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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Em Portugal não sejas Troikano

 

Não existe outra forma de dizer isto: A tróika percebe tanto de economia como eu entendo da vida social do mosquito do Bornéu.
Eu não percebo muito de economia e como tal vou limitar-me aos factos que são públicos.
O primeiro país a ser intervencionado, e seguindo as exigências da troika foi a Grécia. Ao faze-lo não só não recuperou como lhe concederam um hair-cut, um segundo resgate, e quando Varoufakis lhes disse “assim não vai dar, tem de ser de outro modo…” o que fizeram foi cortar o financiamento até que mudassem de ideias e aceitassem as suas “recomendações” que não são mais do que ideologia.


Seguiu-se Portugal, (des)Governado por um partido da mesma linha ideológica que a troika. Passos Coelho foi muito para alem das recomendações troikistas e mesmo assim não conseguiu atingir um único objectivo. Ressalva para o que foi cumprido, não através das linhas orientadoras da troika, não pela genialidade de Pedro Passos Coelho mas pela intervenção do BCE na economia europeia.
Pelo caminho chegaram-nos as notícias de um FMI que reconhece que as recomendações da tróika, da qual faz parte, não ajudam na recuperação económica podendo até dificulta-la.
Ainda antes das eleições a Europa dava o alerta que as políticas de esquerda poderiam trazer retrocessos económicos a Portugal (mais ainda?).


Apurados os resultados, aquele que nunca foi Presidente de todos os portugueses, na linha ideológica dominante, preferiu dar posse à PaF, sempre sublinhando os tais de acordos externos e os problemas que poderiam surgir de um Governo de esquerda.
A esquerda convergiu e o PS tomou posse e os mercados pouco se importaram com o facto. Permaneceram tranquilos ao contrário do anunciado.
A troika e a Fintch vêm agora dizer que draft do Orçamento de Estado para 2016 é irrealista porque espera um aumento do PIB acima do que eles esperam e não contempla uma descida do défice 0,6% como o pretendido por Bruxelas mas sim uma descida de 0,2%.
A Fintch naturalmente promete impor a crise cortando o rating nacional, ou seja, promete-se plantar uma crise que não existe.


Aparentemente as promessas políticas praticam-se até entre políticos.
Facto é que ao longo dos últimos 4 anos o défice ficou sempre aquém do esperado pela troika, foi preciso vender muito do país para cumprir o défice e muito malabarismo contabilístico para aparentar o cumprimento do objectivo. Ao mesmo tempo, e ao contrário do objectivo, a divida publica nunca parou de crescer.
Desta feita, um Governo apresenta um Orçamento que não foi escrito para agradar mas que pretende ser mais realista em números e progressista nas propostas. Se lá viessem umas contas inventadas a dizer que o défice iria descer 2% e o PIB iria crescer 3%, no fim de 2016 acusavam a derrapagem por imponderáveis e ficaria tudo bem.


Mas um Governo de esquerda que governa porque convergiu com os restantes partidos de esquerda, isso faz muita confusão à ideologia dominante e é preciso armadilhar o caminho.
O Partido Socialista vive agora um problema para agradar a gregos e troianos, ou seja, não pode falhar com o acordado com o Bloco de Esquerda e Partido Comunista ao mesmo tempo que não pode desagradar muito a troika sob pena de lançarem novamente a praga de uma crise que venha a derrubar este Governo.
Seria tão simples como voltar a aumentar as taxas de juro…


Conclui-se assim que a troika não tem nem pretende ter razão sobre o modelo que leva à recuperação e crescimento económico. Querem apenas continuar o seu caminho ideológico custe o que custar, custe a quem custar.

Dinamarca Eleva Muros aos Refugiados

 

 

