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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Um país, duas classes

Vivemos numa sociedade de classes. Mesmo tanto tempo depois dos regimes absolutistas ou autoritários e da revolução industrial continuamos divididos ente capital e proletariado, patrões e trabalhadores ou, como agora é costume dizer-se, entre empreendedores e colaboradores. A semântica tenta atenuar o fosso, mas este mantém-se; mais polido é certo, mas também mais profundo.

 

Surge esta reflexão na sequência das entidades ouvidas em sede de determinado assunto. Isto é, sempre que o assunto são direitos dos trabalhadores ou legislação laboral ouvem-se sindicatos e associações profissionais, bem como as confederações patronais. Mas quando o assunto é legislação ou normas fiscais empresariais, tal já não sucede. Nunca, ou raramente, são ouvida as instituições ligadas aos trabalhadores.

 

Então, mas não serão os trabalhadores parte activa do sucesso e lucros de uma empresa? Não será a mão-de-obra indispensável para o desenvolvimento e crescimento das companhias?

 

A resposta só pode ser afirmativa. E se assim é, a nossa comunicação social deve habituar-se a procurar o contraditório em toda e qualquer temática. Mesmo que o público não goste; mesmo que o patrão não queira. Essa maturidade social é fundamental para o nosso progresso como comunidade. Em democracia é essencial ouvir as partes para estabelecer consensos, mas também para construir opinião. No intuito de edificar uma sociedade mais informada e também mais evoluída.

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Montijo, 9 de Outubro de 2016