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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Notas de um político impreparado (2)

Aspirantes a políticos e partidos pequenos podem de repente encontrar-se em situações nas quais a sua posição é decisiva. Nessas alturas os holofotes da atenção mediática expõem de forma cruel as fragilidades de uma campanha feita com base em utopias, academicismos e outros amadorismos. De repente, é preciso descer à dura realidade do conflito com outras ideias mas ao mesmo tempo aproveitar a oportunidade de fazer a(lguma) diferença. Rápido, o que se decide?

Nestas situações são precisos algoritmos, heurísticas que permitam encontrar o equilíbrio entre o que é desejável e o que é possível. Aqui ficam 3 contributos:

1.Discutir objetivos e não meios. É mais fácil concordar em objetivos do que nos meios para os atingir. Ora traçar o rumo é que é importante, porque a partir daí qualquer avanço é ganho.

2. Maximizar o investimento. Não procurar chegar a tudo. Os esforços devem concentrar-se em procurar a medida chave com a qual seja fácil concordar mas que, depois de implementada, tenha um efeito em cascata para o lado que se pretende.

3. Saber esperar. Deixar claro aos eleitores que este não é o nosso caminho mas que não é incompatível com ele. Assegurar (e ter a convicção) de que os objetivos finais não se perdem, apenas se adiam. Aproveitar a onda para promover a visão alternativa, ao mesmo tempo que se demostra a responsabilidade do compromisso.

Contra a Direita, Marchar, Marchar!

Quando se coloca num motor de busca "convergencia+esquerda" esta é a imagem que aparece.

 

Vivemos um momento histórico e com alguma naturalidade assistimos a diversos dias históricos consecutivos.

Escrevo agora estas linhas após Jerónimo de Sousa, após a reunião do Comité Central, anunciar um acordo à esquerda, isto depois do Bloco de Esquerda o ter feito.

A história não acaba aqui e o próximo momento histórico será o chumbo do plano de Governo da PaF no parlamento. A partir daqui a história começa a ficar nublada e não se percebe bem o que ai vem.

A primeira questão reporta directamente com a decisão que Aníbal Cavaco Silva, Presidente da Republica de todos os liberais irá tomar. Irá ele engolir o sapo e chamar António Costa a formar Governo ou manterá o seu discurso e avançamos para um Governo de gestão?

Que se assuma coerência mínima e que seja dado o mandato aos partidos de esquerda.

Mas mesmo assim nem tudo vai bem no reino da Dinamarca.

Uma verdadeira convergência implicaria um compromisso claro dos partidos fazendo eles, no seu todo parte do Governo. Esta é uma co-responsabilização de todos os intervenientes.

Só que este acto implicaria uma responsabilidade que nunca foi desejada, a responsabilidade de governar. Alem disso, correndo bem a CDU e BE ficariam abafados pelo Partido Socialista, correndo mal, seriam arrastados corrente abaixo.

Assim, apoiando mas ficando de fora podem ser mais interventivos e até sair do comboio a meio da viagem se nisso encontrarem vantagem ou interesse.

Roma e Pavia não se fizeram num só dia e após 40 anos de muros erguidos entre os partidos de esquerda não estou nem posso diminuir este princípio de diálogo convergente ainda que tenha sido promovido por terceiros que estão agora longe das negociações e pela necessidade face aos resultados eleitorais. Independentemente das causas, a verdade é que hoje a esquerda uniu-se do mesmo lado da trincheira não para fazer oposição mas para colaborar no Governo.

Temos notado algumas mensagens entrelinhas sobretudo, e curiosamente, entre o PCP e o BE.

Nada mais natural ao fim de 40 anos em trincheiras diferentes ainda carregados de desconfianças que se empinam por cima das ideologias divergentes.

Existem momentos em que se devem procurar evidenciar as diferenças e ignorar as partes comuns. Este não é um desses momentos. Este é o momento em que se devem evidenciar o que há em comum e negociar as diferenças.

Este é um momento histórico e que disso não restem duvidas. Todos os plantadores de opinião de direita andam agora a inventar argumentos numa tentativa desesperada de influenciar/envenenar a opinião pública. Mas a verdade é que os portugueses, aquém e além-fronteiras estão fartos de austeridade para os pequenos e mordomias para os grandes.

Os portugueses, ao contrário dos partidos de esquerda, há muito que ambicionam uma convergência que deite por terra esta direita que empurra o país, a Europa e o Mundo para sistemas autoritários. Não, não estou a exagerar, o caminho do neoliberalismo resulta de autoritarismo, sectarismo e segregação social.

