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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

2015, o Ano dos Monstros

 

Tradicionalmente quando dão as badaladas da passagem de ano, cumpre-se o ritual de beber o champagne, comer as passas, cumprimentar efusivamente os presentes e proceder à formulação dos desejos para o ano que acaba de entrar.

Em alguns anos a acompanhar os desejos, sinto que o ano que se avizinha será um ano de mudança mesmo sem saber bem o que ai vem. Assim foi quando me tornei independente, assim foi quando me tornei pai, assim foi na entrada de 2015.

O ano mal tinha começado já estávamos ocupados a ser Charlie. Passámos o ano inteiro a assistir a atentados espalhados pelo mundo, incluindo um avião abatido por misseis de fabrico russo, ignorámos aqueles que nos parecem vindos de um conto de ficção, de um outro planeta qualquer mas o Bataclan não nos passou ao lado. Tem-nos passado ao lado o drama dos refugiados sírios mas a hipótese deles se refugiarem aqui já nos desperta a atenção.

A União Europeia entrou em alerta logo em Janeiro depois de assistir à vitória do Syriza na Grécia. Não era só um problema grego. Também neste ano teríamos mais países a votos pela Europa fora e ao mínimo sinal de fraqueza a política europeia poderia mudar radicalmente. Varoufakis tinha de sair e Tsipras teria de ajoelhar-se perante Merkel. A Grécia mudou de Governo mas não se livrou da austeridade.

Portugal, aqui neste canto à beira-mar plantado passou o ano ainda governado por vampiros. De mentira em mentira, de mitos de cofres cheios a injecções pornográficas de dinheiro público na banca, a terminar 4 anos em que começara por prometer cortes nas gorduras mas apenas cortou músculo e tudo ficou mais claro no cair do pano com a morte de David Daniel que morreu por falta de médicos.

Outubro foi o mês da múmia. A quatro de Outubro a esquerda conquista a maioria dos votos apesar de a PaF ter sido a força politica mais votada. Os olhos apontaram para a cada da múmia à espera do que ela poderia dizer ou fazer. É claro que tentou por tudo aguentar a PaF até onde foi legalmente possível. A PaF finalmente caiu e no dobrar do ano também a múmia será já uma história muito má da qual ninguém quererá guardar memória.

Mas a múmia lá teve de trocar os vampiros pelo Frankenstein.

O Frankenstein é a tentativa do Homem se equiparar a Deus criando vida num homem melhorado acumulando num só o conjunto de habilidades e capacidades que se encontram dispersos em diversas pessoas.

A convergência à esquerda é esse Frankenstein que poderia ser uma coisa extraordinária mas resulta apenas numa coisa, uma criatura que luta constantemente pela sua existência, pela sua preservação. Uma pitada de europeísmo do PS, uma pitada de ecologia do PEV, um pouco de luta pelo direito dos trabalhadores do PCP e um pouco de lutas mais fracturantes vindas do BE que já não são tão fracturantes mas continuam a ser apelativas aos cidadãos mais jovens.

Para mim, membro do LIVRE é e foi frustrante defender um partido que contem isto tudo e ver nascer um frankenstein politico. Ainda assim, nessa luta constante pela sua sobrevivência, é melhor um frankenstein do que um bando de vampiros!

Espanha também mudou e o bipartidarismo caiu. O Podemos não atingiu o sucesso pleno mas já teve o sucesso de acabar com o marasmo que se vivia no país vizinho.

Quando começou 2015 tinha a ideia que seria um ano de mudança. Não foram as mudanças que desejava, pelo menos na sua plenitude, mas muito mudou e promete ser apenas o início de muitas mudanças para o futuro próximo.

Certo é que vivemos dias que merecem ser vividos na sua plenitude porque são dias que ficarão nos livros de história.

Desejo a todos um 2016 profícuo e com esperança redobrada num futuro melhor!