Quando se fala de uma sociedade evoluída, olhamos imediatamente para o norte da Europa, sobretudo para os países da Escandinávia.
Eles parecem servir de farol para onde nos queremos dirigir.
A verdade é que a distância física e alguns gráficos permitem-nos absorver o positivo e ignorar o ruido das facetas menos positivas desses povos.
Mesmo assim, de tempos a tempos somos forçados a confrontar-nos com o seu lado lunar, aquele lado pelo qual não nos queremos guiar, antes pelo contrário, nos queremos distanciar o mais possível.
A Europa e o mundo não têm conseguido dar uma resposta funcional à crise na Síria e resultante maré de refugiados que diariamente tenta chegar ao velho continente. Na falta de resposta colectiva, os países de fronteira e países de destino final têm promovido medidas que julgam funcionar.
Para alguns países o processo passou pela elevação de muros físicos. Outros elevam fronteiras psicológicas e outros, como é agora o caso da Dinamarca, colocam barreiras à existência.
O Parlamento Dinamarquês aprovou a lei que permite confiscar até 1300 euros a cada imigrante podendo para isso revistar a bagagem. Os refugiados apenas podem trazer até si os seus filhos ao fim de 3 anos e especificamente para os sírios, estes só têm garantido 1 (UM) ano de protecção.
Em rigor, os 1300 euros servem de caução para aceder ao país, ou seja, se precisarem de algo do Estado, este já se acautelou com 1300 euros de contas pagas antecipadamente.
A partir daqui, é uma política anti-refugiados, um atentado aos Direitos Humanos. O sujeito que foge da guerra, mesmo seguindo à frente para encontrar um porto seguro, não quererá deixar a sua família directa como alvo das piores atrocidades possíveis e imagináveis. Ao dizer que um refugiado só poderá fazer chegar até si os seus filhos ao fim de 3 anos, isto é o mesmo que dizer ao sujeito: “podes ficar aqui sabendo de antemão que estás a correr sérios riscos de condenar a tua família à morte.”
O peso é ainda maior se o refugiado for sírio porque apenas lhe é garantido o estatuto de refugiado durante 1 anos, colocando-o numa condição em que desconhece a língua do país de acolhimento, terá francas dificuldades em encontrar emprego e mesmo que ao fim de 3 anos traga até si os seus filhos, sabe que não estarão protegidos.
O que os dinamarqueses aprovaram hoje está longe de ser algo de uma sociedade moderna e progressista. É uma medida característica da idade média, mais mesquinha que a lei criada por D. Manuel que pretendia expulsar os judeus ou converte-los em Cristãos-Novos quando antes tinham sido acolhidos por D. João II a troco de uns Vistos Gold de 8 ducados de ouro.
A Europa em geral vive hoje num clima de medo e tal como uma ostra, fecha-se sobre si própria ao mínimo sinal de alarme. A verdade é que fechando-se ou não, o problema não se resolve e só tenderá a ser cada vez maior se não se resolver, não o problema europeu mas sim o problema da Síria, do Daesh e de todos os movimentos extremistas que orbitam países sem regime instituído ou regimes frágeis e facilmente tomados de assalto por estes grupos extremistas.

Cavaco não é o meu Presidente!

Dia 20 de Novembro corri desalmadamente para a Assembleia da República onde já me esperava a minha gente. Não podia perder a votação final sobre a adopção por casais do mesmo sexo, não podia perder ao vivo um dia bonito pela igualdade. E se foi bonito! Houve abraços e beijos a gosto, saímos mais felizes, mais modernos, mais europeus, mais gente. E dissemos uns para os outros que agora só falta o Cavaco estragar tudo. E estragou. Cavaco Silva nunca foi o Presidente de todos os Portugueses, foi sempre o Cavaco mesquinho, pequenino e vingativo que nós já conhecíamos. Não me esqueço de que quando José Saramago morreu, o único Nobel da Literatura Português, o Presidente da República não compareceu ao funeral porque Cavaco não gostava de José. Cavaco não soube ser Presidente de todos e todas ,nem naquela altura nem agora, porque nunca soube distinguir que o Presidente da República Portuguesa não era Cavaco Silva e os seus ódios mas sim a representação de todos os Portugueses. Eu sei que mal chegue à Assembleia da República a lei da adopção por casais do mesmo sexo fica promulgada e agora já não há veto Presidencial que possa impedir a igualdade. Mas o que me choca é que Cavaco impediu, por pura birra, a modernidade e a felicidade de muitos cidadãos, eu incluída. Eu, que não sou lésbica nem bissexual, que posso adoptar, engravidar casar e recasar com quem quiser, não sou uma cidadã completa porque muitos cidadãos do meu País também não são. Saber que amigos ainda não conseguem co-adopar o filho criado e gerado naquela relação porque são homossexuais indigna-me, fere-me e envergonha-me. Não, Cavaco nunca foi o Presidente de todos os Portugueses. Não, Cavaco não é o meu Presidente. E dia 9 de Março abrirei a garrafa de champagne e, finalmente, brindaremos à liberdade

 

Maria Oferece Belém a Marcelo

 

 

