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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Acção local – o Ambiente

(Texto publicado hoje no Diário da Região)

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Os recentes acordos internacionais de Paris e Kigali (capital do Ruanda) deixam claro que o mundo acordou para a urgência ambiental. A ratificação do acordo de Paris é já uma realidade. Esperemos que a vontade demonstrada até ao momento se consubstancie na sua aplicação efectiva. Hoje é inegável que é preciso travar o aquecimento global, limitando radicalmente os gases com efeito de estufa. O objectivo, desta vez, foi quantificado; limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5ºC, comparativamente aos valores registados na época pré-industrial. Vários especialistas indicam o aumento superior a 2ºC como o ponto de não retorno, pelo que é de todo o interesse manter-nos abaixo desse limiar.

 

Normalmente as pessoas são levadas a pensar que nada podem fazer por si, para ajudar nesta causa. Nada mais errado. Existem pequenos gestos que, individual ou organizados com a comunidade local, podem fazer a diferença e contribuir positivamente para um futuro mais sustentável.

 

Comecemos pela política dos 3 R’s, ou seja, Redução, Reutilização e Reciclagem. Redução, no sentido de ter um consumo consciente e adaptado às nossas necessidades. Reutilização, tentando sempre que possível dar uma segunda vida aos nossos desperdícios ou aos objectos que deixámos de utilizar (readaptando, doando ou mesmo vendendo). Reciclagem, a última fase deste processo, através da separação dos lixos entre orgânico e reciclável.

 

Outra medida que podemos tomar é optar por comprar produtos locais, contribuindo assim para a diminuição da pegada carbónica associada aos transportes destes, desde a sua origem até ao mercado.

 

Optar pela utilização dos transportes públicos em detrimento do veículo automóvel próprio, embora sendo uma medida já amplamente difundida, continua a esbarrar em inúmeros obstáculos. Desta forma encontra forte resistência entre os cidadãos. Mas convém começar a alterar a perspectiva relativamente a esta questão. Paralelamente devemos apostar na mobilidade suave, associada à utilização da bicicleta e aos percursos a pé.

 

Estas são algumas linhas pelas quais podemos pautar a nossa conduta, contribuindo para uma maior sustentabilidade ambiental. Claro que devemos ter condições para tal. O que nos liga àquilo que deve ser feito nesta matéria pelo poder local. Mas isso será assunto para outro artigo.

 

Montijo, 26 de Outubro de 2016

Os Vampiros estão de volta

 

Hoje irei debruçar-me sobretudo em vampiros.

Toda a gente conhece o mítico Drácula, mas não serão assim tantos a saber a história que na verdade nem sequer é grande história. Vlad III ou Vlad, o Empalador estava “entalado” entre o Império Otomano e os húngaros naquela posição de tentar agradar a gregos e troianos.

Usaram-no como herói na luta contra os turcos sei que se saiba muito bem como morreu.

Para a historia fica o modo como tratava os seus prisioneiros, empalava-os e dai o seu cognome. Herda depois o nome de Drácula como é reconhecido na mitologia por via do pai que pertencia à Ordem de Dracul, ou seja, à Ordem do Dragão.

Na mitologia sempre existiram vampiros. Drácula apenas se tornou o mais famoso dos tempos modernos através do romance de Bram Stoker.

Mas o que são afinal os vampiros?

São duplamente parasitas. Alimentam-se do sangue e do medo dos hospedeiros e no processo vão convertendo alguns e novos vampiros.

Os vampiros são muito parecidos com a malta de extrema-direita. Normalmente andam escondidos em locais sombrios e só se sente a sua presença quando estão em grupo, alimentam-se do medo que eles próprios provocam e crescem tanto mais quanto mais pessoas se resignem ao medo a ceder-lhes o seu medo.

Como cantava Zeca Afonso:

“No céu cinzento sob o astro mudo

Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés veludo

Chupar o sangue Fresco da manada

 

Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo Eles comem tudo

Eles comem tudo E não deixam nada”

Segundo rezam as lendas, os vampiros são seres que seduzem as suas vitimas. A malta daquela direita faz o mesmo. Hitler prometeu o regresso do império, Salazar prometeu recuperar o poder do país, Trump prometeu revitalizar a superpotência e um pouco por todo o mundo os partidos de extrema-direita vão tentando encantar os seus cidadãos com a mesma lengalenga de poder e supremacia de uma espécie qualquer. “A culpa não é nossa, é dos outros e se excluirmos os outros e os que são amigos dos outros, seremos os melhores do bairro”

Bem sei que os partidos tradicionais têm falhado no desenvolvimento da democracia e no progresso social em nome das grandes instituições financeiras. Têm seguido sobretudo ideologias de uma direita conservadora e elitista ainda que não seja extremista. E é pela falha destes que defendem a democracia que temos assistido ao crescimento de partidos políticos de extrema-direita e extrema-esquerda.

Estes partidos são rotulados de “extrema” porque representam apenas um extremo da sociedade ignorando ou suprimindo todos os outros.

Hitler e Salazar foram eleitos. Trump também foi eleito e Marine Le Pen poderá vir a ter uma palavra a dizer sobretudo se concorrer contra outro candidato que represente apenas mais do mesmo que as pessoas já estão fartas.

E quando estas pessoas estiverem no poder?

Trump já anunciou que vai expulsar 2 a 3 milhões de emigrantes ilegais. Portugal vive há muitos anos de divisas que chegam de outras fronteiras. Teremos uma nova vaga de retornados? Como resposta e para equilíbrio de “contas” iremos nós expulsar tudo o que não nasceu por cá?

