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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Que progresso tão estranho...

 

 

Às vezes tenho dificuldade em compreender o progresso como tal.

O povo precisa de um dia de reflecção depois de 4 anos a avaliar a prestação de um Governo e de 15 dias de campanha dos que querem governar.

Sem esse dia, estou certo que haveria mais abstenção e/ou o voto não seria feito em consciência.

 

Estamos numa altura de começar a proibir tudo no dia das eleições porque senão a malta deixa de votar. Vamos começar pelo futebol, mas em breve passaremos para todo o tipo de evento desde concertos até festas de aniversário. Era mais fácil colocar a obrigatoriedade e estava o caso resolvido.

 

Que progresso tão estranho…

CNE acha que abstenção é motivada pelo futebol

 

 

Ele há coisas que não lembram nem ao diabo.

Então o tema do momento é o facto de haver jogos de futebol em dia de eleições.

E qual é o problema de se realizarem jogos de futebol em dias de eleições?

Que eu me lembre o visionamento de um jogo de futebol não é um factor incapacitante e em 2013, sem nenhuma polémica futebolística relacionada às eleições, NÃO votaram 4,5 milhões de cidadãos, 48% dos que podia votar. Junto a estes mais 7% que votaram em branco ou nulos e conclui-se que mais de metade dos cidadãos com direito de voto não o fizeram.

 

Com base no drama de 1 de Outubro, o drama futebolístico, podemos considerar que o jogo dura 105 minutos (tempo de intervalo incluído). As mesas de voto estarão abertas todo o dia, das 8 às 19 horas, durante 660 minutos.  Para quem tem intenção, dará bem para votar e ir até ao estádio mesmo que venha de Bragança até Lisboa.

Mesmo assim o Estádio Alvaláxia XXI tem pouco mais que 50 mil lugares sentados, bem longe do 4,5 milhões que não votaram em 2013.

Dizer que o futebol pode aumentar a abstenção só pode ser brincadeira ou desculpa de mau pagador.

Se me disserem que a comunicação social prefere aproveitar em dias diferentes eventos que aumentem as audiências, se me disserem que os partidos não querem partilhar as eventuais vitorias com resultados desportivos…

Bom, isso é outra questão que só o facto de a ponderar já é por si só pouco ética.

O que falta é a motivação. As pessoas não estão envolvidas na cidadania e por isso, não sentem relevância do seu voto. Um “que se lixe” generalizado.

Por outro, não fazem nem querem fazer parte, nem de raspão, desse jogo politico que os políticos afamam de corruptos e entachados, e os que não o são também não fazem muito para mudar esse status quo.

 

Portanto, quando ao CNE fica muito indignada de não ter sido informada que há jogos de futebol, pede batatinhas porque não mudam as datas dos jogos, só posso concluir que há por lá adeptos de futebol e dadas as suas competências, vão perder o jogo da sua amada equipa.

Sim, porque não os vejo indignados com modalidades amadoras, nem com teatro, nem com cinema, concertos ou outro evento que se realidade naquele dia.

Assim vai este país…

9-11 Foi há 16 anos, parece que foi ontem.

Há eventos que ninguém se esquece e tal é a sua dimensão que conseguimos dizer onde estávamos, com quem estávamos e o que estávamos a fazer nesse momento.

Lembro-me perfeitamente, apesar da juventude, do incêndio do Chiado.

Já adulto, sei precisamente onde estava há 11 anos.

 

 

 

Estava na Malveira, tinha acabado de almoçar e quando cheguei ao balcão do restaurante para pagar, ao olhar para a televisão, o primeiro pensamento foi “lá estão os americanos a anunciar mais um filme de calamidade”, daqueles ao estilo americano como “O dia da independencia” ou “The day after tomorrow”.

Mas naquele mesmo instante em que pensava isto, vi em directo o segundo avião a embater na torre.

Não se consegue processar grande coisa naquele momento. Lembro-me da imagem de George W. Bush a receber a noticia e a ficar como eu, congelado de pensamentos tal a dimensão do evento.

Saber que não são efeitos de estúdio, pessoas a saltar… qual a dimensão da aflição que a pessoa tem para preferir saltar para a morte certa. Edifícios enormes que se desfazem como castelos de areia à beira-mar. Um mar de gente que perde a vida numa fracção de segundo, algumas que correm umas do perigo, outras para o perigo.

 

 

 

Não gosto da politica externa dos EE.UU, agora no seu pior momento. Mas aquelas pessoas, aqueles milhares de pessoas saíram, como eu, para mais um dia de trabalho e não regressaram.

O mundo mudou e mudou muito nos últimos 16 anos. O mundo ficou com medo, algum legitimo, algum plantado por quem tem interesse que o medo vingue.

Regressar desse medo poderá levar décadas e tudo começou há 16 anos, enquanto eu pagava o meu almoço na Malveira.