Ao contrário da grandiosidade de Sampaio da Nóvoa que acolheu a sua derrota ao mais elevado nível democrático, eu não considero que esta vitória, a de Marcelo Rebelo de Sousa, acrescente algo de positivo ao país.
Não preciso repetir todos os argumentos que apresentei aqui nos últimos tempos. Resta-me apenas aceitar o resultado, estar atento e desejar que Marcelo Rebelo de Sousa me engane e represente mais do que Portugal, os portugueses que hoje o elegeram.
Mas como ganhou Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta?
A resposta óbvia é que sempre existiu essa probabilidade através de anos e anos a fazer campanha dissimulada de comentador.
No dia 18 de Janeiro escrevi que “Maria de Belém foi ao fundo!” e efectivamente não me enganei. No entanto nunca imaginei que fosse TÃO ao fundo e no processo deturpasse tanto os resultados eleitorais.
Como ela chegou aqui já sabemos. Henrique Neto nunca seria apoiado pelo PS, Sampaio da Nóvoa não era parte dos quadros do PS e António Costa esperava por António Vitorino ou António Guterres. Nenhum deles se disponibilizou e a ala, talvez mais de Assis do que de Seguro empurrou Maria de Belém para as presidenciais. Agarraram numa senhora sem carisma, sem presença e que não causa empatia e talvez esperassem que por ser da gerigonça socialista, ela teria o apoio do partido. António Costa ficou entalado entre a sua opção, e de muitos socialistas, por Sampaio da Nóvoa e uma candidata saída da pretensa oposição interna.
Ficou assim numa tentativa de ficar bem com Deus e com o diabo.
A bomba das subvenções estourou nas mãos de Maria de Belém e passou de uma sondagem que lhe dava perto de 20% para um resultado de 4,24%. Maria de Belém não teve uma derrota, teve um desastre!
Mas se nessa altura Marcelo tinha 52,5% e hoje venceu com 52%, para onde foram os votos de maria de Belém?
Sobretudo para três candidatos. Que mais beneficiou foi sem margem para dúvidas Marisa Matias. Passou de uma sondagem de 4,8% para um resultado de 10,13%. Outro beneficiado foi Tino de Rans ou se preferirem Vitorino Silva que de uma sondagem de 0,2% conseguiu 3,28% a morder os calcanhares ao candidato do PCP, Edgar Silva.
En passant o PCP na pessoa de Edgar Silva foi o 2º maior derrotado destas eleições onde nem sequer o seu eleitorado tradicional votou no seu candidato. Por muitas voltas que queiram dar ao texto, esta é uma noite de derrota e mais uma vez, o Bloco capitalizou mais e melhor.
Sampaio da Nóvoa, naturalmente que absorveu muitos dos votos de Maria de Belém correspondendo ao repto de António Costa para que os socialistas votassem num dos dois candidatos. De 16,9% na sondagem conseguiu conquistar 22,89% dos votos. Para uma candidatura independente foi um enorme feito.
Por fim, é preciso responsabilizar directamente Maria de Belém por não se concretizar uma segunda volta. A verdade é que na sua vontade de não abdicar dos seus direitos e assinar um pedido ao Tribunal Constitucional para analisar o corte das subvenções vitalícias, uma percentagem dos seus votos saltou para Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito na primeira volta por uma margem de 24 104 votos num universo de 4 737 273.
Podemos também apontar o dedo aos 52% que não se deram ao trabalho de participar mas esses não iriam participar de qualquer forma.
Maria de Belém não chegou a Belém mas ajudou Marcelo a chegar lá.
De ora avante estaremos atentos ao trabalho do novo Presidente da República e aqui estaremos para denunciar cada passo em falso que dê da mesma forma que aqui estaremos para elogiar o que for de elogiar.

Aves Raras ou O estranho caso das críticas à nova segunda-circular

Recentemente foi conhecido um projecto da Câmara Municipal de Lisboa para a segunda circular, que pretende modificar profundamente esse eixo rodoviário. A ideia é reduzir a largura das faixas, baixar a velocidade máxima de circulação, repavimentar com um material que diminua o impacto sonoro e, o ponto principal deste plano, arborizar as laterais e o separador central da segunda circular. Boa iniciativa, certo?

 

Errado. Pelo menos para 3 entidades que se apressaram a criticar o projecto, mal este foi colocado em consulta pública. São elas a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, o Automóvel Clube de Portugal e a Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA). Já seriam de esperar reacções negativas das duas primeiras entidades, no fundo eles representam um sector que aposta na mobilidade numa perspectiva individualista tendo no carro o seu veículo de eleição. Tudo o que seja feito para diminuir a acessibilidade de veículos à cidade, regrar as velocidades ou disciplinar o trânsito, é visto como um vil ataque à liberdade de “levar e deixar o meu carro onde muito bem queira ou me apeteça”. É evidente que este tipo de medida tem de ser contrabalançada com uma aposta efectiva no transporte público. Com esta equação resolvida poderemos finalmente começar a quebrar a hegemonia do automóvel, principalmente nos grandes certos urbanos, locais de maior concentração populacional, onde nos deparamos com graves problemas no que concerne à qualidade do ar.

