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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Profecias apocalípticas de quem espera sentado sem nada fazer.

 

A esquerda está pejada de gente que gosta muito de escrever e de falar sobre o fim do Euro, o fim da Europa, o fim de Schengen, o fim de x, o fim de y...o fim de Bruxelas, no fundo. Bruxelas é um saco de boxe que serve para tudo, inclusive para encobrir a apatia (e, por vezes, a ignorância) destes tão estimados intelectuais. Porque giro, giro, era um dia acabarem por ter razão. Os egos são tão grandes que parece que só isso importa: fazer tudo para um dia poder dizer "estão a ver, eu bem avisei. Eu tinha razão."

 

Só que, nesse dia, será tarde para mudar alguma coisa nesta “Europa de merda” em que todos vivemos. Um dia, quando estiverem a jubilar porque “tinham razão”, vamos olhar para estes anos que estamos a viver agora e perceber o tempo absurdo que perdemos nestes pseudo debates em que a única coisa que importou foi « um dia ter razão » em vez de « vamos tentar mudar isto antes que seja tarde demais ? ».

 

Reparem, ainda vão a tempo: até agora nunca tiveram razão. Há um ano atrás, havia tanta gente a prever o fim do Euro para daqui a uma horas e, até hoje, o Euro ainda dura. Tanta gente a prever que a Grécia sairia do Euro e, até hoje, não saiu. Pior: nestes anos em que optaram pelo discurso destrutivo, nada mudou naquilo que todos mais criticamos nesta União Europeia: em vez de pensarmos em soluções, pensaram em ter razão. EU! EU! EU! em vez de UE, UE, UE!

 

Mas como os egos são sempre mais importantes do que o bem comum, um dia esta gente que “há de ter razão”, vai perceber que contribuiu em muito para o desgaste da opinião pública divulgando informação totalmente errónea sobre a “terrível Bruxelas" e os seus procedimentos: porque não têm pachorra para estudar e preferem optar pelo facilitismo do “sound byte”; porque é mais fácil ser do “contra” do que pensar no “como”.

 

Desenganem-se, amigos: a opção do inevitável não resolve nada, resulta num fomentar de ódios que, no fundo, no fundo, são os mesmos com que os Orbans, as Le Pen, os Putins e outros fascistas contemporâneos fundamentam todos os dias os seus discursos. E um dia, inevitavelmente, vocês e eles hão de ter razão - juntos.

 

Estimados camaradas, ainda vão a tempo de fazer aquilo que é preciso para um dia não terem razão – o que era, convenhamos, desejável para todos nós: pensarem já numa melhor UE e deixarem de pensar constantemente no vosso insignificante EU.