alvo a abater era a Policia Militar e havia louvores para quem lhes desse uns cascudos e peças do fardamento deles roubada eram para nós medalhas.

Bom, mas a senhora morreu e a população começou logo a atacar as forças policiais.

Visto daqui, sou forçado a contextualizar.

Há um assalto em Almada, fuga à policia com troca de tiros e lançado um alerta sobre essa fuga com uma descrição possível da viatura em fuga.

Minutos depois há uma viatura que não respeita a ordem para parar, insiste, investe contra os policias.

A policia inicia a perseguição e a viatura continua sem parar. A policia dispara e a senhora morre.

 

Depois do jogo terminar todos sabem o resultado. Depois do jogo, todos conseguem dizer o que poderia ter sido feito para atingir um resultado melhor e diferente.

Agora é fácil dizer que as viaturas eram de marcas diferentes, mas ao abrigo da madrugada isso não é fácil, sobretudo quando o condutor insiste em não parar quieto, fugindo até.

É curioso que quando me mandam parar, mesmo sabendo que vou ser autuado, eu paro. Curiosamente nunca dispararam contra mim. Curiosamente, conheço muita gente que já foi parada, multada até e nenhum fez de alvo para a policia.

 

Tenho a certeza que depois do jogo terminado e o resultado apurado, a policia enquanto instituição não está contente pela morte e pior que a instituição, os policias que dispararam e o peso na consciência do policia que deu o tiro fatal.

Não é preciso um curso superior para se perceber que ninguém queria um inocente morto, mas é preciso contextualizar e perceber que a norma não é a policia sair a disparar atrás de alguém que não para numa operação stop. Que estava a decorrer uma perseguição a assaltantes onde já tinha havido troca de tiros.

 

Não fico feliz com o incidente nem ninguém ficou, mas se continuamos a condenar o trabalho policial, e condenar onde não há critério para alem da condenação em si, mais vale acabar com a policia e safe-se quem puder.

O culto do sangue e da personalidade

 

 

Para quem é ateu, muito gosto eu de dar exemplos bíblicos…

Em determinada altura Jesus foi até ao Monte dos Olivais e por lá se sentou. Às tantas apareceram por lá uns fariseus com uma mulher que acusavam de adultério. O objetivo era apedreja-la como mandava o Antigo Testamento de Moisés.

E Jesus resolveu a questão dizendo: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.”. Os fariseus foram à sua vida e alguém achou que este era um bom ensinamento para a vida. E é, mas ninguém o segue.

 

Este episódio demonstra a vontade que o homem tem do culto do sangue. Esse é um exemplo de muitos que podemos ler ao longo da história. Onde há um condenado à morte, há uma festa em torno do culto do sangue. Enforcamentos, decapitações, desmembramentos… qualquer morte por castigo era visionada por uma horda de gente. E se pela ideia do punidor o objetivo era fazer daquela morte violenta um exemplo desincentivador para determinado comportamento, a verdade é que o povo se juntava apenas para ver alguém morrer de forma violenta.

Não somos assim tão primitivos?

Qual é o jornal que mais vende em Portugal? Que tipo de noticias alimentam esse jornal?

Ao culto do sangue juntamos o culto da personalidade.

Temos vários exemplos contemporâneos desse processo de culto da personalidade. Mussolini, Hitler, Lenine, Salazar, Fidel, Trump, Marcelo…

É estranho adicionar Marcelo no meio de outros de outra dimensão histórica?

Marcelo está em TODO o lado.

Morreram pessoas nos incêndios? Marcelo está lá!

Morreram pessoas com doença do legionário? Marcelo está lá!

O homem mordeu o cão? Marcelo está lá!

Ninguém morreu? Marcelo vai ajudar na distribuição de alimentos aos sem-abrigo!

Não há nada de significativo a acontecer? Inventa-se qualquer coisa para aparecer.

 

E Marcelo aparece todos os dias, e se antes tinha direito a um resumo ao Domingo à noite, agora tem sete dias para comentar.

Marcelo é promotor de um maior numero de noticias do que todo o Governo junto.

Estou convicto que um destes dias aparece aqui à porta só porque sim, com um batalhão de jornalistas atrás, obviamente.

 

E destes dois cultos se alimentam as pessoas, e destas pessoas se alimentam as redes sociais.

Antigamente eram poucos os que podiam promover o seu culto da personalidade, pelo menos em larga escala tal como eram poucos a promover o culto do sangue.  Algo reservado às cúpulas do poder.