 

Mas é a posição da APPLA que mais curiosidade me suscita e sobre a qual me queria debruçar. Diz esta associação que a plantação de árvores nas imediações do Aeroporto da Portela, constitui um perigo para a aviação, pois são um chamariz para os pássaros. É certo e sabido os problemas que a aviação enfrenta com as aves. A convivência num mesmo espaço aéreo é o principal. A associação afirma estar atónita com o facto da Câmara de Lisboa não ter ouvido previamente as entidades aeronáuticas. Em sua defesa, a edilidade afirma que este projecto não colide com a segurança aérea, pelo que não se julgou oportuna qualquer consulta prévia. Até pode ser verdade... Mas mal, não fazia.

 

No entanto, é curioso cruzar isto com as declarações da APPLA feitas a propósito da opção normalmente designada por Portela + 1, relativamente às Bases Aéreas para complementar a actividade do aeroporto de Lisboa. Em Maio de 2012, o presidente da associação à data, rejeita liminarmente as bases militares de Sintra e Alverca das possíveis opções – http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/aeroporto_complementar_3592.html. Já no que respeita à Base Aérea n.º 6 no Montijo admite alguma penalização ambiental, mas que seria possível adoptar procedimentos para minorar esses impactos. Para o leitor mais incauto que não percebe muito bem o porquê deste revivalismo, gostava de esclarecer que a Base Aérea n.º 6, no Montijo, é banhada pelas águas do rio Tejo. O estuário deste rio é considerado como um refúgio para diversas espécies de aves, que aí vivem e nidificam durante todo o ano. Isto quer dizer que é muito perigoso plantar árvores junto de um aeroporto, pois tal pode atrair as aves. Mas é perfeitamente viável espetar com um aeroporto comercial de voos low-cost no meio de uma área de especial importância ecológica, onde as aves já lá estão.

45. Base aerea.JPG

Fica portanto claro que o problema está nas aves esbarrarem com os aviões; o contrário, ou seja, os aviões esbarrarem com as aves é uma não-questão...

 

Montijo, 20 de Janeiro de 2016

Maria de Belém foi ao fundo!

 

