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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

António Costa desaponta com TSU

 

Hoje a minha confiança em António Costa ficou beliscada ao ouvir o debate quinzenal no parlamento.

Os argumentos que usou poderiam ser usados por Pedro Passos Coelho há dois anos atrás, uma espécie de tentativa de deitar areia nos olhos dos outros protegendo os seus com a prenda de natal de Assunção Cristas, uns óculos para míopes.

A polémica centra-se sobretudo em torno do aumento do salário mínimo nacional (SMN) e do modo como este está a ser negociado.

Há sensivelmente quatro anos atrás o povo saiu à rua depois de Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar anunciarem uma transferência do peso da TSU das empresas para o empregado. Foi a maior manif dos últimos tempos com o povo a sair à rua por todo o país que contou com o apoio de mais de um milhão de protestantes. O Governo abanou mas não caiu.

Hoje António Costa faz precisamente a mesma proposta sem que ninguém dê conta e o povo segue sereno e nem sequer a oposição parece encontrar argumentos para mobilizar e inviabilizar o intento.

António Costa propõe um aumento do SMN para 557€ e ainda que muitos tenham demonstrado no interesse que esse aumento fosse mais ambicioso, ninguém se opõe ao aumento em si.

A questão está precisamente na TSU.

Para quem hoje está no ativo a ideia de uma reforma é uma incerteza até porque ano após ano o tempo se apresenta mais distante. Não existem garantias de uma reforma tal como não existe a garantia que um próximo Governo mais à direita não volte a delapidar o Estado Social promovendo as PPR em detrimento do compromisso do pagamento das reformas pelo Estado.

A proposta de Vítor Gaspar era de trocar parte da responsabilidade do empregador para o empregado de forma imediata com base no argumento que os aumentos de impostos por si criados seriam assim aliviados o que permitiria o aumento do emprego.

Certo é que nenhuma entidade patronal contrata mais funcionários porque tem mais dinheiro. Fá-lo se tiver de produzir mais. Na melhor das hipóteses um empregador com menos carga fiscal ou fica sossegado e amplia os seus lucros ou baixa o valor da venda dos seus bens ou serviços.

O único que tenho conhecimento que contrata só para gerar emprego é Rui Nabeiro, uma exceção que confirma a regra.

António Costa propõe exatamente o mesmo que Vítor Gaspar com uma nuance apaziguadora.

Enquanto Vítor Gaspar colocou a situação numa troca direta, António Costa faz uma troca com o futuro usando exatamente dos mesmos argumentos. como essa troca não tem efeitos imediatos, o povo permanece sereno.

Nesta altura é mais fácil mascarar a descida da taxa da TSU porque o desemprego tem vindo a descer, ou seja, há mais gente a contribuir e menos gente subsidiada, mas num sistema deficitário em que as gerações não se têm renovado com uma taxa de natalidade demasiado baixa, não tardará muito para que a mascara caia.

Tal como a gestão do BES, também aqui António Costa empurra o problema com a barriga para a frente, para um tempo que talvez já não esteja no Governo. Quem vier atrás que feche a porta…

Estranhamente Jerónimo de Sousa responde com argumentos liberais alegando que esta medida irá promover o emprego com base no salário mínimo e que deveria ser o mercado aberto a definir o valor dos salários. (francamente não entendi)

Certo é que António Costa desapontou-me em larga medida e depois da reunião do PCP e do BE, neste debate da AR a geringonça funcionou de modo muito desafinado.