Hoje em dia isso também foi democratizado, sobretudo pelas redes sociais, e todos procuram quer encontrar sangue quer instigar a mais sangue. O culto da personalidade também se democratizou e qualquer um de nós, sobretudo se promover o culto do sangue, pode alimentar o culto à sua persona.

Descobre-se que o lado social da coisa é a disseminação em curto espaço de tempo do que posso chamar de estupidez natural.

É mais fácil eu lançar uma petição para a demissão de alguém que tenha aceite o banquete no panteão nacional do que lançar o desafio para um debate construtivo para o futuro. É mais fácil, em ultima instancia, mobilizar pessoas para destruir do que para construir.

 

Se somos os mesmos selvagens que gostavam de lapidar pessoas? Sim, lamentavelmente somos. A embalagem tornou-se muito mais refinada, mas o conteúdo é precisamente o mesmo.

Urban Beach - Uma história antiga de violencia

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O titulo da crónica é “No meu tempo não era assim” e o autor é Filipe Vaz Correia.

Não sei a idade do Filipe, mas não deve distanciar-se muito da minha e como comecei relativamente cedo…

Pessoalmente nunca tive problemas com porteiros. Não tenho espirito nem corpo para contrariar uma parede, mas desde sempre assisti a confusões na noite.

Vi rapazolas a provocar porteiros, vi porteiros cobardes a serem os primeiros a fugir, vi porteiros com a mania de serem o São Pedro nos portões do paraíso, vi porteiros porreiros e vi porteiros que bem podiam estar no zoo, na companhia dos gorilas e se calhar até estou a ofender os gorilas.

Só para situar o tempo, um dia um idiota lançou no Rock Line em Alcântara um gás de cheiro duvidoso. A discoteca ficou vazia com um tipo sozinho a dançar Smell like teen spirit dos Nirvana, todo de ganga e de braços abertos enquanto girava.

O grupo decidiu não esperar por melhorias e avançar para o Alcântara. A noite passou e no momento em que saía, em frente ao bengaleiro, um dos gorilas desatou a distribuir tareia. Não sei os motivos e enquanto um de nós queria ficar a ver, eu queria sair dali para não ser mais um.

Já cá fora, a policia procurava saber quem tinha visto o que aconteceu.

Este é só um exemplo de como “no meu tempo” já era assim.

E tanto era assim que algures no tempo, porque já eram abusadores, foram obrigados a andar identificados com um cartão emitido pela PSP.

Qual é o critério das empresas quando recrutam “seguranças”?

Certamente que o critério passa pela escolha de sujeitos que impõem a sua presença pela compleição física.

E que mais?

Há alguma avaliação psicológica para avaliar a predisposição para a violência?

Um tipo que desata aos saltos em cima da cabeça de outro, não pode ser um tipo normal e tem, certamente, um passado recheado de violência.

Dizem as noticias que no TripAdvisor existem dezenas de reclamações relativas a violência dos seguranças. Obviamente que quando aparecem imagens nas redes sociais a coisa toma outra dimensão. Mais do que as imagens, as redes sociais.

Este, e outros como este, não podem andar em liberdade. Não são homens, são selvagens. No mesmo nível coloco os dois tipos de Coimbra que fizeram algo semelhante à porta do McDonalds.

 

Mas pior que estes sujeitos é quem os escolhe e os aceita.

O primeiro culpado desta história é a direcção do Urban Beach.

Lançam um comunicado a repudiar, mas o comunicado não é para repudiar nada, é para empurrar com a barriga as culpas para a empresa de segurança, a PSG, e para o individuo.

Pior, ainda alegam que o “incidente” foi na rua e como tal, não é nada como eles, como se a questão não estivesse ligada à operação do Urban Beach.

Quem contratou a empresa? De quem é o espaço? Quem aceita ou rejeita quem trabalha no seu espaço? Quem é que não tomou medidas NENHUMAS a propósito das reclamações no TripAdvisor, de onde saiu uma peça, de um entre muitos casos, de um grupo de turistas que também serviu de descargo de frustrações?

 

Em ultima análise, são culpados por negligencia. Em ultima análise os seus comunicados são vergonhosos.

 

Depois a própria da PSG, e se aqui é a PSG é preciso dizer que o problema é generalizado, que contratam sujeitos, não pela qualidade de serviço que possam apresentar, mas pelo volume de “jarda” que usam para parecerem grandes de músculos, para terem uma aparência intimidatória.

 

E intimidam. Tanto intimidam que agora o espaço está fechado e mesmo que abra, durante algum tempo verão as receitas encolher.

 

Espero que o MP não deixe a culpa morrer solteira, ao nível dos indivíduos, porque as empresas precisam ter responsabilidade por quem contratam.