Este é um momento histórico para Portugal e espero que colha muitos frutos.

Crescer vs Evoluir

A sociedade actual e o seu modelo económico baseia-se no crescimento. E quem poderá declarar-se contra o crescimento? Em boa verdade vemos o mesmo como algo natural. Tudo cresce… Mas só até um certo ponto. O crescimento desmesurado e perpétuo é suicidário. Conduz a comunidade por um caminho sem retorno.

 

Necessitamos de colocar um travão. O mundo é apenas um e seus recursos são finitos. Invés de continuarmos concentrados em crescer ainda mais, deveríamos estar preocupados na evolução e desenvolvimento tecnológico, capacitando assim a humanidade de alternativas viáveis aos recursos limitados.

 

Evoluir implica desenvolver capacidades essenciais para a comunidade prosperar, em salutar união com o meio que a rodeia. O desenvolvimento sustentável é a única forma possível para que a humanidade possa continuar a existir, tal como a conhecemos e desejamos. O progresso terá de conciliar o crescimento e a evolução tecnológica e social, nas proporções correctas.

 

A denominada sociedade ocidental já me parece bem crescidinha. Resta agora perceber em como a tornar mais justa não desistindo dos actuais padrões de qualidade de vida. Em como alcançar alternativas que permitam reduzir a pressão sobre os recursos naturais. E durante esse percurso, perceber como se pode auxiliar os países sub-desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, a encontrarem esse mesmo caminho.

 

Só uma visão geral e progressista pode ajudar a construir um futuro que será possível habitar. Em profundo respeito e harmonia com a natureza. Protegendo assim a civilização e salvaguardando-a da extinção.

 

Montijo, 8 de Novembro de 2015

Sanguessugas Portuguesas em Manifesto

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Hoje dei de caras com o “Manifesto dos 100 Empresários” promovido por Peter Villax, presidente da Associação de Empresas Familiares.

Pretende este manifesto opor-se à intenção de um Governo que surja da convergência das esquerdas alegando que foi seu o esforço de recuperação económica.

A cousa chamou-me a atenção pela relação entre o nome da dita associação e os signatários deste manifesto.

Uma associação que se diz de “empresas familiares”, no meu pensamento iria cair directamente nas pequenas e médias empresas no entanto os seus signatários são efectivamente empresas familiares mas de grande dimensão como Vasco de Mello, António Amorim ou Manuel de Mello Champalimaud.

As PME representam 99,9% do tecido empresarial nacional responsáveis por mais de 70% do emprego. A média de funcionários é de pouco mais de 2% o que sublinha perfeitamente o conceito de “empresa familiar”.

As grandes empresas e grandes grupos económicos foram os maiores beneficiados deste tempo de crise. Este Governo afastou-os do olho do furacão livrando-os da responsabilidade de colaborar com o país nestes anos difíceis. Ao contrário disso foram-lhes oferecidas medidas de incentivos fiscal, tentou-se aliviar-lhes a TSU sobrecarregando os funcionários, facilitou-se o despedimento, cortes nos direitos laborais, sobretudo na banca, fundos do Estado que lhes facilitassem a existência.

Ao mesmo tempo as PME, a par com os trabalhadores por conta de outrem, ficaram com o peso de pagar os erros destes a quem este Governo aliviou. Os impostos e contribuições subiram sobretudo para a classe média, foram estes que apresentaram insolvências ao mesmo tempo que eram acusados de viverem acima das possibilidades e não salvaguardarem o futuro. No outro dia estava com um amigo num bar e dizia ele que por ano pagava cerca de 5000€ em taxas e taxinhas sem contar com o IVA de caixa, o IRC e outras contribuições. A nós coube-nos a “sobretaxa” e naturalmente, enquanto consumidores finais, o IVA, o aumento das taxas moderadoras…

Chamar “empresários familiares” à associação é uma ofensa aos pequenos empresários que todos os dias esgravatam para levar algumas migalhas para casa. Esta associação representa famílias, mas são as famílias da corja que mina o nosso país.

Estas famílias não passam de parasitas que vivem à custa do sangue dos portugueses. Não precisamos de um novo PREC mas é preciso meter esta malta no seu devido lugar e pagarem o que devem à sociedade.

Assismo

assismo | s. m.

 

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Corrente política que se baseia no “tanto-fassismo”, isto é, acredita firmemente que tanto faz que as coisas sejam “assis” ou assadas, desde que nada mude.

Defende uma terceira via do socialismo, que seja obediente aos poderes instituídos e que promova a dinâmica do facilitismo.

Projecta um futuro sem ideologias políticas e complicações dessa espécie, no qual as regras serão ditadas aos governos por entidades externas e interesses económicos.

