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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Da ordem do Impercétivel

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Ontem foi feriado e como o tempo é pouco para ligar a tv, durante a manhã, decidi dar uma espreitadela. Devo ser muito azarada pois, só assisti a pedantices e alarvidades.

Ouvem-se comentadores debitarem disparates, assumidos ou não, verbalizarem frases sem sentido, mal conjugadas, palavras descontextualizadas...uma panóplia de disparates, transmitidos e retransmitidos, vezes sem conta.

Nas ruas, nos cafés, nos lugares publicos é frequente encontrarmos grandes déficits na expressão oral. Na escola, as crianças, possuem um vocabulário paupérrimo e muita dificuldade na narração de acontecimentos.

A iliteracia oral está crescendo, começando mesmo a revelar alguns sinais alarmantes, com o contributo dos midia.

O histroinismo cresce e começa a manifesta-se junto das populações menos escolarizadas.  Esta especie de delirio, quase coletivo, esta falta de engajamento com as regras do discurso oral, começa a gerar simbioses pouco crediveis e preocupantes.

Não sou nem nunca fui, uma purista da oralidade, nem da escrita, mas tudo tem os seus limites.Permitir que se atravanquem ideais através de oralidades duvidosas, conduz-nos a algo parecido com uma ignorância consentida.

Apelamos constantemente às nossas liberdades mas, ser livre não é fácil. Ser livre não significa acreditar no estado metafísico da satisfação. Ser livre implica agir, implica afetação à alegria, implica responsabilização. Ser livre é uma arte e um compromisso.

Mas, a liberdade de expressão está em causa quando a desinformação e a hipocrisia desconcertante, começam a fazer parte das nossas rotinas. Quando se questiona a comunicabilidade,  matando a conversação, começamos a caminhar na direção errada

É muito mais dificil produzir argumentos  de diferença do que evocar banalidades

A captura imanente do desinteressante gera espetadores mais recetivos às futilidades e à mediocridade.

Começamamos a cair na ordem do impercétivel. É como se existisse uma atração para incorporar o obsoleto; é como existir um tempo em que a existência cria obscuridades.

Urge introduzir sincronia dentro destas discincronias, é preciso fazer acontecer.