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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Tempos interessantes

Eu não vivi Abril. Desconheço seu clima, sua envolvência. Mas julgo reconhecer no ar destes novos tempos que vivemos o cheiro da época. O que me devolve uma doce e estranha nostalgia, dum tempo que nunca vivi.

 

É certo que hoje as coisas são diferentes. Saímos de 48 meses de austeridade e não 48 anos. Não perdemos a liberdade, embora por várias vezes nos dissessem que não havia escolha. Já não há lápis azul; em contrapartida o espaço noticioso foi pintado de laranja. Exercemos o direito ao voto, mas o mesmo é condicionado pelas sondagens diárias. Depois de designados/as  os/as deputados/as dizem-nos que afinal não são todos/as iguais. E todo este guião é baseado numa tortura sobre a votação, levada a cabo por jornalistas, comentadores e editores, com o objectivo de pôr o voto a falar e que este confesse o que nunca significou.

 

Mas os banidos do arco governativo têm demonstrado têmpera. Enquanto se monta um circo mediático em torno de um governo caducado, os proscritos trabalham numa real alternativa. Com uma certeza, mais forte que muitas ameaças de saneamento e higienização política – a austeridade não serve! Empobrece, dói, sentencia; e nada resolve… Este é o espaço comum. Que se acertem as pautas, que se forme a orquestra. A música agora terá de ser outra. E seus acordes irão reavivar o perfume de Abril.

 

Não nos falhem. O povo não merece tal desilusão.

 

Montijo, 30 de Outubro de 2015

Mais uma Cavacada e isto não acaba aqui...

Imagem do DN.pt

 

Tenho aqui um problema curioso com Aníbal Cavaco Silva. É que não o reconheço como Presidente da República de Portugal.

São diversos os factores para me desmarcar dessa personagem mumificada mas poderemos considerar que ou ele não é o Presidente de todos os português servido apenas como líder do PSD ou Portugal tem menos um habitante face ao contabilizado ou talvez tenha menos 7 425 352 habitantes, todos os que não votaram no Cavaco ou não lhe passaram cavaco.

Parecendo que não, estamos aqui a falar de 2/3 dos que por cá vivem!

Curiosamente se há coisa que não o posso acusar é de falta de coerência no seu discurso. É coerentemente mau mas nem sempre acompanha os seus actos!

O seu discurso para sempre por uma retorica de ‘estabilidade governativa’ mas de um ponto de vista de submissão quer à sua ideologia quer à ideologia de terceiros.

O senhor deixa o papel de Presidente de lado e passa a querer decidir pelo Governo.

Por esta altura do campeonato já não estou particularmente convencido que o passo seguinte ao despedimento colectivo do Governo que tomou hoje posse seja o convite a António Costa de formar Governo.

Hoje no seu discurso ficou bem vincado que não dará posse a um Governo que inclua a esquerda.

Ao contrário de tudo o que é o conceito de democracia representativa, nem sequer estou a ver muito bem a cena dos próximos capítulos.

A múmia já deu posse à PaF que a esquerda já disse reprovar. A PaF por seu turno anunciou que não será Governo de gestão. Vale o que vale porque continua a contar com o ‘Irrevogável’ no seu plantel e a verdade de hoje é mentira amanhã.

De qualquer forma a ser assim deixará o país no mais instável momento desde o PREC o que não deixa de ser curioso para um sujeito que passa o tempo a apelar à estabilidade.

A ser esta a verdade dos factos, será o próximo Presidente da República de decidir.

Durante os últimos 115 anos tivemos 60 que foram efectivamente maus. Foram 40 anos debaixo da asa de António de Oliveira Salazar e 20 anos na outra asa de Aníbal Cavaco Silva.

Felizmente a múmia nunca mais governará nada mas há por aí outros…

Notas de um político impreparado (1)

O mais fácil é saber para onde se quer ir. Ou, mais fácil ainda, que não se quer ir por ali.

Quer dizer, fácil, fácil não será. Sair do rebanho implica sempre um esforço intelectual de confirmação de pressupostos e de justificação das ruturas. Só precisamos de explicar "porquê?"  (inclusivamente a nós próprios) quando optamos por um caminho diferente.