 

Curiosidade: os “Assistas” abanam muito os ombros, sendo este um sinal, uma expressão física, da sua crença no “tanto-fassismo”.

Portugal a Régua e Esquadro

 

Ontem abri um artigo da página da Visão.pt e reservei. Tinha de me debruçar melhor sobre o que acabara de ler.

Diz o título que “Metade dos trabalhadores portugueses têm qualificações a mais”. O título chamou-me a atenção porque iria contra a ideia da “fuga de cérebros” do país. Mesmo com os que já saíram ainda tínhamos metade da população com qualificações a mais?

Afinal não é bem assim. Cinquenta porcento dos portugueses acha ter qualificações a mais para as funções que desempenha. Qualificações nunca são demais, mas o problema acaba por ter algum relevo umas linhas mais abaixo quando diz que 19% das pessoas sentem que não têm margem de progressão no seu emprego e 18% dizem não ter progredido nada desde que entraram.

Estes sim são dados de grande relevância porque numa empresa, independentemente das qualificações, é suposto começar-se por baixo e ir progredindo mediante experiencia, qualificações e capacidades demonstradas. Neste país, talvez na maioria dos casos isso não é verdade e um sujeito que entre numa empresa acaba por se ver ultrapassado por outros que na maioria das vezes não têm experiencia nenhuma ou tendo, nada acrescenta há existente mas que entram para posições superiores recorrendo ao factor C (cunha).

O resultado é simples: desmoralização generalizada e consequente baixa produtividade compensada depois por escravatura e ameaças.

O artigo, mais abaixo volta a despertar-me a atenção. Segundo o estudo da CEDEFOP, a agência europeia para a formação profissional, o emprego voltará a crescer sobretudo nos sectores da agricultura, florestas e pesca, 26% em Portugal face a 6% no resto da Europa mas 14% na ciência e saúde face aos 24% na Europa.

Acho curioso que se projecte para Portugal um aumento do sector primário que até é bem-vindo, mas por troca das áreas de maior qualificação e certamente uma orientação para não se apostar nas novas tecnologias. Mais uma vez orienta-se a população portuguesa para o trabalho braçal dado a genialidade a outros.

E assim se traçam os destinos da Europa e sobretudo dos europeus, a régua e esquadro numa qualquer secretária de Bruxelas…

O VÃO ATAQUE AOS PIRATAS

 

 

Andam a sair notícias de bloqueio de sites que partilham conteúdos digitais (filmes, musica, jogos…) por parte das operadoras nacionais.

A MAPiNET não só critica quem cria os sites como quem ajudar a contornar os bloqueios.

Ninguém, muito provavelmente nem sequer os promotores dos sites de partilha irão dizer que o abuso dos direitos de autor são correctos perante os autores. No entanto temos de analisar friamente o que temos a montante.

Vivemos num país em crise e que mesmo fora dela nunca foi um país de abundancia financeira. Muito provavelmente a maioria das pessoas preferiria ir ao cinema, comprar o CD original ou comprar o jogo. Mas num país em que a maioria mal tem recursos para pagar as contas até ao fim do mês, como pode comprar um jogo que custa 70€, 13% do vencimento mínimo nacional, 15€ por um CD ou 14€ para um casal ir ao cinema (abdicando de pipocas e um sumo)?

A verdade é que enquanto os valores das artes continuarem a ser elevados e os ordenados estupidamente baixos (quando existem), irão sempre aparecer novos sites cada vez mais escondidos ou com novas estratégias para não serem bloqueados, e mesmo quando tudo isto falhar, nem que se volte à moda antiga de fazer copia que passa de mão em mão.

A maioria dos portugueses gostaria de ir mais vezes ao cinema, de comprar CD’s de música, jogos originais para os filhos, livros para ler. Como não é possível porque a carteira não chega para tudo… “inventam-se” estratégias para ter acesso ao mesmo com um custo inferior.

Gostava de ver a malta da MAPiNET a defender que é preciso aumentar salários e criar emprego para que as pessoas tenham acesso à cultura. Depois disso, ai sim tinham razão para reclamar. Até lá... “palavras, palavras leva-as o vento!”

 

Governo de Fraca Figura

 

Não é segredo. Sou de esquerda e tudo o que vem da direita assumo à partida que bom não é por certo. No entanto algumas, raras, vezes lá aparece alguém de direita minimamente coerente e minimamente aceitável.

João Calvão da Silva está nos antípodas do aceitável e a única coisa que me consola é que é ministro do Governo mais curto da história da democracia nacional.

