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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

A política como motor da mudança

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A política não pode, nem deve, ser apenas a arte do possível, como muitos advogam. À política cabe o papel maior, de ela própria, moldar a realidade, participando activamente na sua construção e imprimindo um cunho progressista, que atenue o fosso entre classes, caminhando para o esbatimento destas, e que promova uma igualdade efectiva no acesso às oportunidades.

 

Tal não significa o crescimento eterno preconizado pelo modelo capitalista, base de um neoliberalismo feroz, que delapida recursos naturais e promove desigualdades. A solução está num novo modelo de desenvolvimento que aposte na redistribuição da riqueza existente, bem como na pré-distribuição, e na descarbonização da actividade humana. Uma economia de menor escala. Uma aposta na actividade local. Criar novas formas de interacção e troca comercial, mais cooperativas e menos competitivas.

 

À política cabe, no quotidiano, bater o pé ao modelo de desenvolvimento forçado pelos interesses corporativistas. E criar um caminho alternativo em harmonia com o meio-ambiente e no respeito pela natureza e pela dignidade humana. Dizer basta aos que dizem que a realidade sempre se impõe. Porque esta realidade urge ser alterada. Porque esta realidade carece de fundamento ideológico; de princípios éticos, de urbanidade. Precisamos de uma realidade que respeite a humanidade e o planeta que a mesma habita…

 

Que a política seja o motor desta mudança essencial. Se necessário for, que se crie uma geringonça para esse efeito. Que se conciliem opções; que se consensualizem opiniões. Lembrando que as possibilidades são infinitas quando existe vontade e querer. Mas que existe também uma urgência! É tempo arrepiar caminho. Ou amanhã será tarde demais.

 

Montijo, 7 de Outubro de 2016