Vamos imaginar que a candidatura à Presidência da República é um naufrágio e cada um dos dez candidatos conseguiu sobreviver em condições diferentes. O objectivo é sobreviver até 24 de Janeiro e viverá o primeiro a chegar a terra-firme.
Marcelo Rebelo de Sousa já sabia que iria naufragar e levou 15 anos a preparar o incidente. Tem um pequeno barco equipado com tudo e tirando o abalroamento no encontro com Sampaio da Nóvoa, tem sido um ameno passeio.
Sampaio da Nóvoa por seu turno fez-se ao mar apenas com uma bóia mas com arte e engenho tem construído uma jangada sólida com o que vai apanhando do mar. Conseguiu fazer uma vela e tem uns remos construídos de umas tábuas que por ali flutuavam.
Edgar Silva e Marisa Matias partiram em pequenos botes previamente guarnecidos pelos seus partidos mas não têm saído do mesmo sítio. A maioria dos restantes fizeram-se à água em bóias e com melhores ou piores argumentos, com melhores ou piores intenções, a verdade é que continuam a boiar precisamente no mesmo sítio onde iniciaram a viagem e não se vislumbra que isso se altere.
Deixei Maria de Belém para o fim de propósito. Ela, ao contrário da maioria não caiu. Foi atirada para a água por uma franja decadente do seu partido. Na falta de melhor, julgou ser a opção natural dos seus camaradas de partido, mesmo aqueles que internamente não estariam do seu lado. O lado decadente do seu partido atirou-a ao mar com boas condições de navegação e durante muito tempo, ainda que longe de Marcelo Rebelo de Sousa mantinha-se a ilusão que numa segunda volta, tanto a oposição interna do seu partido como todos os outros partidos lhe iriam dar apoio e assim teria, ainda que pequena, uma hipótese de enfrentar o candidato da direita.
Mas Sampaio da Nóvoa dos destroços conseguiu uma boa embarcação e foi ele a atiçar o adversário de todos os outros.
As sondagens deram agora vantagem a Sampaio da Nóvoa e a partir dai, Maria de Belém ergueu-se na sua embarcação e caiu à água. Caiu para nunca mais apanhar a embarcação!
António Costa não pode dar um apoio declarado a Sampaio da Nóvoa. António Costa não venceu declaradamente as legislativas e para hoje governar teve de negociar a sua posição. A sua posição dentro do partido é frágil e não se pode dar ao luxo de dar mais motivos à oposição interna para lhe tirarem o tapete à primeira oportunidade.
Mas a verdade é que todos os trunfos do PS prestam apoio ao PS desde o poker de Presidentes da República, Mário Soares, Jorge Sampaio, Ramalho Eanes e onde já incluo Sampaio da Nóvoa, ao actual presidente do PS. Já Maria de Belém apresenta figuras de um outro naipe, menos vistoso, menos forte, menos capaz.
Maria de Belém desespera e diz “Era o que faltava que fosse mais importante apoiar independentes do que socialistas”.
Maria de Belém sabe que conta com os votos dos que estão descontentes com a tomada do poder no PS de António Costa e da sua convergência à esquerda. E mesmo que viesse a conquistar o direito a uma segunda volta, pouco mais conseguiria que isso mesmo.
A verdade é que estes dias têm demonstrado quem tem efectivamente perfil para ser Presidente da República Portuguesa.
Ao primeiro sinal de contrariedade Marcelo Rebelo de Sousa argumenta “era o que faltava aparecer aqui um sujeito que quer passar de soldado raso a general…”. Para ele não importa a qualidade, apenas a tradição e o elitismo.
Maria de Belém é isso e ainda pior. Passou de uma cópia de Cavaco Silva e falar muito sobre nada onde incluiu “eu estive em TODAS as causas em que esteve o PS”, o que só por si demonstra uma clara falta de critério de uma “maria-vai-com-as-outras” ao mesmo tempo que usa do mesmo argumento que é general e não admite o soldado raso a ocupar o mesmo espaço.
Se não existisse Sampaio da Nóvoa, votaria Marisa Matias e na falta desta, Tino de Rans que pelo menos, apesar de não ter a bagagem dos outros candidatos é genuíno, coisa que não se encontra na larga maioria dos candidatos.
Maria de Belém vai ao fundo. Afinal fez-se ao mar numa jangada de pau oco e ela afinal nem sequer sabe nadar nem ninguém está disposto a ajuda-la. A jogada terá um preço elevado e talvez nunca mais volte a ter o protagonismo dentro do PS que teve até agora. E ainda bem…

Marcelo Rebelo de Sousa Será Um Vírus Letal?

 

 

O perigo maior para a humanidade são os vírus. Podem ser altamente letais e ao contrário das guerras, estes não podem ser controlados pela vontade do Homem. Um desses exemplos fará dentro de dois anos o seu centenário, a peste espanhola. A partir de um vírus morreram no mundo cerca de 40 milhões de pessoas. O vírus causador foi o vírus da gripe sobre o qual temos ouvido falar mais recentemente, o H1N1.
O nosso problema com os vírus, sobretudo o da gripe, é que eles vão alterando a sua morfologia externa de modo a não serem reconhecidos pelas nossas defesas enquanto por dentro continuam a ser o mesmo vírus do costume, altamente destrutivo. Quando o nosso organismo o reconhece como um factor destrutivo do nosso organismo, por vezes é tarde demais tendo causado danos irreparáveis ou mesmo a morte.
Lidamos hoje, em Portugal com o candidato e vírus Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo Rebelo de Sousa nasceu e cresceu no ceio de uma família ligada ao regime Salazarento e a Marcelo Caetano deve o seu nome.
Tal como um filho que tem pais que apreciam opera, este ao crescer ou a ama ou a odeia. Marcelo é dos que ficou a amar o mesmo amor familiar e ainda que se tenha adaptado aos novos tempos e às novas formas de estar na política, a verdade é que continuou nas profundezas do espirito conservador e elitista. Não é difícil encontrar referências de oposição ao Estado Social ao longo dos últimos 40 anos, desde o SNS à educação pública.
Mas tal como um vírus, Marcelo Rebelo de Sousa foi mutando a sua postura, a sua imagem e o seu discurso para não agitar muito as águas do poder de modo a permanecer como comentador em prime time e ao mesmo tempo aparentar ser a voz do organismo vivo, os cidadãos.
Não é preciso ir muito longe no tempo para o escutar a criticar diversas medidas de Pedro Passos Coelho para depois o apoiar em campanha.
Este vírus julga ter agora a porta aberta para penetrar o organismo e fazer dele o seu hospedeiro. No seu discurso, e numa tentativa de distrair ainda mais os anticorpos, diz agora que “está à esquerda da direita” de modo a facilitar a conquista de votos de que está à direita da esquerda.
Mas Marcelo é Marcelo tal como um vírus é um vírus. Marcelo e o vírus confundem-se e os seus objectivos são em rigor comuns, um hospedeiro que lhe facilite a obtenção dos seus objectivos ideológicos.
A malta da direita sabe que esta é a oportunidade de tomar o poder ou pelo menos quanto muito balanceá-lo mais para a direita com a útil ferramenta de demitir um Governo. Estes certamente que não faltarão ao voto!
Compete-nos a nós, o hospedeiro-alvo, aos cidadãos colocarem-se em guarda e defenderem-se de mais uma investida, de mais uma tentativa de destruição dos direitos e garantias dos portugueses.
Um vírus pode dar uma febre passageira e uma dor de cabeça tal como o vírus da gripe comum, ou pode ser letal para muitos como a peste espanhola.
Vamos experimentar votar em Marcelo Rebelo de Sousa para ver se é só uma dor de cabeça ou a morte do artista?

