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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Marcelo em defesa do regime... O Grande Capital

 

Se olharmos para a historia contemporânea, a que nos é observável a partir da II Guerra Mundial, temos experienciado algumas décadas de liberdade, democracia e prosperidade aparente da comunidade. Mais adiante justificarei porque me refiro à prosperidade como coisa aparente.

A liberdade depende da democracia e esta depende da prosperidade da comunidade. Se esta desaparecer, as outras estão condenadas ao fracasso e é esse fracasso a que estamos hoje a assistir.

A prosperidade da comunidade não é mundial, é apenas de uma parte do mundo que na sua maioria é a nossa realidade e a que nos é semelhante.

E mesmo essa prosperidade comunitária é sustentada numa hipoteca que se vai renovando ao longo do tempo. José Sócrates enquanto Primeiro Ministro disse-o com clareza: “Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei".

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A verdade é que esta gestão de divida por norma sustenta-se na exploração do elo mais fraco, quem trabalha, e é gerível até ao dia em que uma crise ganhe dimensão suficiente para rebentar a bolha.

Vamos ser claros, passámos as ultimas décadas a comprar produtos onde era mais barato sem que isso melhorasse em grande medida as condições dessas comunidades e hoje estamos alarmados, depois de anos a enviar dinheiro para lá, que eles nos andem a comprar as “nossas” empresas.

O problema não é se o Governo é de centro-esquerda ou centro-direita porque a Europa tem assistido ao longo de décadas a esse vira-minhoto entre estas duas linhas, nem sequer é um problema da direita democrática ou republicana dos EUA.

O problema está noutra dimensão, na dimensão financeira governada pelos mercados e pelas multinacionais. Estas ganham tanto mais dinheiro quanto pessoas, famílias e empresas se endividarem. É a maneira de fazer mais dinheiro, de fazer pessoas e países hipotecarem-se ad eternum, e de forçar a tal gestão de divida.

A banca, seja nacional ou privada tem o papel mais importante desta governança, um perfeito intermediário entre a necessidade e a satisfação dessa necessidade.

Os últimos anos foram bem claros a esse respeito, no Chipre os cidadãos foram chamados a cobrir os prejuízos da banca de modo direto, em Espanha a intervenção da troika resumiu-se precisamente na ajuda à banca e por cá temos andado a salvar os bancos não de forma direta como no Chipre, mas através do aumento de impostos, de transferências de custos da banca para o Estado e em ultima análise, e a bem de uma aparente estabilidade, do aumento da divida publica.

Estamos neste momento com 133% de divida publica em relação ao PIB e continua a crescer, e só esse continuo crescimento é que mantem uma ilusão de estabilidade e até recuperação da crise. Mas ninguém pega muito neste aumento da divida.

Marcelo Rebelo de Sousa disse-o ontem às clara que partidos que Governam ou pretendem governar não podem fazer ondas sobre a banca. Disse mesmo às claras que a banca é o regime.

É por isso que pouco importa as atrocidades que se fazem por esse mundo fora contra as pessoas desde que o “regime” seja a favor da banca.

Os partidos que defendem que a saída do Euro e da UE são a salvação não estão a fazer nada de diferente dos partidos de extrema-direita que começam a ganhar terreno por esse mundo fora. Nenhum deles, no entanto nos diz em que medida é que o regresso do Escudo irá melhorar o nosso futuro, porque o Escudo não irá melhorar em nada, provavelmente, muito provavelmente irá mesmo piorar.

O problema é de outra esfera e dessa, como disse Marcelo, o melhor é não falar nem se atacar porque quem fala de modo diferente é contra o regime e quem fala contra o regime é radica.

Bom, a verdade é que por esse mundo fora as pessoas fartaram-se do tal regime e na falta de solução melhor e credível, tenta-se qualquer coisa diferente.

Foi assim que o Syriza ganhou as eleições gregas e por cá a malta de esquerda aplaudiu como uma lufada de ar fresco. O processo oposto passou-se recentemente nos EUA com Trump a vencer as eleições expressando-se contra o regime ao mesmo tempo que assumiu beneficiar dele.

Os norte-americanos não são tão diferentes de nós quanto isso. Não há motivo para lhes chamar de burros por terem votado Trump. Estou certo que muitos dizem como cá: “políticos são todos iguais, querem é tacho…”.

E quando o tacho deles já não resolve os meus problemas enquanto cidadão e quando já votei em todas as hipóteses que pareciam razoáveis e sem que isso trouxesse nada de novo, então é altura de votar em algo diferente.

Neste momento a grande derrotada é a democracia e com ela a liberdade, a estabilidade e a prosperidade. Para salvar a democracia é preciso fazer cair o regime da banca e os seus guardiões mantendo qualquer espécie de ideologia autoritarista e totalitarista longe do poder.

Esses são aqueles que quando não morres da doença te mantam pela cura.