Mas pronto, saímos. E sabemos onde queremos chegar. O difícil então é descobrir o caminho, saber em cada passo pequenino como é que ele vai contribuir para atingir o destino almejado.

Exemplifico: digamos que queremos uma União Europeia democrática. Nem toda a gente percebe que Portugal, como outros países europeus, abdicou da sua soberania para a colocar num sistema sobre o qual não tem nenhum controlo. Há quem perceba e ache bem. Mas quem entende que não pode haver poder político sem controlo democrático, como faz? 

Quem quer o fim da industrialização do sofrimento animal e se apercebe que isso implica repensar muito da cadeia alimentar atual, por onde começa?

Quem quer que os seus filhos não tenham que sofrer os efeitos de um clima desregulado, pode fazer alguma coisa a partir do seu bairro?

A resposta curta é- ninguém sabe! Ou melhor, sabe-se que não há UMA resposta, a não ser que ela precisa de ser descoberta com outros. É preciso encontrar parceiros de caminho e com eles decidir cada passo. Uns verão mais longe, outros darão passos mais largos. Talvez a meta tenha até que ser ajustada. Mas mudar o mundo é uma tarefa coletiva.

Diz-me, para onde queres ir?

Fim de Subsídios Europeus para Touradas

 

 

A Europa e a União Europeia (EU) têm muitos defeitos. Mas se têm defeitos também é verdade que têm virtudes e muitos dos que considero como defeitos podem ser corrigidos.

Por isso continuo a defender que o caminho não está na criação de muros, barreiras ou entraves entre países mas numa abertura democrática e progressista na verdadeira dimensão destas ideologias.

Uma dessas virtudes foi aprovada hoje pelo Parlamento Europeu. Ao contrário do que por cá se faz ao entregar fundos públicos às touradas através dum suposto desenvolvimento agrícola, o Parlamento Europeu aprovou hoje o fim de subsídios destinados às touradas. Decidiu-o com 438 votos a favor face a 199 votos contra.

Na verdade esta ideia é francamente mais fácil de plantar no Parlamento Europeu do que em Portugal ou Espanha onde a tourada é considerada tradição.

Mas a tradição em Portugal serve como desculpa para quase tudo. Mesmo agora ouvia Teresa Leal Coelho a usar a expressão “tradição constitucional” para justificar que deveria ser a coligação PaF a governar. Mas… o que é “tradição constitucional”?

É daquelas coisas, como as touradas, que se dizem para justificar o injustificável.

Qualquer pessoa em qualquer parte do mundo percebe que a tourada é um acto bárbaro e que nesta altura da evolução social não deveria existir. Em qualquer parte do mundo excepto nos que alegam “tradição”.

Eu não sou contra as tradições. Todos temos tradições na nossa vida. Como azevias no natal e sarapatel na páscoa. Não aceito acções justificadas como “tradição” mas que prejudicam pessoas ou animais. Que sentido faz pessoas que defendem golfinhos, baleias, focas porque são fofinhos, pessoas que compreendem que é errado o uso de animais para testes para cosméticos, que compreendem que é errado usar peles de animais e depois acolhem como “tradição” massacrar touros numa arena.

Que espécie de coerência é esta?

Pior, a troco de votos o nosso Governo patrocina as touradas e aceita-as na televisão pública.

Congratulo a votação de hoje no Parlamento Europeu. Prova que tem utilidade se for bem usado.

Espero que num futuro próximo as medidas passem do uso de fundos europeus para o uso dos fundos nacionais e a proibição total da barbárie das touradas como sendo violência contra animais, que é o que é!

Declaração de óbito

Aníbal declarou o óbito da democracia parlamentar portuguesa. O mesmo ocorreu no dia 22 de Outubro de 2015, por volta das 20h05m. E com isto não falo da indigitação do líder do PSD como primeiro-ministro. Tal era mais que expectável, para quem sofre de um bloqueio ideológico profundo. Mas constitucionalmente intocável.

 

Essa mesma Constituição, que nos últimos anos tem servido de escudo protector para alguns dos ataques mais perniciosos por parte da coligação, no seu artigo 187.º, diz que o primeiro-ministro é nomeado pelo presidente da república, depois de ouvidos os partidos representados na assembleia. Convém realçar bem este ponto. Devem ser ouvidos todos os partidos com assento parlamentar. Não apenas os partidos que derem jeito. Ou seja, aqueles que mais facilmente se vergam à lógica austeritária e a modelos impostos pelos parceiros internacionais.