BANIFicação

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À mesa do Estado sentam-se os gordos banqueiros. Está prestes a ser servido mais um banquete de injecções de capital público para saciar apetites privados. São como bolinho de CoCo cozinhados com ardil. É sempre bizarro observar aqueles que vêem a despesa pública como uma conta de mercearia arranjar sempre uma despesa repleta de mantimentos quanto toca a alimentar os privados. Quando há lucros, os dividendos pertencem aos accionistas. Quando há bancarrotas, é o contribuinte que paga a factura. E neste caso nem se pode colocar o NIF para depois entrar nas despesas de IRS… Seria interessante que as declarações de rendimentos dos contribuintes portugueses passassem a mencionar a quota-parte devida a cada um nos resgates bancários.

 

Mas tem de ser assim… Os gestores privados são do mais competente que existe. Eles sabem o que estão a fazer. E o risco é sistémico. O sector da finança está claramente sobredimensionado para a nossa economia. Mesmo na realidade europeia isso acontece, mas não podemos deixar bancos falir. Passa uma mensagem errada. Nestes casos o melhor é pagar o Estado, com os seus cofres cheios. Já não há dinheiro? Pede-se à troika. Já não há troika? Pede-se aos mercados. Os mercados estão nervosos? Dá-se-lhes um xanax. Não há dinheiro para xanax prescreve-se um genérico e garante-se a cura financeira com o esforço do contribuinte. Vai mais uma dose de austeridade para manter a confiança dos investidores. É remédio santo.

 

Assim se faz economia no actual paradigma neoliberal. Depois das nacionalizações e das privatizações, eis que surgem as “banificações”. Um modelo híbrido onde o que é tóxico nacionaliza-se e o que é lucrativo privatiza-se. Ao Estado cabe os riscos, dívidas e prejuízos, aos privados cabe a difícil tarefa de ficar a gerir a parte boa do negócio. Não há alternativas a isto? Evidente que sim. O que não há é vontade política para romper com este círculo vicioso e terminar de uma vez por todas com a imposição de regras ao poder político pelos grandes interesses económicos.

 

Estas influências podem ser invisíveis, mas as consequências são bem reais. Que o diga a carteira do contribuinte. Muito provavelmente não sobreviveremos a outra “banificação” sem mais uma dose maciça de austeridade. É preciso perceber o quanto antes que lixo foi varrido para debaixo do tapete da alta finança. E sanear tudo de uma vez. Nada pior para a confiança do que a constante suspeita de que um novo BANIF, BES, etc., vem a caminho. Alguns economistas gostam de utilizar a expressão “não há almoços grátis”. Nestes banquetes estatais tem sido o contribuinte sempre a pagar a conta. Mas já chega de caviar. De futuro, comam bifanas. Diz que a carne de porco está muito em conta…

 

Montijo, 14 de Janeiro de 2016

Pornografia Financeira

 

