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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

No Brexit, Vote Remain

 

Brexit, remain…

Não temos assistido a quase nenhum debate consistente sobre a possibilidade da saída do Reino Unido da União Europeia (EU), algo que pode significar uma gigante mudança não só no Reino Unido como por toda a UE. Em contrapartida sabemos através das televisões 4k quanto têm crescido os pelos do Cristiano Ronaldo e temos programas dedicados a esmiuçar o quão homossexual ele é.

Prioridades.

O Reino Unido está na EU com estatuto de vedeta e como o Cristiano Ronaldo foi-lhes concedidas regalias e ignoradas algumas rebeldias. Ainda assim são dos primeiros a demonstrar descontentamento com a situação actual.

Devo dizer que estou longe de concordar com o modelo de excepção aplicado com o RU, mas…

“Malandro, isso é injusto, let them brexit”

Se o sim ganhar na primeira hora as bolsas vão abrir em forte queda e as taxas de juro irão subir.

Nós, de braço dado com os gregos seremos os primeiros a sentir a dor das subidas das taxas de juro, das quedas na bolsa, da tal desconfiança dos mercados e o medo no investimento face a um futuro incerto.

Abre-se a caixa de pandora e no meio da crise do Brexit, da crise económica e da crise dos refugiados é quase certo que outros comecem a pensar em sair.

Entretanto os portugueses no RU passam a estrangeiros até que se legalizem. O RU nunca foi particularmente amistoso com imigrantes e avizinha-se uma crise associada à saída da UE e com ela a subida do desemprego. Nada garante que os portugueses se consigam legalizar, sobretudo a ultima vaga que partiu nos últimos 4 anos.

Com a saída do RU os cofres da UE ficam mais magros e os fundos de convergência mais criteriosos e mais difíceis de conseguir. Portugal irá sentir a falta desses fundos e a falta de investimento público irá complicar ainda mais a económica nacional.

O RU é um destino das nossas exportações. Agora as taxas aumentam e as trocas comerciais diminuem por força do aumento dos custos. Mais de 18% das tão afamadas exportações portuguesas seguem para o RU e não esquecer que o anterior Governo via as exportações como a salvação da economia nacional.

A DBRS referiu-se às questões de defesa europeias, mas essas desconsidero-as porque a UE nunca foi capaz de falar a uma só voz no que toca à área militar. Nem acredito que nem o RU nem a UE abdiquem de partilhar informações no que toca a eventuais terroristas.

Os países mais fracos economicamente serão os primeiros a sentir a falta do RU e pedirão ajuda à UE. Os mais fortes serão chamados a ajudar mais e exigirão mais austeridade em troca dessa ajuda.

Nos mais fracos porque a crise se sente mais, nos mais fortes porque têm de ceder mais, os eurocépticos cada vez terão mais tempo de antena.

O Brexit poderá ser o anúncio antecipado da morte da UE tal como a conhecemos hoje.

Na democracia temos ainda assim de aceitar a decisão da maioria e de modo algum ofereceria ainda melhores condições do que as actuais à troca da sua permanência. Julgo que é preciso que compreendam que numa comunidade há vantagens e desvantagens sendo que as vantagens são mais significativas e expressivas do que as desvantagens.

 

 

Se eu votasse, votaria “Remain” do mesmo modo que defendi e defendo a permanência da Grécia.

A meio de uma multi-crise europeia, a saída de qualquer um dos Estados-membros poderá acabar com o projecto, um projecto que precisa ser revisto e melhorado mas que na sua essência é o caminho certo a trilhar.