 

Na realidade, o principal obstáculo à entrada de partidos fora da bitola habitual numa solução governativa, muito para além da miopia ideológica, é o risco constante que poderá pender sobre os partidos do “arco da governação” e interesses que gravitam a sua órbita. A exposição da teia de cumplicidades, favorecimentos e compadrios, que tem dominado a economia nacional. É o final anunciado dessa estranha forma de vida. Haverá com certeza muito “boa gente” com rabos de palha… E, por isso mesmo, nada interessada que a “esquerda radical” chegue ao poder.

 

Ao próximo presidente da república, de preferência alguém que consiga entender que todos os partidos políticos têm os mesmos deveres, mas também os mesmos direitos, caberá a difícil tarefa de reconquistar a credibilidade da função. Ao mesmo tempo terá de fazer o pequeno milagre de ressuscitar a democracia parlamentar. Não se adivinha um mandato fácil...

 

Montijo, 27 de Outubro de 2015

De Zombies a Vampiros

 

Já me referi duas vezes, muito pela rama a Luaty Beirão e talvez tenha de aprofundar um pouco mais o pensamento.

A primeira questão que inflijo a mim próprio é: Se estivesse na sua posição levava o protesto até às últimas consequências?

A resposta não demora muitos segundos a surgir na minha mente: Não!

Luaty está numa luta, sozinho contra um país e a leva-la ao limite irá perder a sua família e a sua família irá perde-lo a ele.

Se olharmos para o mediterrâneo, estão milhares de refugiados a arriscar a morte precisamente para se salvarem a si e às suas famílias.

Mas esta cogitação minha em nada retira o valor e a bravura da sua luta. Provavelmente ainda a reforça e talvez seja Luaty o Gandhi angolano.

A verdade é que Angola NÃO é uma democracia. É uma autocracia com cabeça de cartaz em José Eduardo dos Santos. A liberdade, a que hoje por aqui conhecemos, por lá só existe se não se falar em ideias politicamente dissonantes ao regime instalado.

Por cá, os vampiros do costume para os quais só interessam os cifrões. A partir do momento em que temos interesses dos grandes grupos económicos em Angola e Isabel dos Santos se tornou numa peça influente na economia nacional, a vida de um qualquer protestante passa a ser algo de irrelevante. Ai de quem ouse interferir com os interesses financeiros. E nem sequer é um problema de defesa dos seus interesses em Angola. Para quem tem memória, há-de recordar-se do episódio da carta de condução de Mantorras. Depois de ele ter sido apanhado a conduzir com carta angolana que não era valida cá, Angola transformou a carta portuguesa em carta inválida em Angola. Portugal baixou as calças e lá se resolveu a questão diplomática… financeira.

E pelos mesmos cifrões acolhemos a Guiné-Conacri na CPLP sem que se garantisse o respeito pelos Direitos do Homem ou sequer se colocasse a integração condicional mediante o incremento de medidas em nome dos direitos e garantias. Se o ano passado não se moveram senão pelos cifrões, era agora que se iam mover por um puto armado em revolucionário?

José Eduardo dos Santos irá cair da cadeira e a autocracia irá ruir. Luaty dos Santos irá ser recordado e provavelmente terá ruas com o seu nome. A sua família sentirá a sua ausência e será chamada a falar aos jornalistas para recordar um bravo contra o regime.

Mas somos nós enquanto sociedade que somos responsáveis pela existência de mais um herói. Ninguém quer ser herói mas alguns não conseguem escapar à condição.

O povo unido jamais será vencido… mas o povo só se une em torno de mártires…

 

Zombies R'Us

 

Quando assistimos a filmes ou séries sobre zombies, qual é o seu único objectivo?

Encontrar alguém em quer morder. Tudo o resto passa-lhes literalmente ao lado.

Nós somos mais ou menos iguais.

Nós queremos é sangue. Com o sangue dos outros ou rejubilamos ou empatizamos. Mas somos viciados no sangue e logo após uma dose, vamos em busca de outra dose vinda de outra vítima.

