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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Trabalho voluntário, uma treta! Paguem-nos.

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Não percebi a polémica em volta das declarações de Catarina Martins sobre o trabalho voluntário. Não percebi as vozes que se ergueram em defesa do voluntariado com exemplos pungentes de vida e de defesa da suposta cidadania. Portanto é melhor começar a esclarecer os conceitos. Voluntariado: dar algum do seu tempo livre a uma causa cívica. Trabalho voluntário: trabalhar sem receber, com a esperança de um dia ter emprego nessa empresa/instituição ou acreditar que o trabalho vai ser essencial para o currículo. Câmaras, Ministérios, firmas de advogados, ateliers de arquitectura, entre outros, usam o trabalho não pago com total leviandade e sem qualquer impunidade. A Fundação de uma empresa de electricidade que ganha biliões e paga milhões ao seu CEO, por exemplo, não tem serviço educativo no museu da empresa porque as visitas guiadas são asseguradas por voluntários. São estes jovens voluntários que todos os sábados e domingos de manhã proporcionam aos visitantes um trabalho impecável em troca da “experiência enriquecedora” de trabalhar de graça para a Fundação EDP. Fundações, Câmaras e outros órgãos do Estado utilizam a esperança de jovens e não jovens para lhes proporcionar um “ bom currículo” obrigando-os a cumprir horário e assumir responsabilidades a troco de nenhum pagamento. Voluntariado e activismo nada têm que ver com isto . E não, não há um contrato social entre aquele que trabalha e aquele que usufrui do trabalho de graça. O que há é uma crise que não passa, um Estado que é o primeiro a dar o mau exemplo, empresas que abusam porque a regulação laboral está antiquada e não respeita as novas realidades sociais. É preciso que se legisle e se proíba o trabalho gratuito começando já pelo Estado, empresas do Estado, Fundações e empresas. E é já. Trabalho voluntário uma ova. Se é trabalho, paguem-nos.