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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Canha aqui tão perto...

(artigo publicado hoje no Diário da Região)

É fácil perceber o empenho do executivo montijense na solução da implantação do aeroporto complementar ao Aeroporto Humberto Delgado, para as companhias de voos low cost, na Base Aérea n.º 6 (BA 6). Esta é uma oportunidade única de lavar a face relativamente a inúmeras promessas que ficaram por cumprir desde 2002, aquando da deslocalização dos barcos para o Cais do Seixalinho. Assim de memória recordo a ciclovia e passeio ribeirinho, o parque de estacionamento gratuito, os transportes gratuitos e de diminuta pegada ecológica, a creche, o restaurante panorâmico, a circular externa... Quando o Presidente da Câmara do Montijo anuncia que entregou um caderno de encargos à ANA Aeroportos, com as reivindicações do concelho para receber os voos comerciais, chega a parecer enternecedor.

 

Convém relembrar que a ANA Aeroportos é agora detida pela empresa francesa VINCI Airoports, que de repente se viu catapultada para administrar toda a rede de aeroportos nacionais, com a experiência adquirida de gerir pequenos aeroportos regionais. Como empresa privada o seu objectivo final é, como é lógico, a persecução do lucro. Será algo ingénuo por parte de Nuno Canta pensar que a ANA acatará de bom grado investir milhões no concelho do Montijo, sem qualquer contrapartida evidente por parte do município. Porque na realidade o que se pretende é uma plataforma para receber os viajantes dos voos comerciais e imediatamente embarcá-los para a capital. Provavelmente a única obra de monta num possível investimento na BA 6 será relativa ao Cais do Seixalinho. A adaptação desta estrutura para receber mais barcos e mais pessoas e a necessária ligação ao aeroporto civil. Um compromisso mais abrangente que isso por parte da VINCI será praticamente impossível.

 

Pela notícia do dia 21 de Setembro de 2016, do Diário da Região, o Governo Central já percebeu isso. Não se trata apenas de “permitir à ANA fugir à obrigação contratual de fazer esse investimento”, como adianta a Maré Baixa dessa mesma edição. Trata-se, a meu ver, de perceber que semelhante investimento se iria limitar à escala do Seixalinho, criando um possível desequilíbrio territorial. Paralelamente a dependência brutal da comunidade em relação à actividade aeroportuária, no que seria sempre uma solução a prazo, poderiam causar passivos sociais de difícil correcção. Entremeia-se este tema com a falsa questão da Força Aérea para desviar atenções.

 

A alternativa seria, já o sabe o Governo e a Câmara Municipal, o investimento mínimo avançar por parte da ANA e toda as estruturas complementares, nomeadamente nos acessos e mobilidade, a expensas do poder central e local, com ou sem fundos comunitários. Uma factura demasiado elevada para uma solução temporária.

 

Entretanto temos Canha aqui tão perto...

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