Não é por acaso que o jornal com mais tiragem é o Correio da Manhã. Está cheio de doses de sangue!

Ainda os refugiados vivem o seu drama diário mas a sua dose, e a não ser que surja mais sangue, já foi ultrapassada pelo sangue do momento: Luaty Beirão. Já ninguém fala dos refugiados ou da Crimeia ou das violações na India ou de tantos e tantos dramas que se vivem por esse mundo fora.

Vamos de vítima em vítima a alimentar a nossa sede de sangue sem olhar para trás e estamos tão viciados no sangue que nem sequer nos preocupamos muito como é que essas pessoas se tornaram na nossa última dose de sangue mediático.

 

“We are what we are…”

Tradição

A maioria das eleições escolhe a composição de órgãos colegiais. A excepção será mesmo as presidenciais. E temos assistido ao triste espectáculo que nos chega dos lados de Belém. Assim, tirando estas, não se ganham nem se perdem. Compõem órgãos que são representativos da diversidade da sociedade. Pela primeira vez, a pluralidade de esquerda parece querer se entender. E isso é um óptimo sinal, principalmente para os quase 19% de eleitores que entregaram os seus votos às forças mais à esquerda no parlamento. Sendo que estes eleitores merecem ser respeitados. No hemiciclo o voto dos seus representantes contará tanto como o de outro qualquer deputado ou deputada.

 

Tradição? A política não deve viver de tradições. Principalmente as democracias modernas. Na política deve-se esperar clivagens, ideias, progressos, consensos, evoluções e revoluções. Se a política apenas sobrevivesse de tradição, muito mal estaríamos em termos de liberdades individuais e direitos da cidadania. Por isso precisamos de mais nervo, coragem e ousadia na política. Precisamos daquele atrevimento que manda para as urtigas a tradição. Porque é tempo de algo novo. Que se perfilem soluções diferentes e que se testem outros modelos.

 

Portanto venha de lá a ruptura com o mesmíssimo democrático. Estamos fartos desta monotonia política que nunca responde aos anseios da população. Quebrar regras omissas e legitimidades apodrecidas. Porque a tradição… A tradição já não é (ou não deve ser) o que era.

 

Montijo, 24 de Outubro de 2015

Um país, múltiplas repúblicas

Inúmeras combinações possíveis; múltiplos resultados. Previstos todos os cenários… Curiosamente o resultado final seria sempre igual. A inevitável indigitação de Passos Coelho como primeiro-ministro, por parte do presidente da república do PSD. Não surpreende. Herança dos tempos do partido único.

 

Esta é uma república que habita a República Portuguesa. Uma espécie de parasita, que consome os recursos do país e se serve do mesmo para perpetuar uma elite política no poder. São homens de meia-idade, conservadores, moralistas, ricos e caucasianos. Este é o retrato fácil de tirar. De quando em vez, algo sai da norma. Um género diferente, uma pigmentação diferente. Apenas a excepção que confirma a regra.

 

Convém alertar que esta não é a única república que convive dentro da nossa República. Durante anos repartiu o palco com a república do PS. Mas o certo é que esta parece estar a esboroar-se. E com isso o PS abandona aos poucos o seu lugar central, para se fixar à esquerda. Já era tempo. Que sirva para perceber que a política não é, nem deve ser, a arte da dominância, tal como a direita a interpreta. Antes o local de intersecção, diálogo e troca de ideias, que de forma profícua e salutar deve contribuir para influenciar positivamente a vida das pessoas.

 

Temos ainda outra república – a “republicazita irrevogável”, que se coloca constantemente em bicos dos pés para ser notada. Não havia necessidade disso. Sentimos bem a presença desta república de poderes submersíveis, que apesar da ínfima escala possui a força para derrubar milhares de sobreiros. Por muitos marqueses de face oculta que se levantem, não devemos esquecer quem paga pelos abusos cometidos e está a ser responsabilizado por tal, e quem passa permanentemente pelos intervalos da chuva e continua a viver numa realidade paralela.

 

A república do PSD continua a ser certamente a mais poderosa e perigosa. A complexa teia montada sobrevive a anos de oposição. É particularmente influente (e influenciada) no ramo da banca e alta finança. Daí advém por ventura a sua resiliência. Mas estou certo que um dia haverá por lá um golpe de estado. Quando alguém quiser mais do que os seus pares julguem devido. A ganância e a cobiça acabará por levar a melhor. E aí a república do PSD perecerá.

