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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

O visto e o visível

 Até 1983 não sabia que se comiam lapas. Ignorância minha, claro, mas essa não foi a única descoberta daquele dia de primavera, na Praia das Avencas. Na aula prática de Ecologia Geral vi, pela primeira vez, algo que sempre esteve visível de todas as muitas vezes que passeei por uma praia rochosa: a disposição dos organismos em faixas na zona das marés. Em todos os sítios em que há marés é possível observar o mesmo padrão de faixas horizontais de comunidades completamente distintas; na costa atlântica do continente português às laminárias sucedem-se, subindo na costa, as lapas e os mexilhões, a estes as cracas e a estas as litorinas. 

O conhecimento sobre o mundo que nos rodeia começa com a busca de padrões, de regularidades, para as quais temos que procurar uma explicação. Depois de ver o padrão, a explicação é muitas vezes óbvia. Relaciona-se facilmente a zonação intermareal, por exemplo, com a subida e descida do nível do mar. Pode depois estudar-se o mecanismo envolvido. Neste caso é o gradiente de exposição ao ar: as espécies distribuem-se mais perto ou mais longe da água de acordo com a sua resistência à dessecação (nos organismos marinhos) ou à submersão (nos terrestres).
A compreensão da mensagem que os padrões nos transmitem, o conhecimento que ganhamos da nossa reflexão sobre o que vemos, tem o potencial de nos transformar. Quando Galileo apontou ao céu o seu telescópio e descobriu que Vénus tinha fases como a Lua foi forçado a concluir que o modelo ptolomaico estava incorrecto. Isso quase lhe custou a vida, mas a coragem que demonstrou foi decisiva para impor a racionalidade como um princípio estruturante da vida em sociedade.
Atualmente há muitos padrões que estão à vista de todos mas que poucos vêm. Há outros padrões que são deliberadamente escondidos. E há padrões ainda que são criados artificialmente para moldar a nossa perceção do mundo- e as nossas ações. Este blogue pretende dar a ver o que poucos vêm, para que se faça o que precisa de ser feito.

Sobre Nós

Folheando as páginas da história da humanidade conseguimos verificar uma constante alternância de marés maiores ou menores, de maior ou menor liberdade, de maior ou menor prosperidade.

No início do primeiro milénio, numa maré alta de prosperidade para o Império Romano, Públio Cornélio Tácito disse: “Rara felicidade deste tempo, onde é permitido pensar o que se quiser e dizer o que se pensa.”.

Com muito menor esforço conseguimos enumerar uns quantos períodos de maré baixa no que toca à liberdade. Baixando a guarda, arriscamo-nos a assistir no nosso tempo à baixa-mar.

Maré Alta está grávido. Grávido de esperança, república e liberdade. Pela mão dos autores e autoras, que aqui podes visitar regularmente, assistirás a denúncias de atropelos à justiça e dignidade humanas. Assim como o que fazemos agora e o amanhã que sonhamos.

E sempre com a liberdade que nos foi ofertada a guiar a nossa vontade. A mesma que defendemos e que tentaremos preservar para todos.

Porque:                                                            

 

                                                              “Querer-se livre é também querer livres os outros.

                                                                                                                   Simone de Beauvoir