Este mesmo tipo, antes de ser ministro, foi o mesmo que deu um parecer favorável ao pagamento de 14 milhões de euros pelo construtor civil José Guilherme a Ricardo Salgado.

Agora que tomou posse e logo na primeira, e espera-se que ultima, aparição, demonstra toda a sua alma como um livro folheado ao vento para quem o queira ler.

João Calvão da Silva é aquele tipo de sujeito conservador, diria até que é de tal forma conservador que é da Campingaz. Vem conservando a sua ideologia há mais de 40 anos e tem escrito na testa “Deus, Pátria, Família”. Acrescento aqui um liberalismo desgarrado o que não podia deixar de ser dentro do espirito do PSD actual.

Ora na sua primeira intervenção diz que o senhor que morreu arrastado pelas águas “…e ele entregou-se a Deus, e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado… “.

Com a graça do Senhor sou ateu e muita confusão me faz misturar religião com política sobretudo quando são os políticos a fazerem a mistura. É quase como misturar natas com limão. Se nunca experimentaste, experimenta e logo descobres o resultado.

Claro que isto por si só não me faria gastar latim. O que não faltam para ai são beatos na PaF. Já a ex-ministra Assunção Cristas disse que se tinha inspirado em Deus, Cavaco aqui e ali apela aos milagres de Fátima… é assunto banal pelo lado da Lapa e do Caldas.

Pertinente é o facto deste sujeitinho parecer um bacorinho a rebolar na lama trazida pelas chuvas de ontem e nessa alegria deslavada fazer campanha pelas companhias de seguros privados. Não há melhor campanha publicitária do que aquela que é produzida no meio da desgraça e o bacorinho lá foi esboçando uns sorrisos retraídos enquanto publicitava.

Não estou com isto a dizer que as pessoas devam ou não devam de alguma forma assegurar momentos menos felizes. Infeliz é o infeliz aproveitar-se da infelicidade para promover as instituições privadas.

As 10 razões contra o TTIP

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1. Ameaça à democracia:
O TTIP dará às corporações o poder de processar os estados (mas não o contrário) sobre decisões que afectem os seus lucros, pondo em causa decisões democráticas tomadas na salvaguarda do interesse público (ISDS).

2. Ameaça aos serviços públicos:
O TTIP criará novos mercados nos serviços públicos que levam á liberalização e à privatização. Tornar-se-á muito difícil fazer esses serviços regressar ao controle público. E isso inclui as águas, a energia, os resíduos, etc.

3. Ameaça à segurança alimentar:
Através da harmonização dos regulamentos alimentares, os padrões europeus serão rebaixados ao nível americano. Serão removidas as restrições europeias sobre OGMs, pesticidas, produtos tóxicos, carne com hormonas, entre outros.

4. Ameaça ao ambiente:
O TTIP obrigará à harmonização dos regulamentos ambientais em linha com as normas americanas, permitindo, por exemplo, o fracking no Reino Unido e no resto da Europa.

5. Ameaça ao clima:
Com o reforço dos direitos dos investidores, o TTIP permitirá às corporações processar os governos por prosseguirem políticas públicas que deixem os combustíveis fósseis no subsolo.

6. Ameaça aos direitos dos trabalhadores:
Estes poderão ser reduzidos aos padrões americanos, ao mesmo tempo que a concorrência colocará os EUA e a UE no ponto mais baixo da regulação laboral.

7. Ameaça à privacidade pessoal:
Fugas de informação comprovam que o TTIP será usado para reintroduzir elementos centrais do ACTA, projecto já rejeitado pelo Parlamento Europeu, na sequência de largos protestos populares. Tal permitirá aos fornecedores de serviços NET espiar e comercializar os dados dos utentes.

8. Ameaça ao controle financeiro:
Com o TTIP pretende-se remover muitos dos controles financeiros (como salvaguardas bancárias) introduzidos desde 2008, no sentido de prevenir futuros desastres financeiros.

9. Negociações secretas:
Enquanto que os lobbies corporativos desempenham um papel muito activo nas negociações, o público tem sido arredado. Não existe qualquer acesso público ao texto da negociação. Muito do que sabemos hoje advém de fugas de informação.

10. Um perigoso modelo para o resto do mundo:
Se o TTIP for aprovado, os países periféricos e do sul ficarão sob uma enorme pressão para aplicar os padrões desse tratado para não perderem oportunidades comerciais. Os lobbies corporativos não escondem o seu objectivo de criar convergências globais baseados nos padrões euro-americanos. Isto forçará a adopção de políticas de livre-comércio por parte de países mais pobres que nem sequer participaram nas negociações.

 

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