Em Abril de 1998 sou aprovado no Código de Condução. Quinze dias depois entro para a recruta, à data chamava-se Serviço Efectivo Normal, e no primeiro fim-de-semana em casa pego no meu primeiro “charuto”. Um Renault 5 de 1984 com vidros eléctricos, direcção assistida, muita ferrugem, forro do tecto descolado, fuga na junta do cárter, um fio que se soltava insistentemente do motor de arranque, panela rota e uma peça que segurava um veio das mudanças e que se soltava com frequência. Enfim, uma máquina!
A isto se adicionava o facto de gastar 12 litros aos 100 km e na recruta o “ordenado” rondava os 7.500$00. Por isso mesmo recordo-me que naquela altura o litro da gasolina custava 163$00 (0,81€) e “mil paus” davam para uma semana nas voltinhas.
Ao fim de um ano, já fora da tropa, com muita pena minha, abdiquei desta gloriosa máquina por uma que não tivesse nenhum dos predicados acima referidos.
A energia, seja ela de que natureza for, é um serviço público estratégico. Um país vive e desenvolve-se tão melhor quanto mais energia for disponibilizada.
Se fizermos um paralelo com a zoologia, sabemos que quanto mais energia disponível mais activo será um animal e maior probabilidade de sucesso terá. Um animal que tenha pouco alimento disponível ou que esse alimento seja pouco rico, passará muito tempo parado de modo a consumir menos energia ou passará a maior parte do dia em busca do alimento suficiente.
Com um país acontece o mesmo. Se os recursos energéticos forem poucos o país fica estrangulado passando a uma existência de sobrevivência.
O que acontece quando um bem estratégico passa a ser controlado por um mercado cartelado como o existente em Portugal, é como ter um bando de sanguessugas agarradas ao corpo a sugar o sangue do organismo.
A tão famosa competitividade é uma relação entre os custos de produção e o consequente preço de venda de determinado produto. Se os ordenados, face a outros países da Europa são diminutos, se é sabido que os portugueses trabalham mais dias e mais horas por dia que a média europeia, o problema também passará pelo preço da energia.
Entre 1998 e 2016 tudo mudou comigo, com Portugal e com o mundo.
A Galp foi privatizada tendo como argumento que um mercado privado e liberalizado beneficiaria o consumidor final. Em 2010 o Estado vende a sua última quota de 7% de Golden Share da Galp fazendo assim a vontade ao poder económico e ao poder que controla a União Europeia. Nesta altura já o mercado tinha sido liberalizado há 6 anos, em Janeiro de 2004.
Na próxima segunda-feira o preço dos combustíveis voltará a subir apesar do preço do crude e do brent continuar a cair e já regressou ao valor de referência de 2004, a 35 euros o barril de brent.
A liberalização do mercado de combustíveis não resultou para os portugueses, como é costume, e ainda que graficamente o preço do Brent acompanhe o gráfico do preço médio de venda ao consumidor final, facto é que Portugal sempre teve os preços mais elevados a EU e apesar de agora ter uma refinaria em Sines com uma grande capacidade, o custo elevado mantem-se. E se o preço do Brent em 2004 era de 35 euros por barril para o preço de vende de 1,03€/litro de gasolina S/Chumbo 95, hoje o preço do barril de brent volta aos 35 euros mas a gasolina custa agora 1,35 sem que nada o justifique.
A Galp serve aqui apenas como referencia porque a esta teríamos de adicionar todas as outras empresas revendedoras. Estas até podem justificar os aumentos com a subida da carga fiscal mas isso não passa de desculpas para manter e se possível ampliar os lucros aos accionistas.
Em 2004 a Galp apresentou 331 ME de lucros líquidos e o ano mais fraco foi 2008 onde apresentou um lucro líquido de 116,9 ME de lucro liquido. Nunca foram apresentados prejuízos.
Em 6 anos, apresentaram praticamente 3 mil ME de lucro, mesmo quando o país atravessa uma crise.
O recurso estratégico não deve nem pode ser a sanguessuga do sistema e ainda que possa aumentar a margem de lucro em períodos de bonança, terá sem dúvida que ser o primeiro interveniente a anular lucros em tempo de crise de modo a garantir um regresso rápido à saúde financeira do país.
Este é um apanhado pela rama dos serviços públicos estratégicos, no entanto, e apenas em três empresas que já foram nacionais, entre 2004 e 2009 EDP, GALP e PT apresentaram mais de 13 mil milhões de euros de lucros líquidos.
Estes lucros pornográficos têm de parar a bem de Portugal e dos portugueses. Recursos estratégicos não podem gerar lucros desta dimensão quando depois condenam toda a sociedade a um desenvolvimento precário.

Marcelo vai às cordas!