 

Demora a chegar o dia. Mas já no início do ano assistiremos ao primeiro acto do declínio, com o final do mandato do presidente da república do PSD. A partir desse momento respirar-se-á melhor na República Portuguesa.

 

Montijo, 23 de Outubro de 2015

Maldição da Múmia

 

 

A maldição da múmia é um dos grandes mitos contemporâneos que a imprensa faz questão de colocar em destaque e que tem até direito a filmes e romances.

Diz o mito que os infelizes que violem a tumba da múmia serão amaldiçoados e morrerão num curto espaço de tempo.

Para quem pensa que as pirâmides e o Egipto estão longe demais para ser preocupante, desenganem-se porque temos por cá a nossa própria maldição promovida pela nossa própria múmia.

Aníbal Cavaco Silva ultrapassou todo o tipo de maldição para a qual pudesses estar preparado. Deixou o seu cargo de Presidente da República para se autoproclamar regente do país com superiores poderes nos rumos do país, superiores até que as escolhas dos portugueses em sufrágio.

Depois do seu discurso de hoje pareceu-me claro que enquanto este estiver no poder, ou governa o PSD ou governa o PSD (não, não é gralha).

Para isto muniu-se de argumentos em que ele se assume como pessoa mandatada para fazer análise da intenção de voto dos portugueses ignorando apenas o facto que a larga maioria dos portugueses votaram a favor do fim da austeridade.

Chuta para canto, impedindo-os de fazer parte de um governo, os partidos eleitos à esquerda do PS como fazendo parte de uma sociedade non grata por serem declaradamente contra a UE ignorando o facto dele próprio ter permitido um governo que lhe renova o mandato, em que o CDS-PP desde a primeira hora se demonstrou contra a EU e só mais tarde, qual prostituta que não diz o que pensa mas o que convém, adoptou um discurso muito mais próximo do PSD.

Vai ainda mais longe ao sonegar e legitimidade de existência ao BE e PCP por estes não partilharem a sua ideologia e o rumo que este pretende. Pior, ao lhes negar a legitimidade das suas escolhas politicas, não é só a estes partidos que lhes subtrai a opção de fazer parte da opção governativa. Nega-o a todos os cidadãos que votaram nestes que para eles serão os seus representantes.

Mais, mesmo que um destes partidos tivesse a maioria absoluta e decidisse que a escolha dos portugueses seria a saída da NATO ou na União Europeia ou de qualquer outro organismo internacional, esse Governo estaria legitimado para o fazer e não pode ser o Presidente da República a nega-lo.

Aníbal Cavaco Silva não é Presidente da República para decidir quando é o momento ou não de Portugal mudar. Ele está lá para garantir que as instituições funcionam. E funcionaram até ao momento que a múmia se assume como Rei e nega as decisões dos portugueses em nome de Portugal.

Lendo o seu discurso percebe-se que afinal o PR não irá avançar passo-a-passos. Apenas irá permitir um Governo em que o PSD tenha o papel principal e se assim não for, deita abaixo.

Este Golpe de Estado está ao nível dos melhores/piores episódios da história da humanidade.

Pela primeira vez em 40 anos os partidos de esquerda sentaram-se à mesa e convergiram para enfrentar um inimigo comum. Sim, inimigo!

Este Golpe de Estado pode adiar o processo de diálogo por muitos anos até que as condições voltem a ser favoráveis e os líderes partidários sensíveis à necessidade dessa convergência.

El Rei D. Animal Cavaco Silva ‘a múmia’, rei dos social-democratas, neoliberalistas bancocratas, ignorou o povo e serviu os interesses dos seus.

É altura de mudar de Governo e sobretudo é altura de mudar de Presidente da República para alguém com origem noutras linhas ideológicas, longe do suposto carisma e populismo criado pela comunicação social cada vez mais tendenciosa, por um Presidente da República que defenda os portugueses e não alguns interesses que nem sequer são de Portugal.

Não é, não foi nem nunca será do interesse dos portugueses serem escravos!

Se estamos amaldiçoados é por opção mas estamos sempre a tempo de mudar.

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