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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Dinamarca Eleva Muros aos Refugiados

 

 

Quando se fala de uma sociedade evoluída, olhamos imediatamente para o norte da Europa, sobretudo para os países da Escandinávia.
Eles parecem servir de farol para onde nos queremos dirigir.
A verdade é que a distância física e alguns gráficos permitem-nos absorver o positivo e ignorar o ruido das facetas menos positivas desses povos.
Mesmo assim, de tempos a tempos somos forçados a confrontar-nos com o seu lado lunar, aquele lado pelo qual não nos queremos guiar, antes pelo contrário, nos queremos distanciar o mais possível.
A Europa e o mundo não têm conseguido dar uma resposta funcional à crise na Síria e resultante maré de refugiados que diariamente tenta chegar ao velho continente. Na falta de resposta colectiva, os países de fronteira e países de destino final têm promovido medidas que julgam funcionar.
Para alguns países o processo passou pela elevação de muros físicos. Outros elevam fronteiras psicológicas e outros, como é agora o caso da Dinamarca, colocam barreiras à existência.
O Parlamento Dinamarquês aprovou a lei que permite confiscar até 1300 euros a cada imigrante podendo para isso revistar a bagagem. Os refugiados apenas podem trazer até si os seus filhos ao fim de 3 anos e especificamente para os sírios, estes só têm garantido 1 (UM) ano de protecção.
Em rigor, os 1300 euros servem de caução para aceder ao país, ou seja, se precisarem de algo do Estado, este já se acautelou com 1300 euros de contas pagas antecipadamente.
A partir daqui, é uma política anti-refugiados, um atentado aos Direitos Humanos. O sujeito que foge da guerra, mesmo seguindo à frente para encontrar um porto seguro, não quererá deixar a sua família directa como alvo das piores atrocidades possíveis e imagináveis. Ao dizer que um refugiado só poderá fazer chegar até si os seus filhos ao fim de 3 anos, isto é o mesmo que dizer ao sujeito: “podes ficar aqui sabendo de antemão que estás a correr sérios riscos de condenar a tua família à morte.”
O peso é ainda maior se o refugiado for sírio porque apenas lhe é garantido o estatuto de refugiado durante 1 anos, colocando-o numa condição em que desconhece a língua do país de acolhimento, terá francas dificuldades em encontrar emprego e mesmo que ao fim de 3 anos traga até si os seus filhos, sabe que não estarão protegidos.
O que os dinamarqueses aprovaram hoje está longe de ser algo de uma sociedade moderna e progressista. É uma medida característica da idade média, mais mesquinha que a lei criada por D. Manuel que pretendia expulsar os judeus ou converte-los em Cristãos-Novos quando antes tinham sido acolhidos por D. João II a troco de uns Vistos Gold de 8 ducados de ouro.
A Europa em geral vive hoje num clima de medo e tal como uma ostra, fecha-se sobre si própria ao mínimo sinal de alarme. A verdade é que fechando-se ou não, o problema não se resolve e só tenderá a ser cada vez maior se não se resolver, não o problema europeu mas sim o problema da Síria, do Daesh e de todos os movimentos extremistas que orbitam países sem regime instituído ou regimes frágeis e facilmente tomados de assalto por estes grupos extremistas.

Cavaco não é o meu Presidente!

Dia 20 de Novembro corri desalmadamente para a Assembleia da República onde já me esperava a minha gente. Não podia perder a votação final sobre a adopção por casais do mesmo sexo, não podia perder ao vivo um dia bonito pela igualdade. E se foi bonito! Houve abraços e beijos a gosto, saímos mais felizes, mais modernos, mais europeus, mais gente. E dissemos uns para os outros que agora só falta o Cavaco estragar tudo. E estragou. Cavaco Silva nunca foi o Presidente de todos os Portugueses, foi sempre o Cavaco mesquinho, pequenino e vingativo que nós já conhecíamos. Não me esqueço de que quando José Saramago morreu, o único Nobel da Literatura Português, o Presidente da República não compareceu ao funeral porque Cavaco não gostava de José. Cavaco não soube ser Presidente de todos e todas ,nem naquela altura nem agora, porque nunca soube distinguir que o Presidente da República Portuguesa não era Cavaco Silva e os seus ódios mas sim a representação de todos os Portugueses. Eu sei que mal chegue à Assembleia da República a lei da adopção por casais do mesmo sexo fica promulgada e agora já não há veto Presidencial que possa impedir a igualdade. Mas o que me choca é que Cavaco impediu, por pura birra, a modernidade e a felicidade de muitos cidadãos, eu incluída. Eu, que não sou lésbica nem bissexual, que posso adoptar, engravidar casar e recasar com quem quiser, não sou uma cidadã completa porque muitos cidadãos do meu País também não são. Saber que amigos ainda não conseguem co-adopar o filho criado e gerado naquela relação porque são homossexuais indigna-me, fere-me e envergonha-me. Não, Cavaco nunca foi o Presidente de todos os Portugueses. Não, Cavaco não é o meu Presidente. E dia 9 de Março abrirei a garrafa de champagne e, finalmente, brindaremos à liberdade