Se acolhermos estes partidos de extrema-direita a liberdade e a democracia morrem.

Voltamos a não poder falar na rua e voltamos ao tempo em que falar do futuro tem de ser em circuito fechado e com pessoas escolhidas a dedo. Presos políticos, perseguições, tortura, fronteiras fechadas, censura, desaparecimento de pessoas de modo injustificado, livros queimados, imprensa ainda mais inquinada.

As fronteiras elevam-se e o pensamento expansionista e colonizador regressa.

Um caso claro e atual reporta a uma intenção por hora verbal dos turcos alargarem as suas fronteiras. Erdogan foi claro no seu desejo de ver regressar o império otomano.

As pessoas não terão nem mais nem melhor emprego nem sequer mais qualidade de vida. Talvez nem sequer tenham direito à vida.

A malta nacionalista começa por ter um problema que é precisamente o nacionalismo. Mais cedo ou mais tarde um nacionalismo irá querer impor-se ao nacionalismo de outro. Já a esquerda não exclui a identidade, mas procura promover a colaboração e harmonia entre povos, etnias e nações.

Mas segundo a mitologia nenhum vampiro pode entrar numa casa sem ser convidado e a extrema-direita só regressará se as pessoas os convidarem a entrar.

Cabe a cada um de nós pensar e perceber quais as consequências das nossas escolhas. Trump como Presidente poderá ser forçado a moderar as suas medidas porque os republicanos não estão em posição de apostar numa jogada de tudo ou nada. Mas se as condições internacionais lhe forem favoráveis, ou seja, se a sua ideologia racista, xenófoba e imperialista se propagarem, poderemos ver uma nova ordem mundial, um regresso ao inicio do seculo passado com muita guerra e muitas mortes.

Nós ainda temos a ferramenta que nos permite evitar percorrer este caminho.

Um dia pode ser que já não tenhamos liberdade de escolha…

Fica o alerta se queremos ou não convidar os vampiros a entrar na nossa casa.

 

Entre dois males, escolho o terceiro

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 Aconteceu nos Estados Unidos e vai acontecer em França entre M. Le Pen e Sarkozy.

Enquanto continuarmos a ter de escolher entre dois males,o mal maior e o mal menor, o primeiro continuará a aproveitar-se da falta de alternativas e vai ganhando vantagens.

É como o voto útil. O voto não tem de ser útil, tem de ser consciente.

Nos E.U. ganhou um extremista pragmático a quem já ouvi chamar de aventureiro, não subscrevo. Mesmo sem possuir um pensamento estruturado cultiva a boçalidade, a idiotice e a estupidez, não o aventureirismo.

A extrema direita europeia já se congratulou, e Marcelo também.

Muitos julgam e opinam mas o urgente é fazer acontecer. Operar a partir do erro está a tornar-se demasiado frequente.

O recurso a argumentários e a escese permanente em que estamos inseridos, continua a ser o alimento do atual deserto ideológico, que vinga em algumas mentes.

Mas porque será que só se alimentam os ideais errados?

Quando os pesadelos são o devir (olhado como um gerúndio) das realidades, as alternativas não estão em escolher entre dois males, mas em encontrar o caminho certo. Esta bipolaridade que nos persegue leva muitos ao engano. As escolhas forçadas limitam alternativas crediveis.

Esta imanência ideológica que se começa a consolidar, leva-me a escrever algo um pouco paradoxal e, em que por vezes, tenho alguma dificuldade em encontrar formas lexicais corretas. Não levem os meus escritos muito a sério pois, estou permanentemente a pedir emprestados pensamentos e imagens.

Preciso reclamar o meu direito à loucura. Permitam-me escrever o que pensa mesmo que para isso tenha de inventar palavras.

Permitam-me sonhar. Sei que é diícil, mesmo transcendental ser original, mas deixem-me sonhar.

Necessito acreditar que ainda existem alternativas e, essas sim, são as corretas, são aquelas em que quero viver, em que acredito e das quais não desisto.

Perturbações

 

Nós, os utentes dos transportes públicos, especialmente os da área da grande Lisboa, conhecemos bem o substantivo que intitula este texto. Mas há mais vocábulos que nos enchem o léxico: supressão; atraso; desvio; ligação temporária... Um fartote.

No entanto, tudo acaba num pedido de desculpas pelo incómodo. Isto quando tratamos com gente educada é outra coisa. A besta do patrão é que não entede, nem é sensível a isto. Todos sabemos como chegámos a esta situação. Anos e anos de desinvestimento e gestões incompetentes nas empresas de transportes públicos.

E uma política muito duvidosa quando se equacionavam novas apostas de transporte, geralmente embrulhadas em ruinosas PPP's ou concessões prejudiciais para o erário público. Os últimos anos foram particularmente gravosos. O resultado está bem à vista. Contudo, e apesar de ser importante manter a memória de como fomos conduzidos à este panorama, aos utentes de transportes públicos interessa, acima de tudo, soluções para a sua mobilidade. Seja esta de carácter diário ou ocasional. Interessa a frequência, qualidade, acessibilidade e cobertura que os transportes públicos devem proporcionar. E, claro, o preço... Interessa muito o preço, num país com um poder de compra tão baixo.

Cabe ao actual governo arranjar uma summit*, com os órgãos locais e regionais e os agentes de transporte colectivos, para apresentar soluções para os problemas dos utentes. Apontar o dedo ao governo anterior não resolverá as perturbações causadas à vida dos utentes. *cimeira

 

Montijo, 8 de Novembro de 2016