 

Quando estou aqui a escrever e a comentar algo seja dentro de âmbito politico seja de âmbito social tenho a sorte de não ser confrontado enquanto vou escrevendo. Tenho ainda outra vantagem de me poder documentar antes e durante a escrita e até mesmo face a algum comentário para o qual julgue necessário prestar um esclarecimento.

Ao vivo, mesmo documentado, o meu valor argumentativo assenta directamente na minha capacidade de articular verbalmente o que tenho em memória.

 

Marcelo Rebelo de Sousa passou 15 anos a fazer isto que eu faço em texto escrito mas no formato televisivo. O senhor sabia antecipadamente os temas que iria abordar podendo documentar-se e se alguma pergunta fosse feita, que não estivesse prevista, o nim seria uma resposta aceitável e que não compromete. Basta recordar a rábula de Ricardo Araújo Pereira a propósito do comentário de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a legalização do aborto.

De resto, Marcelo Rebelo de Sousa, em rigor não fez nada por mérito próprio. Bastou-lhe estar no sítio certo, na hora certa, e fica para a história que ele fez parte de algo.

Ainda jovem disseram-me “não importa o que fazes. Importa o que aparenta que fazes…”.

Chegados aqui Marcelo é agora candidato a Presidente da República e até hoje a campanha tem sido um passeio no parque. Afinal, passou 15 anos a tornar-se membro das famílias portuguesas permitiu-lhe conquistar a simpatia que se tem por um tio que aparece ao domingo ao lanche e que diz umas coisas engraçadas. Conquistou isso através da função humana de escolher o que nos é familiar face ao desconhecido. Isto é um facto comprovado cientificamente.

Permite-lhe ainda ter um dos Orçamentos de Campanha mais curtos e com grande cara de pau usar isso como argumento positivo dizendo que em tempo de crise mais gastos seriam ofensivos para com os portugueses que atravessam e mais sentem na pele a crise. Como se ele há três meses não tivesse apoiado o Governo mais troikista que a troika.

E os debates?

Têm sido uma animada conversa de café com pessoas sem a prática do animal politica, do saber estar. Um “pois é, pois é… concordo mais ou menos com isso…”. Ou com a Mariazinha sem tempero, sem presença, sem… sem nada que mereça a pena reservar memória. Ou um debate com os 10 candidatos que pelo numero não permite o verdadeiro confronto de ideias e que em rigor, parecia que todos diziam rigorosamente o mesmo ao ponto de se poder pensar que qualquer um poderia lá estar.

Hoje Marcelo foi às cordas!

Pela primeira vez enfrentou UM CANDIDATO preparado, à altura do cargo e claramente superior ao familiar Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa.

Confrontou-o com os seus comentários, com o seu passado e com a sua militância.

Marcelo defendeu-se como lhe ocorreu, com pequenos ataques pessoais e recusando a sua responsabilidade politica fosse do que fosse, mesmo quando fazia parte de governos de direita. A isso se acresce mais um lapso de memória que Sampaio da Nóvoa fez questão de o relembrar no momento sobre o SNS.

Enquanto Marcelo se perdia no ar rarefeito que apanhava em bicos de pés, Sampaio da Novoa manteve a serenidade demonstrando os motivos pelo qual será melhor Presidente da República.

Marcelo achou extraordinário não ter apoios para além das máquinas politicas à direita e achou ultrajante que Sampaio da Nóvoa tenha o apoio de TODOS os antecessores em Belém com a natural excepção do actual que nem o pode fazer nem o faria.

É um facto que a maioria das pessoas não está familiarizada com Sampaio da Nóvoa. Eu próprio não estava até há pouco tempo. Mas é preciso ler um pouco para conhecer o percurso das pessoas e depois votar em consciência.

Que fique bem claro, que independentemente do que os candidatos possam dizer, NÃO há independentes.

TODOS têm um passado de cidadania activa, na maioria ligados aos partidos. Importante é o que se retira desse passado, desse percurso, do que se defendeu e do que se quis destruir.

Marcelo Rebelo de Sousa não apoiou o Serviço Nacional de Saúde, deu apoio à necessidade de incentivar o ensino privado em detrimento do ensino público, confirmou a boa condição do BES do seu caríssimo amigo Ricardo Salgado.

Comentar é fácil. Estar no sítio certo na hora certa é mais difícil. Ser a pessoa indicada para Presidente da República é um desafio que vai para além das capacidades de Marcelo Rebelo de Sousa e das necessidades do país.

 

Marcelo Rebelo de Sousa hoje foi às cordas. Dia 24 de Janeiro espero vê-lo KO!

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